sexta-feira, 27 de dezembro de 2024

A PRESEPADA (2019)

 


A ótima Comédia protagonizada por Tay Lopes tem direção de Rodrigo César e roteiro de Cadu Pereiva. A trama se desenrola seguindo um golpe que o malandro Hiltinho dá na esposa de um sargento da polícia e com quem ele tem um caso. Após se envolver com a mulher e roubar dinheiro que o sargento guardava debaixo do colchão, ela confessa a traição e o roubo ao marido.

         Perseguido pelos policiais, Hiltinho percorre vários pontos da cidade, até chegar na estação rodoviária e, ao se esconder no banheiro, encontra uma mala. Hiltinho descobre que a mala pertence a um Frei que teve uma dor de barriga. Hiltinho embarca no ônibus, vestido com as vestes do religioso e segue para Belém de Nazaré, usando a identidade de Frei Fernando.

         Quando desembarca na cidade, é recebido pelo Padre Zezinho, interpretado por Paulo Pontes, e fica sabendo que toda a paróquia lhe aguarda para a realização da Cantada de Natal.

         O curta tem uma trama muito bem desenrolada, com uma inteligente construção dos personagens e nas relações que são estabelecidas. Hiltinho conhece, ainda no ônibus, a bela Elaine, interpretada por Camila Bastos. A jovem é filha do prefeito que, alegando dificuldades financeiras, comunica ao Padre que não poderá financiar a tradicional Cantada de Natal. O ator Zé Ramos dá vida ao político.

        Neste contexto, o texto tem um campo fértil para desenvolver a Comédia, com um malando se passando por um Frei; um Romance, com o início de uma ligação de Hiltinho com Elaine; a o Drama, envolvendo o sentimento natalino da população da cidade e o risco de não ter a Cantada de Natal.

         “A Presepada” tem ótimos elementos narrativos, que além da trama conduzida pelos personagens, conta com animações inspiradas em xilogravuras e a narração de um repentista, o que insere o espectador no contexto nordestino, lembrando a literatura de cordel.

         Outro elemento narrativo muito interessante é que a equipe criativa alia muito bem a comédia mais leve a um humor mais ácido. Equilibrando muito bem esses dois tipos de humor, Rodrigo César entrega um curta muito divertido e gostoso de assistir.

        Os elementos técnicos de produção são muito bem aproveitados com destaque para a ótima fotografia, direção de arte, montagem e trilha sonora. A combinação desses elementos com o arco dramático, fazem de “A Presepada” uma ótima Comédia com muito humor do começo ao fim.



GUIDA (2014)

 


     A Animação “Guida” apresenta uma mulher madura, que trabalha no fórum há 30 anos. A sua vida como arquivista é rotineira, assim com a sua vida pessoal e particular.

         Com muita sensibilidade, a diretora Rosana Urbes explora o mundo real e o imaginado pela protagonista Guida. Ela recorda o que passou e reflete sobre o que ainda pode ser feito. Com roteiro de Rosana Urbes, Bruno Castro e Tiago Minamisawa, o curta traz a reflexão sobre o passado, presente e futuro. Com certa idade, já não podemos fazer muitas das coisas que gostaríamos. Porém, o que ficou no passado não tem como ser modificado, então, precisamos nos concentrar no que ainda podemos fazer. E se o tempo corre sem parar, temos que pegar o bonde e seguir na realização de sonhos possíveis.

         Através de uma linguagem poética, “Guida” mostra como é necessário saber lidar com as mudanças físicas, emocionais e psicológicas. Se querermos viver bem, precisamos pensar de forma livre e dar vazão para os desejos e vontades. Guida se deparar com um anúncio para aulas de modelo vivo em um centro cultural. O fato de posar nua para trabalhos artísticos a fazem refletir demais sobre o seu corpo. Porém, ela toma a decisão que entende ser a melhor.

           A protagonista deixa de lado as suas próprias barreiras e decide se libertar. A mensagem principal do belíssimo curta de Drama reside no fato de que é preciso fazer o que se tem vontade, deixar a vida fluir, os sonhos virarem realidade. Se muitos sonhos deixaram de ser realizados durante a juventude, ainda há muita coisa a ser buscada. E a idade não pode ser colocada como um impeditivo.

         Com som e trilha sonora de Ruben Feffer, Gustavo Kurlat, Ana Luiza Pereira e Duda Larson, e storyboard, design e animação de Rosana Urbes, “Guida” é uma maravilhosa produção que mostra que a felicidade, muitas vezes, está mais próxima do que podemos imaginar e que só depende de uma mudança de atitude para vivermos a vida com mais plenitude e leveza.

          “Guida” tem elementos técnicos de animação extremamente refinados e envolventes. Fotografia, montagem e trilha sonora são outros elementos que dão um ar especial para o curta que merece todos os elogios, tanto pela sua narrativa quanto pelo arco dramático sensível e amável.




COLEÇÃO DE HUMANOS MORTOS (2005)

 


          O curta, com roteiro, direção e montagem de Fernando Rick, apresenta a mente perturbada de um maníaco e as suas ações violentas e cruéis. Inspirado em alguns clássicos do Terror da década de 70, “Coleção de Humanos Mortos” é um curta extremo, com cenas fortes, muito sangue e sadismo.

         Alexandre, interpretado por Ulisses Granados, dá vida ao psicótico que comete crimes horrendos e acumulando vítimas através de sua loucura e violência.

         “Coleção de Humanos Mortos” é um Terror Trash Slasher e com muitos elementos do Gore. O filme é extremamente violento, mas tem todos os pontos para quem é fã do gênero e subgêneros.

         A construção do complexo protagonista da história é muito bem desenvolvida, assim como o seu universo físico e psicológico. De forma muito eficiente, Fernando Rick encaixa alguns personagens importantíssimos que representam Prazer, Ódio e Loucura. Todos esses personagens incrementam a mente do maníaco, deixando a dúvida para o espectador sobre a natureza deles. Seriam apenas criações de uma mente doentia ou entidades sobrenaturais?

          Sendo criações ou não, são elas quem motivam muitas das ações do personagem, que já não bate bem das ideias. Com maquiagem e efeitos práticos perfeitos, “Coleção de Humanos Mortos” é um ótimo filme com um texto muito bem conduzido pelo diretor e onde todos os elementos técnicos funcionam muito bem. A trilha sonora é outro ponto alto do filme.

          Luciana Caruso, Tiara Cury, Marina Anloop, Luís Sorrentino, Fabio de Castro, Gurcius Gewdner, Fernando Moreno, e Didi Babinski compõem o elenco, com ótimas atuações e que dão veracidade no que vemos em tela. A direção de fotografia de Renato Tado e Rodrigo Terra e os efeitos visuais de André Kapel Furman, ajudam a criar um ambiente perturbador, com uma atmosfera densa e com personagens bizarros, estranhos e perigosos.

         “Coleção de Humanos Mortos” é uma obra de arte do Terror Trash nacional, com uma trama envolta em mistérios, personagens bem bolados, desenvolvimento e resolução final muito bem definidos. E o que não poderia faltar nesse tipo de produção e o curta tem, é muito sangue.




quinta-feira, 26 de dezembro de 2024

ARABESCO (1990)

 


O premiado curta “Arabesco”, com roteiro e direção de Eliane Caffé, apresenta dois ladrões que invadem uma casa com a intenção de roubar objetos valiosos. Logo de cara, eles percebem que a casa guarda muito mais segredos do que artigos de luxo.

“Arabesco” conta com as ótimas atuações de Alfredo Damiano e Jonas Bloch, que se surpreendem com tudo o que há dentro do cômodo da casa e como coisas estranhas passam a acontecer. Se, de início, eles se surpreendem de forma positiva diante do desconhecido, logo eles passam a questionar a sanidade mental, com o desespero batendo na cabeça deles. Citando o caso de um conhecido que enlouqueceu, pensando que havia se tornado um paralelepípedo, eles temem que o mesmo possa acontecer com eles, sendo influenciados de alguma maneira pela casa.

O que eles têm de informações sobre a casa é que a mesma pertence a uma senhora de idade. Ao invadirem um dos cômodos da casa, se surpreendem com objetos, obras de artes, quadros, livros, que, provavelmente têm um elevado valor. Porém, tudo o que existe dentro daquele cômodo parece estranho e surreal, aparentemente, não havendo uma saída.

O curta aborda como cada um reage diferente das coisas inusitadas que acontecem no local. Num momento, enquanto um está enfeitiçado por algum objeto, o outro está no desespero para sair do local. E essa situação se inverte em várias oportunidades.

Com muita competência, as equipes de arte, fotografia e trilha sonora constroem um universo que desafia o mundo real, com situações absurdas e que fogem da realidade material da forma como conhecemos. O curta tem um lado lúdico, mas também, uma atmosfera de mistério e suspense. O texto oferece todos esses elementos que são explorados de forma muito eficiente por Eliana Caffé.

O toque surreal e experimental do curta traz a reflexão de como lidamos com situações, aparentemente sem explicação. Em resumo, como lidamos com o desconhecido e com o que nos parece estranho à primeira vista.

“Arabesco” deixa uma série de dúvidas para que o espectador especulo sobre o local e as atitudes da dupla de assaltantes. Será que aquele local é real? Será que eles realmente estão onde acham que estão? E, como sair dali?

Eliana Caffé demonstra muita qualidade em aliar elementos narrativos e técnicos, criando a tensão que envolve os personagens e explorando muito bem os elementos psicológico e emocionais da dupla de assaltantes.




LUZ, SOMBRA E MEDO (2014)

 


          Com apenas pouco mais de 3 minutos, “Luz, Sombra e Medo” narra o medo de um homem diante de seus medos quando é perseguido por lobos ferozes. Ele se refugia num ser muito maior e que emana luz, fazendo com que os animais se mantenham afastados.

         Com uma identidade visual extremamente bem elaborada, o diretor Mauricio Bartok mescla os gêneros Aventura, Drama e Fantasia nesta Animação. Os efeitos sonoros, de Daniel Figueiredo e José Miguel Enriquez, dão intensidade à trama, variando dentro da narrativa. O resultado é um curta produzido com perfeição e com uma mensagem muito bem definida.

         O filme traz a pertinente reflexão sobre a vida, os problemas, os medos e como enfrentamos tudo isso. A versatilidade de “Luz, Sombra e Medo” permite que as reflexões possam se dar através de um viés religioso ou por uma perspectiva filosófica. A mensagem é igualmente positiva.

         Seja se escondendo dos lobos ou procurando alguma proteção, o homem tem ações racionais, afinal, é muito difícil enfrentar os medos de peito aberto. Geralmente, isso é feito quando não há mais opções para se evitar e o enfrentamento dos medos se faz obrigatório.

         Agarrado ao gigante de luz, o homem permanece seguro e livre dos ataques dos lobos. Porém, quando ele entra num lago e, com certeza, irá sumir, o homem precisa lidar novamente com a falta de luz e segurança. A mensagem é direta e certeira; muitas vezes, os nossos medos, são motivados por nós mesmos. E isso serve para várias situações e vai de acordo com as nossas experiências de vida.

           Eu não posso chegar para uma pessoa e tentar minimizar os anseios, medos e frustrações dela, de acordo com a minha perspectiva. Da mesma maneira, nenhuma pessoa pode usar as suas experiências e visões de mundo para querer determinar como eu devo lidar para vencer os meus anseios, os meus medos e minhas frustrações. Com muita inteligência, a equipe criativa propõe que a vitória diante de medos, anseios e frustrações é uma coisa pessoal, particular e intransferível.

         Quando o gigante de luz começa a sumir, o que sobra para o homem é a sua sombra. E quando ele percebe a origem do que lhe amedronta, ele toma consciência de onde vem os lobos e como ele deve lidar com a presença deles. Talvez, conhecendo a verdade sobre eles, o homem pode descartá-los e seguir com a sua vida de uma maneira mais livre, leve e com muito mais clareza para enfrentar outros problemas e medos que podem surgir ao longo da vida.

        “Luz, Sombra e Medo” é um curta com elementos técnicos muito bem empregados na sua produção, com uma narrativa muito bem definida e um arco dramático sólido e eficaz. O filme é uma Animação com várias camadas e que pode trazer inúmeras reflexões ao expectador.




quarta-feira, 18 de dezembro de 2024

QUIROPTEROFOBIA (2009)

 

        O excelente curta de Terror, bebe da fonte dos subgêneros Trash e Gore, para apresentar uma história envolvente, inquietante e perturbadora.

         Com roteiro de Tiago Rezende e direção de Fernando Mantelli, “Quiropterofobia” tem em sua trama um casal de amantes que pega um taxi. Porém, logo o casal e o motorista se veem num verdadeiro pesadelo, quando são sequestrados e se tornam vítimas de um maníaco. Ali, presenciam todas as barbaridades que o sádico sequestrador é capaz, desde a forma como mata suas vítimas até beber o sangue delas.

         “Quiropterofobia” tem uma estrutura narrativa extremamente eficiente ao abordar a premissa de um transtorno psiquiátrico grave por parte do agressor e mesclar com elementos da literatura fantástica do Conde de Lautréamont, com trechos de sua obra “Os Cantos de Maldoror”.

         Com muita tortura e sangue, a trama, que se desenvolve em grande parte num cômodo sujo e aterrorizante, mostra a personalidade do maníaco e como cada um dos sequestrados reage. Cada um encarnado em seu personagem, Nélson Diniz, Aline Jones, Álvaro Rosacosta, Amanda Ogando e Marcos Verza mandam muito bem, com atuações maravilhosas.

            Um ponto forte é a trilha sonora que, em alguns momentos, apenas usa o som para sugerir aos personagens e espectador o que ocorre com outras vítimas no cômodo ao lado onde estão presos. “Quiropterofobia” tem fotografia e arte eficientes, que transmitem muito bem a atmosfera densa e pesada do local. E outro elemento técnico de destaque é a montagem.

         Gradualmente, a trama se desenvolve, primeiro nas tentativas desesperadas de fugir dali, até quando o jogo começa a virar e o maníaco percebe que sequestrou alguém que não deveria.

         “Quiropterofobia” é um Terror denso, com uma narrativa densa e pesada, sendo uma ótima opção para quem curte os subgêneros de Gore e Trash. A trama é muito bem conduzida e o final é extremamente surpreendente.




terça-feira, 17 de dezembro de 2024

O PLANO (2024)

 

        O curta, protagonizado por Sabrina Manta, Rogério Barbosa, Pedro Henrique Soares, é uma divertida comédia onde dois estudantes tentam saber o gabarito de uma prova que será realizada no dia seguinte. O problema é como a dupla de estudantes, Bia e Pietro, vão conseguir ludibriar o destemido vigilante Cléber.

      “O Plano” tem um desenvolvimento muito agradável, com alguns elementos sendo inseridos gradualmente e que compõem o universo estudantil e indo um pouco além, pois Cléber tem um relacionamento secreto com uma personagem que só aparece por ligação telefônica.

         O uso de animação num papel de caderno, mostrando o plano elaborado por Pietro, foi um grande acerto, pois aliou dinamismo e um didatismo muito interessante para o espectador, além de também ter um peso cômico a mais na trama.

         As cenas de ação, envolvendo perseguição e luta, foram muito bem executadas. Neste ponto, ação e comédia se misturam de forma muito eficiente, contrastando o desespero dos estudantes com a ira de Cléber. Bia e Pedro são os protagonistas atrapalhados e Cléber é um antagonista adorável e muito engraçado. Além dos figurantes, o curta conta ainda com a presença da atriz Milena Travassos.

          “O Plano” tem uma narrativa coesa e um desenvolvimento interessante, com a condução da trama sendo bem composta pela dupla de roteiristas e diretores Jota G. Melo e Pedro Henrique Soares. É uma comédia com uma resolução final surpreendente e diversão garantida para quem curte o gênero.

         O curta tem produção executiva de Jota G. Melo, com fotografia de Beatriz Wenceslau, arte de Vanessa Fernandes, e som e trilha de Theo Nóbrega, Evellyn Vitória e Pedro H. Soares. Pedro também é responsável pela animação, montagem, colorização e mixagem.  

segunda-feira, 16 de dezembro de 2024

O AFINADOR (2012)

 

            Paulo é um jovem músico que trabalha na oficina do pai. Ele é afinador de pianos e sonha em se tornar pianista do Teatro Municipal de São Paulo, porém, nem tudo sai como o planejado pelo jovem.

         Paulo, interpretado por Lui Seixas, vê sua chance escorrer por entre os dedos, quando seu pai, interpretado por Norival Rizzo, resga e descarta no lixo a correspondência do teatro com data e horário para o teste de Paulo.

         Não fica totalmente evidente o real motivo do pai ter rasgado o documento e, assim, ter atrapalhado o jovem na busca por seu sonho. Talvez o pai imagine que o filho deve seguir o mesmo caminho que ele, pois em determinado momento do curta, ele comenta que “logo o filho poderá assumir a oficina”.

            O jovem pianista descobre a correspondência rasgada e vai o mais rápido possível ao local da audição, porém, a mesma já havia terminado. O restou para ele foi sentar-se ao piano e tocar, com a intenção de desestressar. Logo, surge uma personagem que traz novas perspectivas para Paulo. Tendo Sandra Corveloni no papel, a faxineira do local, ouve Paulo tocar e há uma conversa franca e profunda com o jovem.

         Os diretores Fernando Camargo e Matheus Parizi, que também são responsáveis pelo roteiro, apresentam uma história sensível e tocante, com destaque para os elementos técnicos de produção, que ampliam o poder da narrativa. Fotografia, arte, trilha sonora e montagem são eficientes, tanto para apresentar um protagonista talentoso e determinado, quanto para alterar Paulo entre a raiva, a frustração e a tristeza.

         “O Afinador” tem uma importante reflexão de como muitas coisas, muitos sonhos, tomam outros rumos, diferentes dos planejados. O diálogo de Paulo com a faxineira é extremamente importante, com o fim de ressaltar que, às vezes, o destino pode estar traçado de um modo diferente, sendo que, quem tem talento e determinação pode colher frutos futuramente. É importante ressaltar que, além de talento, disciplina e dedicação, um pouco de sorte também pode fazer a diferença, na busca pela realização dos sonhos.

         Futuramente, outras audições terão, e as coisas podem acontecer diferente para Paulo. A informação de que imprevistos são comuns já foram repassadas pela faxineira e provavelmente no caso em que ela citou para o jovem, a pessoa não ficou reclamando ou murmurando pelo que não deu certo, mas procurou de todas as formas fazer com que as coisas dessem certo.

         “O Afinador” é um Drama muito bem construído, com na narrativa fluida e com um desenrolar bastante interessante. O elenco ainda conta com as boas atuações de Ricardo Gelli, Hebert Almeida, Adriano Oliveira, Bruno Sciuto, Marjorie Blait e Terezinha Campos, que ajudam a compor o universo no qual Paulo está inserido.


O curta está disponível no perfil do produtor Fernando Camargo no Vimeo: 

https://vimeo.com/206363236

O MINHAEIRO (2019)

 


Com forte presença no imaginário popular nordestino, “O Minhaeiro” traz uma proposta muito interessante sobre as lendas, mistérios e maldições que envolvem as botijas. 

As histórias sobre a atmosfera sobrenatural que envolvem as botijas afirmam que os tesouros são guardados por entidades sobrenaturais ou espíritos dos antigos donos, que impõem maldições sobre qualquer pessoa que tente desenterrá-los sem o devido ritual. Essas botijas, que originalmente eram potes de barro utilizados para armazenar riquezas como moedas de ouro, prata ou joias, são temas recorrentes em histórias contadas em regiões como o sertão nordestino.

Em “O Minhaeiro” uma jovem garota desenterra uma botija e a equipe criativa do curta fez um trabalho nota 10 ao mesclar folclore nordestino com os gêneros cinematográficos de Terror, Suspense e Mistério.

Com um ótimo trabalho de fotografia e arte, o curta envolve o espectador rapidamente, logo que a botija é desenterrada e, aos poucos, algumas revelações são feitas. Tanto o desejo de riqueza fica evidente, quanto o desejo de se preservar o tesouro contido na botija. Vitória Vasconcelos e Carlinhos Duarte se complementam de forma perfeita em suas atuações e nas relações protagonista x antagonista.

A trilha sonora, deixa o ar ainda mais denso e pesado, tanto na música sinistra, quanto nos efeitos de sons da mata, do vento. Isso dá muito realismo à trama, imergindo quem assiste no ambiente escuro, misterioso e perigoso.

“O Minhaeiro” tem recursos técnicos, narrativos e dramáticos executados com muita competência. O roteiro, de Ricardo Bontese, é direto e reto, causando tensão durante todo o filme. A direção, de Vinícius Lins, com fluidez e precisão, constrói uma atmosfera de suspense crescente, intensificando a angústia à medida que a trama se desenrola e sem o uso de sustos aleatórios e desnecessários. A escolha de um suspense psicológico foi acertada. O uso de planos e enquadramentos que misturam os personagens à escuridão, somados a uma montagem dinâmica, reforça a tensão, enquanto a trilha sonora contribui para o clima sombrio, ampliando o impacto emocional das cenas.

“O Minhaeiro” é uma ótima opção para os fãs de Terror que curtem também lendas e maldições do folclore brasileiro. 


Assista o curta no perfil do diretor no Vimeo: https://vimeo.com/441658344


quinta-feira, 12 de dezembro de 2024

BOSQUE VERMELHO (2014)

 

“Bosque Vermelho” começa com imagens e narrações de um estranho temporal ocorrido na cidade de Londrina. Se concentrando em apenas um bosque da cidade de Londrina, enquanto os outros lugares estavam com céu azul e sol brilhante, a chuva criou um estranho evento sobrenatural, fazendo com quem estava dentro do bosque se tornasse uma ameaça para quem se atrevesse a entrar no local.

         O curta, com roteiro de Carlos Fofaun Fortes e Edu Reginato, e direção da dupla, juntamente com Adriano Gouvella, Clodoaldo de Almeida "Billy Monster", Danilo Hokama e Renato Lopes, tem uma narrativa coesa, que explora muito bem o efeito da tempestade paranormal, o despertar dos mortos-vivos e os ataques que ocorrem. A escolha da equipe de som e trilha sonora foi excelente ao mesclar músicas de Punk Rock, Metal e Death Metal em meio aos ataques e muito sangue.

      A trama ocorre com muitos elementos do Trash, mas também com muitas sacadas irônicas. Juntando as escolhas da trilha sonora, com uma narrativa fluida, fotografia eficiente e efeitos práticos muito bem encaixados e executados, “Bosque Vermelho” tem uma atmosfera macabra e sinistra, mas também traz uma sensação de nostalgia, relembrando e homenageando filmes oitentistas do gênero.

         O elenco de “Bosque Vermelho” conta com Adriano Gouvella, Arthur Ribeiro, Guilherme Ausec, João Iramina Neto, Mário Fragoso, Nagomi Kishimo, Vitor Maçarico Inacio, André Duarte, Dilan Duarte, José Augusto Araújo, Manuela Manhães Slonski, Marcely Saes, Odair Gonçalves e Rodolfo Barroso. De michês até vigilante e bêbado, os zumbis não poupam ninguém e atacam quem podem.

         “Bosque Vermelho” é um curta de Terror pra se divertir, tendo ótimos elementos técnicos na sua produção. Com acertos pontuais da direção de fotografia e arte, o curta tem uma montagem bem estruturada, fazendo do curta uma ótima opção para quem é fã do subgênero Trash.

         E, é bom destacar que o que acontece no curta é apenas o início de um apocalipse zumbi. Se o espectador pensar sobre os dias seguintes, a população da cidade do interior do Paraná está em maus lençóis.





segunda-feira, 9 de dezembro de 2024

COURO DE GATO (1962)

 


O curta, com roteiro e direção de Joaquim Pedro de Andrade, se passa na cidade do Rio de Janeiro pouco antes do carnaval. Na falta de material adequado, de melhor qualidade e mais caro, o couro de gato é usado para fabricação de tamborins.

Com forte característica do “Cinema Novo”, o curta mescla Drama e elementos cômicos para descrever as contradições do Rio de Janeiro, as diferenças entre quem vive no asfalto e quem vive nos morros.



Para crianças, que precisam trabalhar para ajudar no sustento de casa, além de vender jornais ou engraxar sapatos, surge a oportunidade de caçar gatos para serem vendidos para fabricantes de tamborins.

Com uma qualidade técnica impressionante, combinando muito bem os elementos de fotografia e trilha sonora, “Couro de Gato” consegue impactar, tanto pelo uso dos animais como das crianças na narrativa. São seres inocentes, que em muitos casos, desenvolvem uma relação de afeto, mas a realidade imposta obriga que eles sejam separados.

O curta é humano e sentimental, ao descrever as crianças como parte de um sistema desigual e que as obriga a lutar pela sobrevivência. Não fosse a necessidade material, dificilmente as crianças pegariam gatos para vendê-los.

“Couro de Gato” apresenta vários garotos, em várias situações, para caçar os gatos. Mesmo com cada um deles em diferentes pontos da cidade na busca pelos felinos, as suas fugas tem como destino um lugar em comum, a mesma entrada do morro. Um caça um gato numa mansão, outro, num ponto mais central e movimentado, outro, dentro da comunidade. O filme traz a reflexão de um tipo de caminho único para essas crianças, que continuarão a ter uma vida de privações quando se tornarem adultos.

Mesmo com os vários pontos de comédia presentes no curta, é impossível não se emocionar com a única criança que consegue subir o morro com um gato. A relação desenvolvida envolve muito do que falta na vida dele e que poderia ser preenchida com um animal de estimação.

“Couro de Gato” é um filme onde a realidade é dura e crua. O seu toque de realidade é crucial para a imersão do espectador, tendo uma linha de ligação entre contexto, personagens e espectadores. Com um elenco que conta com nomes como Riva Nimitz, Henrique Cesar, Milton Gonçalves, Francisco de Assis, Napoleão Muniz Freire e Cláudio Correia e Castro, o curta tem planos que contrastam as realidades existentes no Rio de Janeiro, na contradição entre morro e asfalto e em como cada realidade impacta a vida das pessoas.




domingo, 8 de dezembro de 2024

DURMA BEM (2019)

Sara é a nova babá de uma garotinha. Em sua primeira noite de trabalho, uma forte tempestade atinge a cidade. A mãe, que vai encontrar com o marido, deixa filha e babá sozinhas.
            “Durma Bem” tem um filtro de cor que acentua o tom da noite, da escuridão e da tensão que é estabelecida logo que a babá e a menina ficam sozinhas na casa. A tonalidade azul escura transmite a sensação de isolamento e medo. A atmosfera pesada e densa se acentua mais ainda quando Sara encontra um boneco de palhaço muito esquisito.

         O uso da câmera subjetiva, logo que Sara cobre o palhaço, aumenta ainda mais o clima de mistério e o horror que ronda a babá e a criança. A trilha sonora com uma chuva incessante e vibrações de suspense, ajudam muito na imersão do espectador no universo misterioso e onde o perigo está à espreita.

             Após colocar a menina para dormir, Sara ainda sente que algo estranho acontece dentro da casa. E, após um telefonema para a Senhora Castro, mãe da menina, o terror é plenamente estabelecido.

         Bruna Brito, que interpreta a protagonista Sara, tem uma atuação impecável, conseguindo encarnar muito bem todos os sentimentos de acordo com o que o ambiente exige. O elenco ainda conta com Júlia França, Angela Valentin e Max Moreira.

         “Durma Bem” tem elementos técnicos muito bem explorados pelo diretor Weslei Mata, que também é responsável pelo roteiro e montagem. Ele consegue reunir fotografia e trilha sonora de forma muito eficiente, causando a curiosidade e o medo em relação ao boneco encontrado por Sara. Suenya Generoso, responsável pela fotografia, executa um trabalho primoroso, aproveitando cada detalhe que aumenta a intensidade da imersão do espectador com a trama e com os personagens.

         “Durma Bem” é um Terror inquietante e perturbador. A forma como o filme se desenvolve e finaliza, faz dele uma ótima opção para os fãs de Terror, Suspense e Mistério.




        

sábado, 7 de dezembro de 2024

O SINO DE MONTEBELLO (2016)

 

O curta-metragem dirigido por Fernando Ferreira Garróz é baseado na crônica “O Sino de Natal”, publicado em 1951 e escrito por R. F. Lucchetti.

Apesar de ter o Natal como pano de fundo, o tom sombrio e a narração bem elaborada ditam o ritmo sombrio e obscuro da Animação, que tem ainda a adaptação, roteiro, produção e a própria locução de Fernando Ferreira Garróz.

O personagem-narrador revela a sua história de ferreiro e a produção do sino da igreja de Montebello. O personagem relata sobre como o espírito do Natal altera a vida na comunidade, com festividades, presentes, encontros, reencontros e os presentes que marcam a data e trazem alegria para muitas pessoas.

O insistente badalar do sino faz o ferreiro lembrar de sua amada Gina. Porém, a ligação de Gina com o sino é tenebrosa, arrepiante e apavorante. A trama envolve tudo num contexto mórbido e aterrorizante.

“O Sino de Montebello” se destaca pela capacidade de imergir o espectador na história, se envolvendo com as cenas de caridade, festividade e com o sinistro badalar do sino. O excelente trabalho de locução, som e trilha sonora compõem o clima denso, pesado e intrigante de Montebello. A voz marcante do narrador dá ainda mais força para a trama.

A lembrança de Gina, traz as memórias mais importantes da vida do ferreiro, mas também deixa explícito que as memórias fazem parte de um passado e que não tem mais volta.

“O Sino de Montebello” tem uma narrativa meticulosamente construída, fazendo com que o espectador se aprofunde na mente do ferreiro e ouça cada palavra como parte de um pensamento conjunto. A união da fotografia e da trilha sonora, juntamente com a arte, conseguem, de forma monumental criar essa ligação entre personagem e público. E tudo isso torna “O Sino de Montebello” surpreendente e genial.

O curta tem um ar sombrio e incômodo. E esse é um dos grandes méritos da fotografia e da competente equipe de animação, que conta com Marcos Spineli, Arthur F. Padua e Guilherme Guidetti.

“O Sino de Montebello” é curta de Animação, mas que aborda os gêneros Suspense, Mistério e Terror em suas formas mais cruas, sinistras e pavorosas.



quinta-feira, 5 de dezembro de 2024

DIVERSÕES SOLITÁRIAS (1983)

           “Diversões Solitárias” apresenta um jovem que, de patins e de walkman, percorre por vários pontos da cidade de São Paulo, transitando entre várias pessoas e vendo muitas coisas em meio ao caos e ao barulho da metrópole.



           Luiz Nascimento interpreta o protagonista, que é muito mais do que apenas um jovem que transita pelas ruas, cruzando com as pessoas e deixando de as ouvir devido à música que escuta através do fone de ouvido. Entre o personagem que se prepara para sair e o que retorna para casa, há muitas camadas sobre ele, que servem para se refletir.

         Mesmo estando num lugar movimentado, com pessoas que procuram interagir, o universo do personagem não é o mesmo da maioria das pessoas. O seu mundo é diferente, fazendo com que ele seja diferente, pense diferente e deseje coisas diferentes. Por mais que a cidade insista em igualar as pessoas como meras peças de um imenso quebra-cabeças, as pessoas são únicas, com suas personalidades e identidades.

         O filme tem uma carga dramática bastante impactante pela forma como o protagonista se relaciona. Apesar de ser um filme lançado em 1983, incrivelmente, ele consegue dialogar com a realidade atual, demonstrando o quão difícil é estabelecer e manter vínculos. O isolamento e a solidão não é um mal dos nossos tempos; ele parece estar impregnado na sociedade, criando universos próprios onde muitas pessoas se satisfazem sozinhas.



         “Diversões Solitárias” é um Drama produzido com muita profundidade. O diretor Wilson Barros, que também é o responsável pelo roteiro, extrai o máximo do que o texto tem a oferecer. E os elementos técnicos de produção, como trilha sonora, fotografia e arte, constroem com muita precisão o mundo do protagonista e como ele lida com as suas ambições, prazeres e pensamentos.

         “Diversões Solitárias” é um filme que explora o emocional e o psicológico de uma forma sensível, profunda, pontuando que a complexidade da mente humana não é algo programado ou pré-definido, mas algo que é inerente ao temperamento e personalidade de cada um.




terça-feira, 3 de dezembro de 2024

A COISA NA FLORESTA (2020)

 

Com apenas 4 minutos de duração, “A Coisa na Floresta” é extremamente imersivo e assustador. A produção utiliza de forma muito eficiente elementos simples, mas com uma qualidade gigante por parte de Jeziel Bueno, que, além da direção, é responsável pelo roteiro, produção, trilha sonora, fotografia e arte.

Jeziel demonstra toda a sua competência para criar um clima denso, pesado e totalmente perturbador. O que era para ser apenas uma brincadeira se torna num pesadelo sem volta.

“A Coisa na Floresta” tem seu início quando uma garotinha encontra outra que brinca com uma boneca numa praça. Cada uma com uma boneca, elas iniciam uma interação e logo decidem adentrar para uma floresta próxima.

Sem diálogos audíveis, as duas garotas caminham em meio a mata e o trabalho de som é fundamental para criar o ambiente de perigo. Os sons do vento e dos passos na mata transmitem o realismo e também o perigo que se aproxima.

Logo, a garota que foi convencida a entrar na mata se vê em grande perigo, quando encontram com um homem, próximo a um prédio velho e abandonado. A esquisitice do personagem é tão grande quanto a ameaça que ele representa.

A atmosfera sobrenatural do curta, nos faz pensar sobre os personagens em si, e em como e por que agem daquela forma. O que sabemos é que são personagens assustadores e que estão à espreita para fazer mais vítimas. O filme conta com as atuações de Lara Cristina, Larissa Xavier, Milton Toledo e Rebeka Sousa.

“A Coisa na Floresta” tem ótimos elementos narrativos e dramáticos. Os elementos técnicos da produção potencializam o texto, fazendo desse curta mais um excelente filme de Terror e Suspense na carreira de Jeziel Bueno, que é um dos grandes nomes do Terror nacional.




segunda-feira, 2 de dezembro de 2024

DEPOIS DO FIM DO MUNDO (2011)


“Depois do Fim do Mundo” é um trabalho de conclusão de curso da UEMG em 2010, com produção, roteiro e direção de Flávio R. Moura e orientação de Leonardo Dutra.

Mesclando os gêneros Ficção Científica e Comédia, a Animação em curta-metragem narra a rotina de dois mercenários que vivem num mundo pós-apocalipse zumbi e que estão em meio a mais um trabalho.

“Depois do Fim do Mundo” é um filme cativante, divertido e muito bem produzido. O filme tem qualidades técnicas, narrativas e dramáticas extremamente eficientes. O texto é excelente, resultando em um contexto que atrai a curiosidade do espectador e em personagens que é impossível não simpatizar.

A dupla de mercenários tem as vozes de Affonso Amajones, como o Escocês, e Nelson Machado como o alienígena Kroax. O elenco conta ainda com a voz de Mauro Castro.

“Depois do Fim do Mundo” impressiona pela fluidez narrativa e dramática, com diálogos ácidos cheios de referências. A conversa dos protagonistas vai desde nomes de filmes do Arnold Schwarzenegger e Sylvester Stallone, até os tipos de zumbis existentes. Em meio ao bate-papo dos personagens, ainda há também referências à cultura nerd, alguns elementos “tarantinescos” e um easter egg surpresa que surpreende muito.

O curta de Flávio R. Moura é uma animação adulta extremamente competente, com uma fusão perfeita entre forma, conteúdo e essência, com um arco dramático bem estruturado que prende a atenção do espectador. À medida que a história se desenvolve, a tensão cresce de maneira gradual, intercalada por momentos de humor ácido e ironia, trazendo à tona questões existenciais em um cenário de apocalipse zumbi. A estética visual é outro ponto de destaque, misturando elementos da cultura pop e referências cinematográficas de forma habilidosa, o que contribui para uma atmosfera única. O tom sarcástico da trama, reforça o ritmo leve, cômico e dinâmico da narrativa.

No decorrer da história, a interação entre os protagonistas revela camadas mais profundas sobre o que significa sobreviver em um mundo devastado, questionando até onde vai a humanidade em situações extremas. Ao misturar ação, diálogos afiados e nostalgia, "Depois do Fim do Mundo" consegue criar uma obra que transcende o gênero de Animação e proporciona uma deliciosa e divertida experiência. 




GARBO (2020)

  O curta-metragem "Garbo", com roteiro e direção de Mateus Armas e Marília Mortican, apresenta uma narrativa instigante e inquiet...