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sexta-feira, 15 de novembro de 2024

A GALINHA QUE BURLOU O SISTEMA (2011)

 

A voz de Cecília Homem de Melo dá vida a uma galinha nesse intenso e envolvente curta. Em seus 15 minutos, “A Galinha que Burlou o Sistema” narra o despertar de consciência de uma galinha que vive ao lado de outras centenas numa granja industrial.

A nossa protagonista passa a questionar o seu papel dentro daquela sociedade e se recusa a aceitar o destino que está predestinada. Ela reflete como tudo poderia ser diferente e ela e as outras galinhas pudessem ter uma vida livre, onde elas próprias pudessem decidir sobre o seu destino.

A narração envolvente acompanha a trajetória da ave desde o momento em que sai do ovo, revelando como, desde o nascimento, os indivíduos considerados defeituosos são descartados ou triturados sem piedade. Infelizmente, essa é a realidade de um sistema implacável, que age como um rolo compressor, esmagando impiedosamente aqueles que não se encaixam em seus critérios de utilidade.

A galinha, revoltada com o destino dela e de todas as outras, ainda tenta conscientizar as suas companheiras. Porém, é em vão. Elas estão muito ocupadas se alimentando de ração com aditivos para um crescimento mais rápido que o normal e ignoram completamente o mundo em que estão inseridas e seus papéis nesse universo.

“A Galinha que Burlou o Sistema” faz uma inteligente alusão sobre quem somos e qual o nosso papel numa sociedade onde a maioria dos indivíduos não têm noção de como funciona o sistema e acredita que “o mundo é assim e não dá pra mudar”. A galinha insiste que há outro modo de vida, melhor, e que não empurra as aves para o abate. Ela sabe da existência de aves livres e que têm até mesmo a capacidade de voar.

Em sua fuga, a galinha vai para o tudo ou nada, em busca de sua liberdade. Cercada por um funcionário da granja, a galinha se vê acuada no alto do prédio. A decisão tomada por ela não é complementada no curta, mas a ideia é de que ela lutou pela sua liberdade até as últimas consequências.

“A Galinha que Burlou o Sistema” é um filme com um refinado uso dos elementos técnicos de produção, para a realização de um Drama dentro de um Documentário. A fotografia utiliza cores mais escuras e frias em determinados momentos para transmitir um sentimento triste e mórbido. A claridade e as cores mais fortes são usadas em trechos onde há pelo menos um sinal de liberdade e de esperança. Tudo mais funciona no curta, trilha sonora, arte, arco narrativo e dramático.

O curta, com roteiro de Ana Durães e Quico Meirelles e com direção de Quico é uma ótimo opção para refletir de que forma estamos inseridos num sistema e qual o nosso papel dentro dele. Há possibilidades para se tentar uma mudança? Se há, vale realmente lutar? Há uma gama enorme de temas e subtemas que o filme propõe e vale muito a pena pensar a respeito.




quinta-feira, 31 de outubro de 2024

SUPERBARROCO (2008)

 

O Drama Experimental da diretora Renata Pinheiro e estrelado pelo ator paraibano Everaldo Pontes, não é simplesmente um filme onde o espectador somente vê e ouve. “Superbarroco” é um filme para ser experimentado, apreciado e sentido. Com elementos do surrealismo, o curta de 17 minutos, leva o espectador para uma abordagem artística, filosófica-existencialista e totalmente imersiva, se quem assiste se permitir viajar pela mente do protagonista.

Pode até haver um estranhamento sobre a narrativa, o personagem e o arco dramático do filme. E, de forma magistral, a equipe criativa consegue nos atrair para aquele universo, que aprofunda em questões relativas à identidade pessoal, memórias, lembranças, pertencimento, com técnicas de filmagem aparentemente simples, mas hipnotizantes. A arte visual, envolta no protagonista, permite sentir os sentimentos dele. A obra permite ao espectador se aprofundar ao máximo numa realidade onírica e introspectiva.

“Superbarroco” é arte no estado mais puro, refinado e autêntico. É certo que demorar um pouco até compreendermos as imagens das projeções. Mas, quando percebemos do que se trata, passamos a participar do filme. Não há quarta parede para ser quebrada. Simplesmente, quem assiste é introduzido dentro do universo do personagem principal.

E a arqueologia da mente do protagonista mistura realidade, sonhos e memórias. A narrativa é lenta e imersiva, justamente para que tudo passe a fazer sentido. Ou nem tudo possa fazer sentido, porque ninguém é capaz de conhecer totalmente o que uma pessoa carrega na sua bagagem de vivências, memórias, sonhos e ilusões.

O uso de flashbacks com projeções nas paredes da casa do protagonista demonstra uma execução técnica sublime. Ao abrir mão de flashbacks convencionais e utilizar projeções nas paredes, o filme transforma a memória em algo vivo, visual e interativo dentro do cenário. Essa abordagem não apenas comunica informações sobre o passado, mas também reflete o estado mental e emocional do protagonista. Essa ruptura com os padrões permite que o público experimente o passado de uma maneira sensorial, fundindo-o com o presente de forma mais fluida e poética, tornando a própria casa um personagem que "guarda" essas lembranças.

Assistir a “Superbarroco” é uma experiência única. O filme traz várias sensações e sentimentos, dentro de sua proposta narrativa e aspectos técnicos, que desconstroem a linearidade da narrativa tradicional. Através de uma linguagem visual poética e simbólica, a obra nos transporta para um universo em que o passado e o presente se entrelaçam, convidando o espectador a uma reflexão profunda sobre suas próprias memórias e experiências. A imersão nas nuances da história e a originalidade na construção das cenas fazem do filme uma obra marcante que desafia nossas percepções e expectativas.


Assista "Superbarroco" no Embaúba Play: https://embaubaplay.com/catalogo/superbarroco/ ou pelo canal Programa Curta Pernambuco, com uma entrevista com a diretora.





quarta-feira, 23 de outubro de 2024

A SEMANA (2023)

O curta é um pseudo making of de uma produção cinematográfica. Com 23 minutos, “A Semana” apresenta Gui, um jovem cinéfilo que tenta realizar o sonho de produzir um filme, junto com seu melhor amigo, Isaac.

O filme é uma Comédia extremamente eficiente, com uma trama muito bem construída, uma narrativa com muitos diálogos hilários e personagens bastante carismáticos. O protagonista vai da empolgação inicial ao impacto da dificuldade em se produzir sem experiência, mas insiste na produção. Dessa forma, eles enfrentam todos os tipos de percalços em busca da realização do projeto.

Os realizadores foram certeiros em todas as escolhas para produzir um filme com belas sacadas de humor, sarcasmo e ironia. Tudo ficou exatamente no ponto certo. A forma como os dias de trabalho se desenrolam durante a gravação do filme “O Agente Mascarado” é excelente, com picuinhas, dúvidas e irritações surgindo, e divertindo o expectador, que fica na curiosidade sobre o final da obra.

Desde a atriz inexperiente, o técnico de som que não sabe operar até o editor ranzinza, tudo funciona muito bem. E “A Semana” tem aspectos técnicos bem interessantes e com profissionais que sabem o que fazem e entregando um ótimo filme.

O roteiro é do diretor Cesar Gallego, que também atua no filme no papel de Jefferson. O elenco ainda conta com Victor Dornellas interpretando Gui, Sebá Neto como Isaac, Déco Araújo como Robson, Raquel Godoy como Camila, João Saldanha como Carlos, Jotta Moraes como o vilão, Ruann Oliveira como Lucas, Ben Gomes como o capanga, e Henrique Roque como o Vingador de Capuz. O filme é uma realização da Duque Pato Filmes, com produção de Cesar Gallego, Ben Gomes e Hugo L.V e Oliveira.

“A Semana” é certeza de que você vai assistir a uma divertidíssima comédia e o filme passa muito rápido.



sábado, 19 de outubro de 2024

SINGULAR (2023)

O Drama em curta-metragem acompanha o dia-a-dia de uma solitária mulher, que passa a receber misteriosas mensagens que são deixadas na porta de seu apartamento.

Os bilhetes, escritos à mão, a incomodam porque, além de invadir a sua privacidade, tocam em assuntos que mexem bastante com a sua cabeça, com o seu estado mental, emocional e psicológico.

“Singular” é uma maravilhosa jornada cinematográfica, onde tudo acontece em praticamente um único ambiente e com a eficiente e talentosa atuação de Priscylla Atanes.

Miguel Atanes, responsável por roteiro, direção, montagem e música, demonstra toda a sua qualidade ao extrair o máximo do texto e encaixando, gradativamente, os elementos que revelam o objetivo dos bilhetes misteriosos. Os elementos de Suspense e Mistério, são utilizados pontualmente, de forma a resolução é surpreendente e extremamente sensível.

“Singular” eleva o filme para além do que se vê em tela. O filme traz uma proposta para uma reflexão totalmente relevante para os nossos dias, nossos comportamentos, nossa realidade e a forma como vivemos. Muito provavelmente, vários espectadores vão interpretar o filme de acordo com as suas visões e, pra falar a verdade, todas essas interpretações são especialmente importantes, porque cada pessoa enxerga o “seu mundo” através da sua lente. Pode ser que muitos se identifiquem com a protagonista do filme e se depare com um cotidiano parecido com o dela. E a proposta do filme é como uma sugestão pessoal.

“Singular” é um filme impecável em todos os seus aspectos, seja na narrativa, na dramaticidade e nos elementos técnicos de produção. É um filme que vale ser visto e revisto de tempos em tempos, porque tem uma importante mensagem para todos nós.




quinta-feira, 17 de outubro de 2024

PELEJA NO SERTÃO (2016)


 
O curta em animação apresenta um caminhão pau de arara, que transporta algumas pessoas por uma estrada do interior do nordeste do Brasil. A viagem segue bem, até que um buraco na estrada de terra danifica o veículo e os personagens precisam seguir a pé em meio a claridade da lua cheia.


“Peleja no Sertão” é uma animação que explora muito bem os gêneros Terror, Suspense e Ação. Desde os pequenos ruídos que alguns personagens escutam até o voo de uma rasga-mortalha, a atmosfera densa é estabelecida e o lobisomem não demora a surgir e intensificar ainda mais a tensão, o medo e terror dos personagens e dos espectadores.

O curta tem um roteiro excelente, onde algo sempre está acontecendo. Coesão narrativa e dramática estão sempre nivelados, com uma história que, arrepia nos momentos em que a ameaça ronda os personagens, ou nos ataques e lutas.

As equipes criativa e técnica entregaram um trabalho maravilhoso para quem é fã dos gêneros Animação e/ou Terror. O filme é de uma qualidade inquestionável, muito bem construído e elaborado. E a homenagem, referência a uma das mais emblemáticas transformações de humano em lobisomem foi lindo de ver.

O curta tem um desenvolvimento muito eficiente, dentro de uma trama envolvente e com um final surpreendente, confirmando a eficiência dos realizadores, desde a proposta da história até como o ritmo do enredo. Tudo está muito bem encaixado em seu devido lugar, não sobrando e nem falta nada em nenhum momento da história.

“Peleja no Sertão” é mais um dos exemplos da competência, talento e dedicação dos realizadores de audiovisual no Brasil. O curta prova que tem muita gente boa produzindo cinema no país. “Peleja no Sertão” tem direção de Fabio Miranda e roteiro do diretor, juntamente com George Patrick e Marco Mourão. Os demais profissionais envolvidos na produção estão no nosso post no Instagram.


Não perca a oportunidade de assistir um filme assustador, criativo e muito bem produzido.




sábado, 12 de outubro de 2024

ETERNIDADE (2016)


A produção independente “Eternidade” é um Drama/Mistério/Suspense/Terror que surpreende tanto pela qualidade do texto, pelos aspectos técnicos, e, principalmente por conseguir de forma intensa homenagear o Expressionismo Alemão. Em seus 13 minutos, o filme, com roteiro e direção de Flávio Carnielli, consegue transportar o espectador para o universo sombrio do curta.

A alternância de luz e sombras, a distorção da realidade, a representação abstrata do psicológico do personagem Bernardo, tudo está no ponto para uma produção que consegue dialogar com o cinema do século 21, tendo como base as principais características do gênero surgido no pós-Primeira Guerra Mundial na Alemanha.

A construção do personagem principal é perfeita, ainda mais que se trata de um filme mudo. A aflição, a tristeza, o desespero, tudo está ali, de frente ao espelho, onde ele se abre para si mesmo e clama pelo reencontro com sua amada, Emília.

A trama é fluida, dinâmica e enigmática. Tudo ali seria realidade ou era apenas a alucinação de uma mente perturbada e que se sente culpada? A forma como o protagonista é questionado, como alguns elementos são inseridos no enredo, tudo fica com ar de mistério. E mesmo com a realização do desejo de Bernardo, sobram mais dúvidas sobre Bernardo, Emília e a Eternidade. Quem fez o quê? Quem pede o quê? Qual o preço cobrado pela eternidade?

Enfim, elogiar a qualidade narrativa, técnica e dramática de “Eternidade” é chover no molhado. É assistir e se entregar ao filme. A trilha sonora de Fabiano Negri ajuda demais imersão dentro do universo trágico, assustador e misterioso do curta.

Outro ponto que chama muito a atenção é a fotografia, Leandro Galoni. Tudo no curta é perfeito, seja em planos mais abertos ou nos planos-detalhes extremamente necessários. Ou vai dizer que os olhos dos personagens não influenciaram na percepção do estado mental dos personagens? Impressionante também é o design de produção e figurino, que teve como responsável Helen Quintans, e a maquiagem e efeitos, de Eduardo Campos. A maquiagem é um dos pontos fortes e marcantes do filme.

“Eternidade” é adoravelmente perturbador. É um filme que inova, ao mesmo tempo em que tem por base um movimento tão importante para a história do cinema mundial.

E não podemos nos esquecer das atuações fantásticas de Filastor Brega, Amanda Costa e Andréa Sesso. Cada qual com seu papel, conseguiu incorporar perfeitamente, não personagens simples, mas extremamente complexos.

Assistir “Eternidade” é uma experiência fantástica e que deve ser repetida. As sensações causadas ao longo do filme são incríveis e com certeza vão agradar os cinéfilos que curtem o Expressionismo Alemão. Muito mais do que apenas um curta que mescla Drama, Terror e Mistério, “Eternidade” é aquele tipo de filme que nos dá orgulho por termos profissionais tão competentes que realizaram a produção. É com muita satisfação que assisto “Eternidade”, e com muito mais satisfação que escrevo sobre uma obra com uma qualidade inquestionável.


"Eternidade" está disponível no site do Festival Taguatinga de Cinema: https://festivaltaguatinga.com.br/festivalTagua/12/assista/vote/filme/521



sexta-feira, 11 de outubro de 2024

EU ZUMBI: COISAS DE BAR, OU PASSA A RÉGUA E TRAZ A CONTA (2011)

 O curta, com roteiro e direção de Alexander S. Buck, é uma realização da Onírios Produções. Assisti ao filme de 7 minutos sem saber a sinopse, gênero ou outros detalhes. “Eu Zumbi: Coisas de Bar, ou Passa a Régua e Traz a Conta” foi uma grata surpresa. Num primeiro momento, o filme nos dá algumas informações sobre o local, os clientes e a visão de dois dos protagonistas, para, em seguida situar o espectador no que ocorre (ou ocorreu), logo que o tumulto no bar se generalizou.


A escolha por produzir um found footage foi acertadíssima. E a mescla de duas perspectivas, dá um toque muito forte em tudo o que se desenrola do miolo para o final do curta. A técnica do split-screen, ou tela dividida, em dois planos foi muito bem executada, ao ponto de eu não saber dizer com exatidão qual o gênero do filme. Assistir às duas perspectivas (dos clientes e dos cineastas), me fez imergir de cabeça na realidade do curta. E o fato de ser um foun footage foi providencial. Na minha opinião, “Eu Zumbi: Coisas de Bar, ou Passa a Régua e Traz a Conta”, começa como uma Comédia e se torna um Suspense. No segundo ato, o filme ainda caminha pela Comédia, mas faz um uso certeiro do humor mórbido. E, no terceiro ato, na resolução final, diante da situação que fugiu do controle, a trama é obrigada a ser um Drama.



E é preciso ressaltar a qualidade da fotografia e montagem, pois o filme é composto por planos-sequências muito bem realizados, com a direção de fotografia de Caio Perim e a montagem de Ormando Neto. Esses dois elementos praticamente dão sustentação para que o filme pudesse ser com “câmeras” e “celulares” nas mãos. E o filme é impactante por isso. Não fosse essa a técnica utilizada pela equipe produtiva, talvez não fosse tão chocante.

O elenco, que conta com William Lannart, Erik Martincues, Samya Peruchi, Ormando Neto, João Barros, Caio Perim, Alexandre Brunoro e Magno Santos, além dos figurantes, tem atuações muito convincentes. Da ironia do primeiro personagem até o desespero final, tudo está muito bem encaixado. Em nenhum momento os realizadores deixam a peteca cair, com coesão narrativa e dramática impecáveis.

“Eu Zumbi: Coisas de Bar, ou Passa a Régua e Traz a Conta” é mais uma prova da capacidade e qualidade dos profissionais que trabalham com a produção nacional de curtas-metragens. O filme tem direção de produção de Magno Santos e a produção é de Daniele Micoids, Ingrid Holzmeister, João Barros e Marcelo Reis. O ótimo trabalho de maquiagem e efeitos especiais são de Alexandre Brunoro, com design gráfico e identidade visual de Lucas Cypriano.



Assistir “Eu Zumbi: Coisas de Bar, ou Passa a Régua e Traz a Conta” é uma ótima experiência. Além da excelente trama, percebemos também que toda a equipe técnica e criativa sabe o que está fazendo, entregando um trabalho com muita qualidade, criatividade e astúcia. Os realizadores demonstram que não tiveram receio em ousar e o resultado final é um filme perfeito.




quarta-feira, 9 de outubro de 2024

DRAMA DE UM COTIDIANO REAL (2011)

O Drama Experimental, com roteiro de Marco T. Alves acompanha os questionamentos de um indivíduo qualquer, que vive numa grande cidade e é inundado todo o tempo por uma avalanche de produtos, informações e rótulos para quem vive no atual momento da nossa sociedade.


Apesar do curta ser de 2011, Marco T. Alves dá destaque para algo que se acentuou muito mais nos anos posteriores. Se TV, sociedade e marcas ditam o que e como cada pessoa deve ser, os algoritmos das redes sociais sufocam ainda mais as pessoas. Muito provavelmente, o protagonista de “Drama de um Cotidiano Real” sofre ainda mais na década de 2020.


O curta, com apenas 6 minutos, transmite as sensações frenéticas de um caos, onde as pessoas, muitas vezes, nem percebe que está inserida. Quando percebe, faz os mesmos questionamentos do personagem e sofre com as mesmas conclusões. As críticas apontadas pelos realizadores são pontuais e necessárias. O consumismo desenfreado incentivado pela mídia, a busca desesperada por cada vez que faz com que indivíduos transformem as suas vidas numa eternas busca por... Por qualquer coisa que lhe dê satisfação. Dopamina. A dopamina nossa de cada dia, que faz com que os objetivos das vidas das pessoas sempre sejam mais e mais.


A entrada do segundo personagem, apresenta também a perigosa realidade em que vivemos. Muitos optam por caminhos mais curtos para conseguirem o que querem. Mesmo com as diferenças, dá para afirmar que ele também vive no seu círculo vicioso atrás do que deseja.

Mesmo com o incômodo narrado pelo protagonista, a impressão que se dá é que não adianta tentar mudar o mundo, pois somos muito pequenos dentro de uma estrutura gigantesca. Porém, mesmo optando por não dar murros em ponta de faca, é possível viver sem ser tão influenciado pelo mundo externo, procurando criar as próprias situações que trazem prazer e felicidade, mesmo nas coisas mais simples.



“Drama de um Cotidiano Real” tem uma ótima fotografia de Luiz Fernando Tavares Alves, que também é responsável pela pós-produção do curta. O elenco conta com Gabriel Manetti e André Anhaia. A música é de DJ Nato com áudio de Vera Nunes e Fabio Freire. A edição de vídeo também é de Vera Nunes. O casting é de Gabriel Manetti.



sexta-feira, 27 de setembro de 2024

Por que falar sobre curtas nacionais?

 

         A ideia, ao criar o CurtasEtcBr, era divulgar o máximo possível a produção nacional de curtas-metragens. O que antes era Curtas.br, ganhou o Etc para que o conteúdo não ficasse preso somente a curtas e, eventualmente, pudesse falar sobre longas-metragens nacionais ou curtas nacionais ou estrangeiros. Apesar do Etc, e de tudo que vem embutido, o foco principal sempre será curtas brasileiros.



         A decisão de falar sobre esse tipo de produção, se dá principalmente, por se tratar de amor à primeira vista. Não consigo me lembrar dos primeiros curtas que assisti, mas passei a consumir cada vez mais curtas-metragens no Portacurtas, Youtube e outros meios na internet.

         Pouco tempo após criar um perfil na rede social Filmow, recebi um convite para trabalhar na moderação de forma colaborativa, pois dedicava bastante tempo cadastrando novos curtas e criando listas. Hoje, as minhas listas de curtas nacionais, divididas por gêneros, têm mais de 10 mil filmes.

         E, se tem uma coisa que me deixa bastante feliz, é ver jovens (às vezes, até adolescentes) produzindo curtas-metragens. Vira e mexe, eu assisto a filmes que não têm roteiros bem definidos e com qualidade técnica muito precária. Porém, muitas vezes, isso acontece por falta de experiência, por falta de equipamentos, ou pelas duas coisas. Seria muito cômodo dizer somente que um filme é ruim e pronto. É preciso pesar a experiência (ou falta dela) e perceber o que foi usado para se produzir.

         E, sendo bastante sincero, vasculhando no Youtube ou no Vimeo, eu me surpreendo com mais filmes bons do que ruins. Isso significa que muita gente está aí para calar a boca dos que dizem que “cinema nacional não presta”.

         O CurtasEtcBr foi criado justamente para provar o contrário. O cinema nacional é muito bom e tem muita gente boa produzindo ótimos filmes. Como eu costumo assistir a curtas de outros países também, eu afirmo: as produções brasileiras não ficam atrás das produções gringas não. Alguém poderia dizer que eu sou bairrista. E aí qual o argumento que eu posso usar? Assista curtas nacionais que eu divulgo. Se você assistir 10 ou 20 e mesmo assim, continuar achando que o cinema nacional é ruim, ok, eu vou respeitar a sua opinião. Se eu conseguir ser um meio de ligação entre curtas nacionais e um novo público, eu já fico satisfeito. Quando digo “novo público”, quer dizer: pessoas que achavam o cinema nacional ruim e passaram a gostar dos nossos curtas. Lógico que ninguém é obrigado a nutrir a mesma paixão.

         Portanto, a divulgação de curtas nacionais é uma coisa que eu faço com bastante satisfação e de forma prazerosa. Mas, mais do que isso, marcar os profissionais nos posts do Instagram, tem também o objetivo de dar os créditos aos realizadores e tentar criar elos entre os vários profissionais que estão envolvidos numa produção cinematográfica.

         O Blog vai ser para poder escrever sem me preocupar com a quantidade de caracteres. O Instagram só permite 2.200 caracteres, e isso limita demais as minhas análises, críticas e interpretações. Então, no Instagram, os posts serão mais dinâmicos. Logo logo também teremos mais conteúdos no Youtube, tanto com análises e interpretações, mas também com reacts. Uma das minhas listas no Filmow tem o nome: GÊNEROS INDEFINIDOS. São filmes cadastrados por usuários, mas onde as pessoas não colocaram o gênero. Portanto, você vai poder assistir junto comigo. E eu vou poder comentar sobre as minhas sensações. E, provavelmente, esse quadro vai durar por muito tempo, afinal, a minha lista de “GÊNEROS INDEFINIDOS” tem mais de 1000 filmes.

         Então, sinta-se em casa e fique à vontade para conhecer mais sobre cinema nacional. Simbora!




SOB O CÉU NORDESTINO (1929)

         Com produção, roteiro, direção e fotografia de Walfredo Rodrigues, o filme “Sob o Céu Nordestino” é originalmente um longa-metragem...