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segunda-feira, 29 de setembro de 2025

NÁUSEA (2019)

 


O curta-metragem de terror "Náusea", dirigido e roteirizado por Thomas Webber, é uma verdadeira obra de intensidade, horror e mistério. Com uma narrativa envolvente e angustiante, o filme nos leva ao sombrio universo de Ana, uma jovem mulher atormentada por pesadelos e alucinações que, pouco a pouco, revelam um trauma profundamente enraizado. "Náusea" vai além de um simples filme de Terror psicológico; ele se destaca pela maneira como explora o surrealismo que habita a mente da protagonista, criando uma atmosfera de tensão constante, onde realidade e delírio se entrelaçam de forma indistinguível.

Ana é uma personagem que carrega em si o peso de um passado doloroso, mas, como tantas vítimas de traumas, luta para lidar com suas lembranças perturbadoras. A mãe de Ana, interpretada por Ana Paula Taques, parece ciente de algo, mas prefere manter o silêncio, evitando confrontar o que há de mais sombrio em sua filha e, talvez, em si mesma. Essa escolha narrativa mantém o espectador em suspense, pois o filme se recusa a revelar, de imediato, o segredo que atormenta as duas personagens. Essa dinâmica entre mãe e filha adiciona uma camada de mistério ao enredo, fazendo com que o público se questione não apenas sobre o passado de Ana, mas também sobre o que a mãe estaria preferindo ignorar.

A atmosfera de "Náusea" é sufocante e imersiva, construída com maestria pela direção de fotografia, que desempenha um papel crucial na criação do ambiente. A fotografia ajuda a transmitir o estado emocional e psicológico deteriorado da protagonista, utilizando sombras, tons escuros e composições visuais perturbadoras para refletir o caos interno de Ana. A trilha sonora, por sua vez, complementa essa imersão, com sons que intensificam a sensação de angústia e paranoia, fazendo com que o espectador mergulhe ainda mais profundamente na mente da personagem.

O roteiro de Webber é eficiente ao fornecer informações de maneira gradual, criando uma tensão crescente à medida que detalhes sobre o passado de Ana são revelados. Esse ritmo lento, porém constante, mantém o espectador intrigado, ansioso para entender o que desencadeou os pesadelos e alucinações da protagonista. Embora, em muitos momentos, Ana pareça apenas uma adolescente comum, seu sofrimento silencioso revela a profundidade de seu trauma. Ela vive em um universo mental obscuro, sufocante e permeado por visões terríveis, e o filme faz questão de nos fazer sentir essa sensação.

A atuação de Larissa Merlo como Ana é um dos pontos altos de "Náusea". Ela entrega uma atuação comovente e poderosa, capturando de maneira precisa o tormento psicológico e emocional que a personagem enfrenta. Seu olhar vazio e expressões contidas comunicam mais do que palavras poderiam, deixando claro o turbilhão de sentimentos que ela tenta, em vão, controlar. Ao lado de Merlo, Ana Paula Taques, principalmente, e Helder Clayton (no papel do pai) oferecem suporte sólido para construir a complexidade emocional que permeia o filme.

Um dos aspectos mais marcantes de "Náusea" é o uso simbólico dos insetos ao longo da trama. Eles surgem como uma metáfora poderosa para o estado emocional de Ana, representando a invasão constante de lembranças e traumas que ela não consegue afastar. Associados à decomposição e à sujeira, os insetos refletem o colapso psicológico da protagonista, à medida que suas memórias se tornam insuportáveis e sua mente começa a se fragmentar. As visões desses insetos, seja em seus pesadelos ou no ambiente ao seu redor, aumentam a sensação de desconforto e repulsa, reforçando a ideia de que algo está irremediavelmente corrompido em seu psicológico.

Além da riqueza simbólica, "Náusea" brilha nos aspectos técnicos, como fotografia, trilha sonora, direção de arte e maquiagem, que colaboram para criar uma experiência visualmente impactante e emocionalmente angustiante. Cada detalhe, desde o uso das sombras até o design dos ambientes, contribui para intensificar a sensação de isolamento e horror psicológico que define o filme e a protagonista.

Em resumo, "Náusea" é um curta-metragem impressionante que mergulha profundamente nas águas turvas do trauma e do terror psicológico. A combinação de uma atmosfera opressiva, uma narrativa misteriosa e atuações marcantes faz deste filme uma experiência imperdível para os fãs de Terror que buscam algo mais do que apenas sustos convencionais do gênero.




domingo, 9 de março de 2025

LARVAE (2015)





Em uma isolada e pacata propriedade rural, um agricultor começa a ser atormentado por um zumbido incessante e dores intensas em seu ouvido. À medida que o incômodo cresce, ele decide investigar o problema por conta própria e descobre uma larva que havia se alojado em seu ouvido. Acreditando que teria resolvido a questão, ele se tranquiliza momentaneamente. No entanto, as dores e o zumbido retornam de forma ainda mais intensa, levando-o a procurar um médico. Após a consulta, o diagnóstico é tão assustador quanto a situação: uma mosca havia entrado em seu ouvido e depositado uma quantidade significativa de ovos. O médico retira diversas larvas, mas mesmo com a intervenção, o agricultor descobre que a solução definitiva para seu problema exigiria uma consulta com um especialista, algo que poderia levar muito tempo. Com o tormento aumentando e a espera se tornando insuportável, o protagonista começa a perder o controle sobre si mesmo, culminando em uma atitude desesperada e insana que encerra o filme de maneira perturbadora.

O curta-metragem "Larvae", dirigido e roteirizado por Felipe M. Guerra, é uma obra de Terror que se destaca pela combinação eficiente de elementos dos subgêneros Trash e Gore. Desde o início, o filme se propõe a mergulhar o espectador na experiência agoniante do protagonista, utilizando recursos visuais e sonoros que intensificam o desconforto. A estética visual é construída com grande competência através do uso de efeitos práticos, que criam uma atmosfera grotesca e visceral. O espectador é confrontado com cenas gráficas e explícitas, que exibem o sofrimento físico do personagem com uma crueza impressionante. O sangue, as larvas e o constante foco no ouvido do protagonista são elementos que reforçam a tensão, aproximando o público do terror que o personagem vive.

A direção de Felipe M. Guerra demonstra uma habilidade ímpar em orquestrar o desconforto, criando uma crescente de angústia ao longo da trama. A escolha de planos e ângulos de câmera é essencial para essa construção. No início do curta, prevalecem ângulos mais abertos, que contextualizam o ambiente rural e a rotina solitária do agricultor. Contudo, conforme o tormento avança, a câmera se aproxima do protagonista, com planos fechados e invasivos que amplificam a dor e a sensação de perturbação do personagem. Essa transição é acompanhada por uma trilha sonora cuidadosamente construída para evocar tensão e desconforto. Os sons perturbadores, como o zumbido no ouvido e o barulho das larvas, são trabalhados de forma a intensificar a angústia do espectador, criando uma imersão sensorial que vai além do visual.

Além dos aspectos técnicos, é necessário destacar o trabalho do elenco, que contribui significativamente para o impacto dramático de "Larvae". Renoaldo Pavan, que interpreta o agricultor protagonista, oferece uma atuação impressionante. Sem muitos diálogos, ele transmite a crescente agonia de seu personagem através de expressões faciais e corporais. A forma como o medo, o desespero e a loucura vão se apoderando dele ao longo da narrativa é um dos pontos altos do filme. O elenco coadjuvante, composto por José Carlos Ribeiro e Oldina do Monte, também entrega performances convincentes, reforçando a veracidade das interações e elevando o nível da produção.

O roteiro de Felipe M. Guerra é outro fator de destaque. Embora a premissa de uma infestação de larvas no ouvido seja, por si só, uma ideia perturbadora, o desenvolvimento da trama vai além do terror físico, abordando também o impacto psicológico do sofrimento prolongado e da espera por uma solução. A narrativa explora como a dor constante pode levar uma pessoa à beira da insanidade, tornando o protagonista vulnerável a atos extremos. O filme não oferece um alívio fácil para o espectador; ao contrário, ele mantém a tensão até o final, culminando em uma resolução brutal e chocante.

A fotografia desempenha um papel crucial na construção do clima do filme. Com um cuidado estético, combinado com a direção de arte detalhada, cria uma atmosfera opressiva que é mantida do início ao fim.

Outro ponto que merece ser ressaltado é o uso do som em "Larvae". O design sonoro do filme é tão importante quanto os elementos visuais. Os zumbidos, o barulho das larvas e os sons ambientes são usados de forma estratégica para amplificar o horror e criar uma experiência sensorial completa. É uma obra que explora o desconforto de maneira minuciosa, fazendo com que o espectador sinta fisicamente o tormento vivido pelo protagonista.

A sequência final de "Larvae" é, sem dúvida, um dos momentos mais impactantes do filme. Incapaz de suportar a dor e o tormento mental, o protagonista toma uma decisão desesperada que culmina em um ato de surpreendente. O desfecho é brutal e não oferece qualquer tipo de resolução confortável, deixando o espectador atordoado e reflexivo. A escolha de encerrar o filme dessa forma é ousada e reforça a natureza perturbadora do curta, tornando-o uma obra que não é recomendada para espectadores sensíveis, especialmente aqueles que podem ser afetados por temas de autolesão e desespero.

"Larvae" é uma obra de Terror que se destaca pela sua ousadia e pela capacidade de gerar desconforto genuíno. Com uma trama simples, mas muito bem executada, o curta-metragem utiliza os elementos clássicos do Gore e do Trash para construir uma experiência visceral, onde os aspectos técnicos, como a direção de arte, os efeitos práticos e o design de som, trabalham em perfeita harmonia para criar uma atmosfera de horror intenso. O resultado é um filme perturbador, que deixa uma forte impressão e é especialmente recomendado para os fãs do gênero que apreciam obras carregadas de tensão e brutalidade visual. "Larvae" é uma experiência única dentro do Terror Trash e Gore, e merece ser destacado pela qualidade com que entrega seu impacto dramático e sua originalidade.   



   

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2025

ENCOSTO (2013)








“Encosto” é um curta que mescla os gêneros de Terror e Suspense, envolvendo um ritual proibido realizado por um homem e as pavorosas consequências que o afligem.

         Joel Caetano, que dirige, roteiriza e atua, já não é uma promessa, mas uma realidade no Terror nacional, com uma qualidade indiscutível na arte de impactar e amedrontar o espectador. “Encosto” é mais uma obra na carreira desse talentosíssimo profissional.

         “Encosto” é um filme onde os elementos técnicos, como fotografia, trilha sonora e arte, atuam de forma altamente eficiente, colocando quem assiste junto do protagonista e experimentando as perturbações dele. Ora com um plano mais aberto e com sons mais distantes, ora com super closes e um som atordoante, a narrativa se constrói de maneira a intensificar a conexão do público com as aflições do protagonista.

          O filme tem, desde o seu início até a sua conclusão, uma atmosfera densa, pesada e extremamente perturbadora. A maquiagem de efeitos, de Rodrigo Aragão, dá ainda mais vida e pavor à realidade do protagonista e investindo pesado no horror gráfico.

         “Encosto” trabalha com a premissa da invocação de uma entidade que não deveria ser invocada. O filme transmite a reflexão sobre “desejar tudo a qualquer custo” e as consequências que uma ação pode causar na vida de alguém. Se a entidade invocada tem um preço, ela irá cobrar esse preço, mais cedo ou mais tarde. E o protagonista não escapa dessa cobrança. Ir para casa e encontrar silêncio e tranquilidade é apenas uma ilusão temporária.

     “Encosto” explora o horror gráfico do sobrenatural, mas também mergulha fundo no thriller psicológico. Os pedidos do protagonista para que a entidade o deixe em paz são em vão. E tudo o que já está ruim, sempre pode piorar.

         O curta de Joel Caetano tem uma estrutura narrativa coesa e um arco dramático muito bem elaborado. Todos os elementos técnicos de produção funcionam de forma harmônica e perfeita, tendo como resultado um filme de Terror maduro e incrivelmente sinistro, aterrorizante e surpreendente.  




terça-feira, 18 de fevereiro de 2025

JUVENÍLIA (1994)







Antes de qualquer coisa, é preciso alertar que “Juvenília” é um filme extremamente forte e pesado, não sendo indicado para pessoas sensíveis. Muito provavelmente, este é um dos curtas de Terror mais chocantes, nem tanto pela forma, mas pelo conteúdo violentamente perturbador.

         O diretor e roteirista Paulo Sacramento apresenta uma narrativa através de uma exposição de fotos que conduzem a trama. As primeiras imagens mostram um bairro tranquilo, de médio padrão e ruas largas. Logo, os personagens surgem em cena. Eles são interpretados por Christian Saghaard, Paolo Gregori, Vitor Ângelo e Sônia Marmo. À toa, andam pelo bairro, até que encontram um cachorro. Eles, então, decidem por uma sessão de tortura e assassinato do animal.

         Essa sequência de cenas é muito perturbadora, pois o sadismo domina o ânimo dos jovens. Enquanto as imagens mostram as primeiras agressões até a abertura do ventre do cachorro já morto, os jovens riem e se divertem.

          A polêmica que gira em torno do filme de Paulo Sacramento se dá pela violência contra um animal indefeso; e essa realmente é a ideia do filme. Porém, é necessário explicar que o cachorro usado nas filmagens já estava morto.

         O local onde os realizadores conseguiram o cão é um canil, onde animais são recolhidos. Se ninguém procurar pelo animal num prazo de três dias, o mesmo é sacrificado. A equipe de Paulo Sacramento solicitou um desses animais recém sacrificados. Portanto, o cachorro filmado para o curta já estava morto.

         “Juvenília” é um filme de violência extrema, que incomoda demais, mesmo com um animal morto. Se outros filmes de ficção, apresentam cenas violentas de tortura com humanos ou assassinatos de crianças, a obra de Paulo Sacramento soa muito mais violenta por se tratar de um semidocumentário. Jovens entediados caminham pelas ruas do bairro, até encontrarem algo que lhes dê satisfação: torturar e matar um cachorro.

         Num país onde, infelizmente, muitos já se acostumaram com a violência periférica e negra, é chocante ver jovens brancos e de classe média cometendo um crime tão hediondo. A proposta do filme é abordar essas contradições. Por que a violência distante da nossa realidade não perturba tanto quanto a que é cometida pelos jovens do filme? Infelizmente, houve uma naturalização da violência contra crianças, jovens e adultos negros periféricos. O maior impacto do filme de Sacramente se dá, justamente pelo fato dos envolvidos não serem jovens pobres, negros e de periferia. Os personagens não são jovens, envolvidos com criminalidade, e que podem matar ou morrer a qualquer instante. O diretor-roteirista força o espectador a questionar que violência é violência, não importa quem é o autor ou a vítima. O filme propõe uma reflexão muito maior do que é mostrada em tela.

          “Juvenília” é um filme chocante, até para quem tem estômago. O curta é um Terror Gore extremamente perturbador. O filme vai além da trama de jovens que decidem matar um cachorro. O filme explora a maldade, o sadismo e o quão mau muitas pessoas podem ser. O Terror de Paulo Sacramento em “Juvenília” não tem nada de sobrenatural, ou Slasher, ou Thriller. É um Terror que se aproxima muito do real, e isso é motivo para se temer.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2025

VINIL VERDE (2004)








Dirigido por Kleber Mendonça Filho e escrito por ele, em parceria com Bohdana Smyrnov. O filme é uma livre adaptação de uma fábula infantil russa intitulada “Luvas Verdes”. A trama se desenrola quando Mãe dá a Filha uma caixa com vários disquinhos coloridos. Ele pode ouvir todos, exceto o disco verde.

         Montado a partir de fotografias 35mm e com uma narrativa inventiva e surreal, o curta tem uma atmosfera perturbadora e sinistra. Com esse estilo narrativo e com uma direção de arte extremamente eficiente, “Vinil Verde” trabalha de forma macabra com temas como desobediência e castigo, causa e efeito.

         O filme conta com as atuações de Verônica Alves, no papel da mãe, e Gabriela Souza, no papel da filha. O enredo flui com a intensa narração de Ivan Soares, que dá um toque poético a essa história de suspense e horror.

          Filha é uma personagem complexa. Estando num estágio transitório da infância para a adolescência, ela continua a desobedecer a Mãe, mesmo com os estragos que o vinil verde é capaz de fazer. A narrativa tem uma tensão constante. E se aprofunda mais a cada vez que a menina escuta o disco, independente das consequências que atingem a mãe. Essa fase de transição etária e egoísmo por parte da filha é perceptível se compararmos a personagem no início e no final do filme. O aspecto infantil dá lugar a uma jovem adolescente. E o filme demonstra que essa quase mulher pode ser perigosa para qualquer outra pessoa.

          Muito perto da morte e, diante do pedido da mãe para que a filha não use luvas verdes, a jovem decide ir contra a mãe. As músicas de Silvério Pessoa, que acompanham o curta, ajudam a criar a atmosfera de estranheza e perturbação. E essa atmosfera não é algo que está somente no meio externo; antes fosse. Essa atmosfera dá significado à personalidade e temperamento da filha.  Indiferente ao sofrimento da mãe, essa criança logo será uma adulta que, muito provavelmente, será capaz de fazer qualquer coisa para conseguir o que quer.

         Kleber Mendonça Filho utiliza muito bem os elementos técnicos e narrativos para construir uma obra densa, sinistra e profundamente perturbadora. A fotografia e montagem são providenciais para a criação de um filme marcante e, ao mesmo tempo, horripilante.

         Rico em metáforas e simbolismos, “Vinil Verde” tem várias interpretações e mensagens que vão desde a perda da inocência, à curiosidade pelo desconhecido, o gosto pelo proibido e as consequências de nossas escolhas.




quinta-feira, 13 de fevereiro de 2025

MEMÓRIA MORTA (2006)

 






Ao viver o luto da perda de sua esposa, Victor encara uma realidade perturbadora, onde sua sanidade é posta em prova. Em meio a memórias fragmentadas e a não aceitação da morte de Clara, Victor sobrevive num mundo onde realidade, lembranças e alucinações se misturam.

         “Memória Morta” é um Suspense sobrenatural extremamente perturbador. O filme tem uma narrativa não linear, onde a trama vai e volta, conforme as lembranças e visões do protagonista. Afundado na aflição e tristeza, Victor persegue Clara, mesclando confusão mental e um estado emocional devastador.

         O curta toca em elementos que podem ser gatilhos para certos espectadores, portanto, o tema de colocar um fim à própria vida, precisa ser destacado na crítica. E esse o motor da trama. O que levou Clara ao ato extremo? Seriam os sentimentos de Victor resultados somente da perda ou ele também carregaria a culpa?  

            Fato é que o diretor Dácio Pinheiro explorou ao máximo o texto, culminando com uma obra sinistra, macabra e perturbadora. A mistura de realidade, alucinações e visões de Victor são intensificados pelos elementos técnicos utilizados, tanto na fotografia, na arte e na trilha sonora.

         A fotografia alterna entre planos e ângulos abertos e fechados, aumentando a afinidade do espectador com o protagonista. O uso da câmera subjetiva, em alguns momentos, também contribui para a imersão na confusão mental de Victor.

         Outro ponto forte do filme é a trilha sonora perturbadora. As distorções de sons elevam a experiência a um nível de incômodo que liga fortemente espectador e realidade do personagem, mesmo que essa realidade seja torta e distorcida devido à forma como Victor lida com o mundo pós-Clara.

         A presença de Clara, sinistra e perturbadora, dá um toque sobrenatural especial e é uma delícia a forma como a equipe criativa cria os novos vínculos entre marido e esposa. “Memória Morta” é uma obra perfeita para quem curte filmes com conteúdos bizarros e intrigantes. Afinal, a entrega de Victor para Clara é um ato de desespero. Neste ponto, é muito importante destacar as atuações de Ricardo Ramory e Geanine Marques, que mesmo sem diálogos, transmitem com exatidão os sentimentos dos personagens; Victor, com suas dores e culpas, e Clara, com o desejo de ter o marido ao seu lado, na eternidade da morte.

                 Com roteiro de Rhady Nascimento e Dácio Pinheiro, “Memória Morta” é eficiente em inserir Clara de forma assustadora na trama. E a forma como ela aparece na trama é muito interessante, porque os realizadores, em nenhum momento, sinalizam se ela é um espírito vingativo ou somente alucinações de uma mente perturbada.

         “Memória Morta” é um ótimo filme de Suspense, com uma atmosfera densa, pesada e aterrorizante. O filme mantém um grau de tensão muito alto e que culmina num final avassalador.




quarta-feira, 22 de janeiro de 2025

O PEREGRINO DE CATABRANCA (2018)


        







Baseado em “A Pata do Macaco”, de W.W. Jacobs, o curta, com roteiro e direção de Leonardo Rolla, apresenta um casal que vive num local isolado. Através de um viajante que passou pelo local, eles recebem uma caixa contendo três ovos mágicos, capaz de realizar seus desejos.

         “O Peregrino de Catabranca” tem atuações geniais de Doró Cross, Edmilson Cordeiro, que interpretam o casal e que se veem nos ovos possibilidades de resolverem alguns de seus problemas. O filme conta ainda com a participação de Carlos Eduardo Valente, que está na pele de um padre local e tem a difícil missão de comunicar sobre o atropelamento e morte do único filho do casal.

         Embora, “O Peregrino de Catabranca” seja um filme de Suspense e Terror, ele aborda de forma muito forte a questão do luto e do estado de negação diante da morte. Podendo recorrer a dois ovos restantes, o casal passa por um turbilhão emocional sobre trazer ou não o filho de volta ao mundo dos vivos. O drama psicológico envolvido carrega um peso enorme, e os realizadores acertam em cheio na escolha de ambientes escuros, com atmosfera densa e pesada, que reflete o estado mental e emocional dos personagens diante da tristeza e do luto.

         O curta conta com um trabalho primoroso da equipe de som na trilha sonora, com sons intrigantes e misteriosos, o que deixa o clima ainda mais carregado, principalmente no terceiro ato e na resolução final.

         O ambiente fechado e escuro, com alguns pontos clareados por velas, transmite a sensação de isolamento físico, mas também mental, diante da perda e do perigo que os personagens sofrem, ainda mais após o segundo ovo ser quebrado, com a intenção da volta do filho morto. Neste ponto, o filme tem um nível elevado de tensão, com uma mistura de sons que confundem. Além dos estalos da lenha que queima, há sons que podem indicar que o filho está de volta. Essa confusão de sons leva o espectador a altos níveis de curiosidade, suspense e medo.

         “O Peregrino de Catabranca” tem uma direção de arte extremamente eficiente em criar o ambiente onde o casal vive, com o rústico se destacando em meio à pobreza do casal. Além da qualidade narrativa, o curta tem elementos técnicos utilizados de forma perfeita, causando vários tipos de sentimentos no espectador. O Terror de “O Peregrino de Catabranca” é sensorial, levando quem assiste para dentro daquela realidade, sem mostrar exatamente, mas sugerindo, como o mal pode chegar até a residência do casal e como aquilo pode representar a destruição deles.




segunda-feira, 13 de janeiro de 2025

BOO.MP4 (2018)









O curta, com roteiro e direção de Jefferson Mendes, mescla de forma muito competente os gêneros de Suspense, Mistério e Terror com ótimas doses de bizarrice e estranheza.

O texto de “Boo.mp4” apresenta um homem, de forma cuidadosa e lenta. A lentidão ajuda para que a construção do personagem seja muito bem estabelecida. Ela também ajuda a contextualizar a mente perturbada e pervertida do personagem. Há um grande acerto da fotografia em manter a escolha do found footage, justamente por transmitir muito mais realismo. Outro acerto foi da trilha sonora em manter o realismo é som ambiente natural.

Depois que já sabemos o suficiente do homem, aí então, conhecemos o ambiente externo e uma criança que brinca sozinha num parque. A figura da criança é tão bizarra quanto o homem, e isso também foi um grande acerto dos realizadores.

Interpretados por Evill Rebouças e Rafaela Caciolatto, os dois personagens estabelecem um jogo de pega-pega, onde reina a curiosidade, porque, apesar de já sabermos sobre a personalidade do homem, não sabemos nada sobre a criança que usa uma máscara e roupas esquisitas. O elemento bizarro faz toda a diferença em “Boo.mp4”. Entre risadas da personagem infantil e a introdução do som de suspense, a tensão e a atmosfera do curta começam a mudar. Nesse ponto, o espectador já tem uma ideia de que alguém vai se dar mal. Basta saber, quem e como.

“Boo.mp4” tem elementos narrativos executados com muita precisão, que ditam o ritmo do filme de forma cadenciada e que eleva o ritmo quando algumas revelações são feitas. A direção de arte, figurino e maquiagem mostra muita criatividade e competência, com pontos perturbadores, assustadores e surpreendentes.

“Boo.mp4” foge dos padrões e esse é o diferencial do filme. Ao se jogar no bizarro e no desconhecido, o filme se permite ousar. E essa ousadia é um elemento crucial na produção do curta. A introdução de elementos, de forma gradual, faz crescer as dúvidas e incertezas sobre a criança. E a revelação de sua função dispensa explicações didáticas. Digamos que ela é uma pedra muito bem colocada no sapato do homem.

“Boo.mp4” tem uma resolução final espetacular, tanto pela narrativa, quanto pela forma como a personagem infantil é mostrada. O curta tem tudo o que um fã de Terror curte, com muita tensão, surpresas e medo.




sábado, 11 de janeiro de 2025

LUA DE SANGUE 2 (2024)

 

Três amigos se reúnem para comemorar a noite de Natal. Em meio à festividade, relembram um fato ocorrido há um ano: o assassinato de três amigos, realizado por um serial killer conhecido como o Ceifador Mascarado. Um sobrevivente da chacina conseguiu sobreviver e, o grupo de comemora o Natal não tem ideia do perigo que correm, por haver uma ligação entre um deles e o sobrevivente do ataque do Ceifador Mascarado.
        
            O curta “Lua de Sangue 2” é um filme que mescla os gêneros Suspense, Terror e Slasher. A trama é bem conduzida pelo diretor-roteirista Artur Garnetti, tendo boas atuações de Grazielly Oliveira, Luiza Monteiro e Victor Andrew.

        O medo dos protagonistas, ao se lembrarem do evento do ano anterior, terminar por se tornar real quando o assassino surge para concluir o que não havia conseguido: matar o sobrevivente da chacina. O curta tem um clima de tensão alto quando o serial killer invade a casa, fazendo os três jovens como reféns e iniciando um jogo de horror com eles.

         “Lua de Sangue 2” tem ótimos elementos narrativos, dramáticos e técnicos, fazendo do curta uma ótima opção para quem curte o subgênero Slasher, onde tudo corre num misto de pavor, horror e tensão. A narrativa é fluida e o filme tem uma resolução final bastante interessante.




sexta-feira, 27 de dezembro de 2024

COLEÇÃO DE HUMANOS MORTOS (2005)

 


          O curta, com roteiro, direção e montagem de Fernando Rick, apresenta a mente perturbada de um maníaco e as suas ações violentas e cruéis. Inspirado em alguns clássicos do Terror da década de 70, “Coleção de Humanos Mortos” é um curta extremo, com cenas fortes, muito sangue e sadismo.

         Alexandre, interpretado por Ulisses Granados, dá vida ao psicótico que comete crimes horrendos e acumulando vítimas através de sua loucura e violência.

         “Coleção de Humanos Mortos” é um Terror Trash Slasher e com muitos elementos do Gore. O filme é extremamente violento, mas tem todos os pontos para quem é fã do gênero e subgêneros.

         A construção do complexo protagonista da história é muito bem desenvolvida, assim como o seu universo físico e psicológico. De forma muito eficiente, Fernando Rick encaixa alguns personagens importantíssimos que representam Prazer, Ódio e Loucura. Todos esses personagens incrementam a mente do maníaco, deixando a dúvida para o espectador sobre a natureza deles. Seriam apenas criações de uma mente doentia ou entidades sobrenaturais?

          Sendo criações ou não, são elas quem motivam muitas das ações do personagem, que já não bate bem das ideias. Com maquiagem e efeitos práticos perfeitos, “Coleção de Humanos Mortos” é um ótimo filme com um texto muito bem conduzido pelo diretor e onde todos os elementos técnicos funcionam muito bem. A trilha sonora é outro ponto alto do filme.

          Luciana Caruso, Tiara Cury, Marina Anloop, Luís Sorrentino, Fabio de Castro, Gurcius Gewdner, Fernando Moreno, e Didi Babinski compõem o elenco, com ótimas atuações e que dão veracidade no que vemos em tela. A direção de fotografia de Renato Tado e Rodrigo Terra e os efeitos visuais de André Kapel Furman, ajudam a criar um ambiente perturbador, com uma atmosfera densa e com personagens bizarros, estranhos e perigosos.

         “Coleção de Humanos Mortos” é uma obra de arte do Terror Trash nacional, com uma trama envolta em mistérios, personagens bem bolados, desenvolvimento e resolução final muito bem definidos. E o que não poderia faltar nesse tipo de produção e o curta tem, é muito sangue.




quarta-feira, 18 de dezembro de 2024

QUIROPTEROFOBIA (2009)

 

        O excelente curta de Terror, bebe da fonte dos subgêneros Trash e Gore, para apresentar uma história envolvente, inquietante e perturbadora.

         Com roteiro de Tiago Rezende e direção de Fernando Mantelli, “Quiropterofobia” tem em sua trama um casal de amantes que pega um taxi. Porém, logo o casal e o motorista se veem num verdadeiro pesadelo, quando são sequestrados e se tornam vítimas de um maníaco. Ali, presenciam todas as barbaridades que o sádico sequestrador é capaz, desde a forma como mata suas vítimas até beber o sangue delas.

         “Quiropterofobia” tem uma estrutura narrativa extremamente eficiente ao abordar a premissa de um transtorno psiquiátrico grave por parte do agressor e mesclar com elementos da literatura fantástica do Conde de Lautréamont, com trechos de sua obra “Os Cantos de Maldoror”.

         Com muita tortura e sangue, a trama, que se desenvolve em grande parte num cômodo sujo e aterrorizante, mostra a personalidade do maníaco e como cada um dos sequestrados reage. Cada um encarnado em seu personagem, Nélson Diniz, Aline Jones, Álvaro Rosacosta, Amanda Ogando e Marcos Verza mandam muito bem, com atuações maravilhosas.

            Um ponto forte é a trilha sonora que, em alguns momentos, apenas usa o som para sugerir aos personagens e espectador o que ocorre com outras vítimas no cômodo ao lado onde estão presos. “Quiropterofobia” tem fotografia e arte eficientes, que transmitem muito bem a atmosfera densa e pesada do local. E outro elemento técnico de destaque é a montagem.

         Gradualmente, a trama se desenvolve, primeiro nas tentativas desesperadas de fugir dali, até quando o jogo começa a virar e o maníaco percebe que sequestrou alguém que não deveria.

         “Quiropterofobia” é um Terror denso, com uma narrativa densa e pesada, sendo uma ótima opção para quem curte os subgêneros de Gore e Trash. A trama é muito bem conduzida e o final é extremamente surpreendente.




segunda-feira, 16 de dezembro de 2024

O MINHAEIRO (2019)

 


Com forte presença no imaginário popular nordestino, “O Minhaeiro” traz uma proposta muito interessante sobre as lendas, mistérios e maldições que envolvem as botijas. 

As histórias sobre a atmosfera sobrenatural que envolvem as botijas afirmam que os tesouros são guardados por entidades sobrenaturais ou espíritos dos antigos donos, que impõem maldições sobre qualquer pessoa que tente desenterrá-los sem o devido ritual. Essas botijas, que originalmente eram potes de barro utilizados para armazenar riquezas como moedas de ouro, prata ou joias, são temas recorrentes em histórias contadas em regiões como o sertão nordestino.

Em “O Minhaeiro” uma jovem garota desenterra uma botija e a equipe criativa do curta fez um trabalho nota 10 ao mesclar folclore nordestino com os gêneros cinematográficos de Terror, Suspense e Mistério.

Com um ótimo trabalho de fotografia e arte, o curta envolve o espectador rapidamente, logo que a botija é desenterrada e, aos poucos, algumas revelações são feitas. Tanto o desejo de riqueza fica evidente, quanto o desejo de se preservar o tesouro contido na botija. Vitória Vasconcelos e Carlinhos Duarte se complementam de forma perfeita em suas atuações e nas relações protagonista x antagonista.

A trilha sonora, deixa o ar ainda mais denso e pesado, tanto na música sinistra, quanto nos efeitos de sons da mata, do vento. Isso dá muito realismo à trama, imergindo quem assiste no ambiente escuro, misterioso e perigoso.

“O Minhaeiro” tem recursos técnicos, narrativos e dramáticos executados com muita competência. O roteiro, de Ricardo Bontese, é direto e reto, causando tensão durante todo o filme. A direção, de Vinícius Lins, com fluidez e precisão, constrói uma atmosfera de suspense crescente, intensificando a angústia à medida que a trama se desenrola e sem o uso de sustos aleatórios e desnecessários. A escolha de um suspense psicológico foi acertada. O uso de planos e enquadramentos que misturam os personagens à escuridão, somados a uma montagem dinâmica, reforça a tensão, enquanto a trilha sonora contribui para o clima sombrio, ampliando o impacto emocional das cenas.

“O Minhaeiro” é uma ótima opção para os fãs de Terror que curtem também lendas e maldições do folclore brasileiro. 


Assista o curta no perfil do diretor no Vimeo: https://vimeo.com/441658344


quinta-feira, 12 de dezembro de 2024

BOSQUE VERMELHO (2014)

 

“Bosque Vermelho” começa com imagens e narrações de um estranho temporal ocorrido na cidade de Londrina. Se concentrando em apenas um bosque da cidade de Londrina, enquanto os outros lugares estavam com céu azul e sol brilhante, a chuva criou um estranho evento sobrenatural, fazendo com quem estava dentro do bosque se tornasse uma ameaça para quem se atrevesse a entrar no local.

         O curta, com roteiro de Carlos Fofaun Fortes e Edu Reginato, e direção da dupla, juntamente com Adriano Gouvella, Clodoaldo de Almeida "Billy Monster", Danilo Hokama e Renato Lopes, tem uma narrativa coesa, que explora muito bem o efeito da tempestade paranormal, o despertar dos mortos-vivos e os ataques que ocorrem. A escolha da equipe de som e trilha sonora foi excelente ao mesclar músicas de Punk Rock, Metal e Death Metal em meio aos ataques e muito sangue.

      A trama ocorre com muitos elementos do Trash, mas também com muitas sacadas irônicas. Juntando as escolhas da trilha sonora, com uma narrativa fluida, fotografia eficiente e efeitos práticos muito bem encaixados e executados, “Bosque Vermelho” tem uma atmosfera macabra e sinistra, mas também traz uma sensação de nostalgia, relembrando e homenageando filmes oitentistas do gênero.

         O elenco de “Bosque Vermelho” conta com Adriano Gouvella, Arthur Ribeiro, Guilherme Ausec, João Iramina Neto, Mário Fragoso, Nagomi Kishimo, Vitor Maçarico Inacio, André Duarte, Dilan Duarte, José Augusto Araújo, Manuela Manhães Slonski, Marcely Saes, Odair Gonçalves e Rodolfo Barroso. De michês até vigilante e bêbado, os zumbis não poupam ninguém e atacam quem podem.

         “Bosque Vermelho” é um curta de Terror pra se divertir, tendo ótimos elementos técnicos na sua produção. Com acertos pontuais da direção de fotografia e arte, o curta tem uma montagem bem estruturada, fazendo do curta uma ótima opção para quem é fã do subgênero Trash.

         E, é bom destacar que o que acontece no curta é apenas o início de um apocalipse zumbi. Se o espectador pensar sobre os dias seguintes, a população da cidade do interior do Paraná está em maus lençóis.





domingo, 8 de dezembro de 2024

DURMA BEM (2019)

Sara é a nova babá de uma garotinha. Em sua primeira noite de trabalho, uma forte tempestade atinge a cidade. A mãe, que vai encontrar com o marido, deixa filha e babá sozinhas.
            “Durma Bem” tem um filtro de cor que acentua o tom da noite, da escuridão e da tensão que é estabelecida logo que a babá e a menina ficam sozinhas na casa. A tonalidade azul escura transmite a sensação de isolamento e medo. A atmosfera pesada e densa se acentua mais ainda quando Sara encontra um boneco de palhaço muito esquisito.

         O uso da câmera subjetiva, logo que Sara cobre o palhaço, aumenta ainda mais o clima de mistério e o horror que ronda a babá e a criança. A trilha sonora com uma chuva incessante e vibrações de suspense, ajudam muito na imersão do espectador no universo misterioso e onde o perigo está à espreita.

             Após colocar a menina para dormir, Sara ainda sente que algo estranho acontece dentro da casa. E, após um telefonema para a Senhora Castro, mãe da menina, o terror é plenamente estabelecido.

         Bruna Brito, que interpreta a protagonista Sara, tem uma atuação impecável, conseguindo encarnar muito bem todos os sentimentos de acordo com o que o ambiente exige. O elenco ainda conta com Júlia França, Angela Valentin e Max Moreira.

         “Durma Bem” tem elementos técnicos muito bem explorados pelo diretor Weslei Mata, que também é responsável pelo roteiro e montagem. Ele consegue reunir fotografia e trilha sonora de forma muito eficiente, causando a curiosidade e o medo em relação ao boneco encontrado por Sara. Suenya Generoso, responsável pela fotografia, executa um trabalho primoroso, aproveitando cada detalhe que aumenta a intensidade da imersão do espectador com a trama e com os personagens.

         “Durma Bem” é um Terror inquietante e perturbador. A forma como o filme se desenvolve e finaliza, faz dele uma ótima opção para os fãs de Terror, Suspense e Mistério.




        

sábado, 7 de dezembro de 2024

O SINO DE MONTEBELLO (2016)

 

O curta-metragem dirigido por Fernando Ferreira Garróz é baseado na crônica “O Sino de Natal”, publicado em 1951 e escrito por R. F. Lucchetti.

Apesar de ter o Natal como pano de fundo, o tom sombrio e a narração bem elaborada ditam o ritmo sombrio e obscuro da Animação, que tem ainda a adaptação, roteiro, produção e a própria locução de Fernando Ferreira Garróz.

O personagem-narrador revela a sua história de ferreiro e a produção do sino da igreja de Montebello. O personagem relata sobre como o espírito do Natal altera a vida na comunidade, com festividades, presentes, encontros, reencontros e os presentes que marcam a data e trazem alegria para muitas pessoas.

O insistente badalar do sino faz o ferreiro lembrar de sua amada Gina. Porém, a ligação de Gina com o sino é tenebrosa, arrepiante e apavorante. A trama envolve tudo num contexto mórbido e aterrorizante.

“O Sino de Montebello” se destaca pela capacidade de imergir o espectador na história, se envolvendo com as cenas de caridade, festividade e com o sinistro badalar do sino. O excelente trabalho de locução, som e trilha sonora compõem o clima denso, pesado e intrigante de Montebello. A voz marcante do narrador dá ainda mais força para a trama.

A lembrança de Gina, traz as memórias mais importantes da vida do ferreiro, mas também deixa explícito que as memórias fazem parte de um passado e que não tem mais volta.

“O Sino de Montebello” tem uma narrativa meticulosamente construída, fazendo com que o espectador se aprofunde na mente do ferreiro e ouça cada palavra como parte de um pensamento conjunto. A união da fotografia e da trilha sonora, juntamente com a arte, conseguem, de forma monumental criar essa ligação entre personagem e público. E tudo isso torna “O Sino de Montebello” surpreendente e genial.

O curta tem um ar sombrio e incômodo. E esse é um dos grandes méritos da fotografia e da competente equipe de animação, que conta com Marcos Spineli, Arthur F. Padua e Guilherme Guidetti.

“O Sino de Montebello” é curta de Animação, mas que aborda os gêneros Suspense, Mistério e Terror em suas formas mais cruas, sinistras e pavorosas.



PASSAGEIROS (1987)

  “Passageiros” é um curta que funciona em várias camadas ao mesmo tempo. Na superfície, temos uma situação simples e direta: um taxista rec...