quinta-feira, 26 de dezembro de 2024

ARABESCO (1990)

 


O premiado curta “Arabesco”, com roteiro e direção de Eliane Caffé, apresenta dois ladrões que invadem uma casa com a intenção de roubar objetos valiosos. Logo de cara, eles percebem que a casa guarda muito mais segredos do que artigos de luxo.

“Arabesco” conta com as ótimas atuações de Alfredo Damiano e Jonas Bloch, que se surpreendem com tudo o que há dentro do cômodo da casa e como coisas estranhas passam a acontecer. Se, de início, eles se surpreendem de forma positiva diante do desconhecido, logo eles passam a questionar a sanidade mental, com o desespero batendo na cabeça deles. Citando o caso de um conhecido que enlouqueceu, pensando que havia se tornado um paralelepípedo, eles temem que o mesmo possa acontecer com eles, sendo influenciados de alguma maneira pela casa.

O que eles têm de informações sobre a casa é que a mesma pertence a uma senhora de idade. Ao invadirem um dos cômodos da casa, se surpreendem com objetos, obras de artes, quadros, livros, que, provavelmente têm um elevado valor. Porém, tudo o que existe dentro daquele cômodo parece estranho e surreal, aparentemente, não havendo uma saída.

O curta aborda como cada um reage diferente das coisas inusitadas que acontecem no local. Num momento, enquanto um está enfeitiçado por algum objeto, o outro está no desespero para sair do local. E essa situação se inverte em várias oportunidades.

Com muita competência, as equipes de arte, fotografia e trilha sonora constroem um universo que desafia o mundo real, com situações absurdas e que fogem da realidade material da forma como conhecemos. O curta tem um lado lúdico, mas também, uma atmosfera de mistério e suspense. O texto oferece todos esses elementos que são explorados de forma muito eficiente por Eliana Caffé.

O toque surreal e experimental do curta traz a reflexão de como lidamos com situações, aparentemente sem explicação. Em resumo, como lidamos com o desconhecido e com o que nos parece estranho à primeira vista.

“Arabesco” deixa uma série de dúvidas para que o espectador especulo sobre o local e as atitudes da dupla de assaltantes. Será que aquele local é real? Será que eles realmente estão onde acham que estão? E, como sair dali?

Eliana Caffé demonstra muita qualidade em aliar elementos narrativos e técnicos, criando a tensão que envolve os personagens e explorando muito bem os elementos psicológico e emocionais da dupla de assaltantes.




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