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domingo, 28 de dezembro de 2025

KRAJCBERG, O GRITO DA NATUREZA (2012)

 


Os diretores e documentaristas Paula Saldanha e Roberto Werneck viajam para Nova Viçosa, no sul do estado da Bahia, para uma reportagem com Frans Krajcberg.

         Realizado pela TV BRASIL e RW Cine, a produção de “Expedições” encontrou o polonês que lutou na Segunda Guerra Mundial e, posteriormente, se mudou para o Brasil, dedicando mais de cinco décadas à preservação do meio ambiente, às denúncias de desmatamentos e queimadas, e a produção de arte com elementos de matérias-primas da natureza.

            Após a Segunda Guerra, Krajcberg morou na União Soviética, onde estudou Engenharia e Artes. Na Alemanha, prosseguiu com os estudos na Academia de Belas Artes de Stuttgart. Chegou ao Brasil em 1948.

         Morou em vários locais do Brasil, pesquisando e produzindo esculturas a partir de madeiras mortas. Viajou por várias regiões do país, sempre se dedicando às questões ambientais.

         Naturalizou-se brasileiro e passou a morar no Sítio Natura, em 1972, no sul da Bahia. Ali fez sua residência e ateliê. Na área de 1,2 km², num resquício de mata atlântica, Krajcberg plantou mais de dez mil mudas de espécies nativas.

            Ao mesmo tempo em que produzia arte e era condecorado com várias premiações, Krajcberg se tornou um dos grandes ativistas ambientais do Brasil. E tudo isso é falado pelo próprio Krajcberg em sua entrevista concedida para Paula Saldanha.

         “Krajcberg, o Grito da Natureza” mostra, através dos depoimentos de Frans Krajcberg, um grande orgulho por seu trabalho a favor do meio ambiente e do planeta. Mas também demonstra uma insatisfação e frustração diante das constantes agressões contra a natureza.

         As artes de Frans Krajcberg são denúncias. As características de suas obras lembram que um pedaço de madeira, um dia já foi uma árvore viva e constituinte de um habitat.

        Frans Krajcberg fala sobre os horrores da guerra e da irracionalidade de se matar pessoas. Por viver e ter sido obrigado a lutar, a sua revolta contra a guerra é mais do que justificável, porque ele esteve no campo de batalha e isso com certeza afetou muito o seu psicológico e emocional.

         O Documentário mostra o Sítio Natura e todas as suas belezas, inclusive uma casa construída, a sete metros do chão, no alto de um tronco de pequi. Krajcberg teve ajuda do amigo e arquiteto Zanine Caldas para construir a casa da árvore. O sonho de Zanine era fazer do lugar um centro cultural, e Krajcberg foi morar no lugar a convite do amigo.

         Com a competência que já é uma marca registrada, a equipe de Saldanha e Roberto Werneck, produziu um Documentário sensível, onde um homem, arte e natureza se completam. “Krajcberg, o Grito da Natureza” é um filme que merece ser visto e revisto muitas vezes.




sexta-feira, 10 de janeiro de 2025

ROÇA URBANA (2024)






Ponte Nova é um bairro humilde, localizado na porção continental de São Vicente, na Baixada Santista, que enfrenta sérias dificuldades estruturais e sociais, agravadas pela pandemia. A região, marcada por uma história de negligência ambiental, já foi alvo de despejo de resíduos tóxicos pela empresa Rhodia, antes mesmo da formação do bairro, contribuindo para os problemas sanitários e de saúde que afetam os moradores até hoje. Essa herança de descaso continua a impactar a qualidade de vida local, tornando ainda mais desafiadora a luta por melhorias, especialmente durante o período crítico da pandemia, quando a carência de serviços públicos se acentuou.

Em meio a esse cenário adverso, o jovem médico Yago Torres decidiu agir. Com um olhar voltado para o futuro, ele idealizou projetos que visavam não apenas melhorar a saúde física dos moradores, mas também promover um senso de comunidade e pertencimento. Um dos primeiros passos foi a criação de um grupo de caminhadas, composto por usuários da Unidade Básica de Saúde (UBS) do bairro Ponte Nova. A iniciativa, simples à primeira vista, rapidamente conquistou a adesão de muitas pessoas, principalmente idosos, que viram nas caminhadas uma forma de manter-se ativos e socialmente engajados.

No entanto, os projetos de Yago não se limitaram às caminhadas. Ao observar o espaço ocioso no terreno da UBS, ele vislumbrou uma oportunidade de criar algo que pudesse beneficiar ainda mais os moradores: uma horta comunitária. Assim nasceu a “Roça Urbana”, uma proposta inovadora de cultivo sustentável, que alia saúde, bem-estar e consciência ambiental. A horta, suspensa devido à contaminação do solo local pelos resíduos da Rhodia, utiliza terra trazida de outras regiões, garantindo que os alimentos cultivados sejam livres de toxinas e seguros para o consumo. Dessa forma, a “Roça Urbana” se tornou não apenas uma fonte de alimentos saudáveis, mas também um símbolo de resistência e renovação em meio às dificuldades.

O Documentário “Roça Urbana”, dirigido, roteirizado e com fotografia de Jean Pierre Pierote, acompanha de perto essa transformação no bairro Ponte Nova. Com uma narrativa fluida e envolvente, o filme conduz o espectador pelo cotidiano dos moradores, mostrando como o cultivo da horta e as caminhadas criaram novos laços de amizade e solidariedade entre eles. Os depoimentos de Luciene Formosina de Jesus, Josefa da Silva, Josefa Maria e Manoel Nascimento são carregados de emoção e revelam como essas iniciativas não apenas promoveram a saúde física, mas também trouxeram melhorias significativas na qualidade de vida emocional e psicológica dos participantes.

O Documentário destaca, de forma sensível, o impacto dessas atividades na vida dos idosos da comunidade, muitos dos quais enfrentam o isolamento e a falta de estímulo físico. Para eles, as caminhadas e o cultivo de alimentos tornaram-se muito mais do que simples atividades de rotina; são momentos de convivência, troca de experiências e fortalecimento de vínculos. A melhoria na saúde desses moradores é visível, não apenas pela prática de exercícios regulares, mas também pelo acesso a alimentos frescos e livres de agrotóxicos, cultivados com as próprias mãos.

Além dos benefícios físicos e alimentares, o filme explora a importância do fortalecimento dos laços sociais entre os participantes. O grupo que se formou em torno da horta e das caminhadas representa uma nova forma de convívio comunitário, onde os moradores compartilham suas histórias, cuidam uns dos outros e encontram na coletividade uma forma de enfrentar os desafios do dia a dia. Essa rede de apoio e amizade contribui diretamente para a melhoria da saúde mental e emocional dos participantes, que passaram a ver essas atividades não como uma obrigação, mas como momentos de prazer e realização.

Tecnicamente, “Roça Urbana” é uma produção impecável. Jean Pierre Pierote, acerta em cada detalhe, capturando a essência do bairro e a realidade dos seus moradores com uma sensibilidade única. A produção e som direto de Cinthia dos Santos e Patrycia Nunes, a montagem de Mateus Ribeiro e o design gráfico de Cássia Oliveira se unem de maneira harmoniosa para criar um Documentário dinâmico, que em apenas doze minutos consegue transmitir uma mensagem poderosa e impactante. A fluidez da narrativa, aliada à precisão técnica dos elementos audiovisuais, permite que o espectador se sinta parte da história, acompanhando de perto o crescimento da horta, as caminhadas dos moradores e os depoimentos emocionantes que dão vida ao filme.

“Roça Urbana” não é apenas um registro das transformações que ocorreram na Ponte Nova, mas também um retrato de como iniciativas simples, quando guiadas pela vontade de melhorar a vida em comunidade, podem gerar impactos profundos. O documentário reforça a importância da solidariedade, do trabalho em equipe e da busca por soluções sustentáveis para os problemas que afetam áreas marginalizadas como Ponte Nova. Através de uma narrativa clara e objetiva, “Roça Urbana” celebra o esforço coletivo e a resiliência de um povo que, apesar das dificuldades, continua a lutar por uma vida mais saudável e digna.

Com uma mensagem de esperança e superação, “Roça Urbana” é um exemplo de como o cinema pode dar voz às comunidades que muitas vezes são esquecidas, mostrando que, mesmo em meio ao descaso e às adversidades, é possível plantar sementes de mudança e colher frutos de transformação.




quinta-feira, 9 de janeiro de 2025

PROGRESSO DE QUEM? (2022)

 

"Progresso de Quem?", com roteiro de Izadora Andrade e Mariana Zanzini, é um Documentário que lança um olhar sensível e profundo sobre a realidade dos catadores de materiais recicláveis na cidade de São Paulo. Apesar de exercerem uma função vital para o meio ambiente e para a saúde pública, esses trabalhadores enfrentam diariamente o preconceito, a falta de reconhecimento e a invisibilidade diante da sociedade. A produção aborda a rotina desses profissionais, trazendo à tona o contraste entre a importância de seu trabalho e o desprezo com que são tratados.

O Documentário conta com depoimentos de catadores como Litz Govk, Maura dos Santos, Maxsuell Wellington e Varonildo Carmo, que compartilham suas histórias de vida e as dificuldades enfrentadas em seu cotidiano. As vozes desses trabalhadores nos levam a compreender melhor o papel essencial que desempenham, ao recolherem toneladas de resíduos que, de outra forma, seriam destinados a aterros ou incinerados. Esses catadores não só diminuem a pressão sobre o meio ambiente, como também contribuem para a reciclagem de materiais como plástico, metal e papel, fundamentais para a sustentabilidade das cidades modernas.

A diretora Izadora Andrade enriquece o Documentário ao incluir o impacto transformador do projeto "Pimp My Carroça", que é retratado de maneira detalhada. A iniciativa busca reformar carroças utilizadas pelos catadores, equipando algumas delas com motores elétricos, tornando-as mais confortáveis e eficientes. Além disso, o projeto usa a arte como ferramenta de conscientização social, estilizando as carroças com grafites e pinturas vibrantes, que transformam esses veículos em símbolos de resistência e dignidade. Esse trabalho não apenas facilita a vida dos catadores, mas também melhora sua visibilidade, desafiando estigmas e preconceitos profundamente enraizados na sociedade.

Letícia Tavares, diretora executiva do "Pimp My Carroça", explica como o projeto impacta diretamente a vida dos catadores, proporcionando uma nova perspectiva sobre seu trabalho e sobre a relação deles com a cidade. Ao estilizar suas carroças, o projeto também ressignifica o olhar que a população tem desses trabalhadores, muitas vezes esquecidos e marginalizados. O depoimento de Letícia Tavares é um ponto alto do filme, trazendo à tona a importância de se reconhecer os catadores como agentes ambientais que realizam um serviço imprescindível numa sociedade que, cada vez mais, se afoga em seu próprio lixo.

Tecnicamente, "Progresso de Quem?" impressiona pela forma dinâmica com que transmite sua mensagem em apenas quatro minutos. A montagem ágil, aliada à sensibilidade da fotografia de Alef Paz e ao trabalho de som de Caio Terra, cria uma narrativa visual poderosa, em que a imagem e o som dialogam em perfeita harmonia. O design gráfico de Gabriela Mônaco e a decupagem de Clara Almeida também se destacam, contribuindo para o ritmo fluido do curta-metragem, que consegue envolver o espectador desde os primeiros segundos.

Apesar de sua curta duração, "Progresso de Quem?" é um filme de grande impacto social. Ele não só destaca a importância do trabalho dos catadores para a manutenção da cidade, mas também humaniza esses trabalhadores, lembrando-nos de que por trás de cada carroça há uma história de vida, com sonhos, desafios e esperanças. O Documentário nos convida a refletir sobre nossa própria responsabilidade em relação ao meio ambiente e às pessoas que, muitas vezes, passam despercebidas em meio à correria urbana.

"Progresso de Quem?" é uma produção necessária e urgente, que nos obriga a olhar para a cidade e seus trabalhadores de maneira mais empática e consciente. É um chamado para a ação, para o reconhecimento e valorização daqueles que, silenciosamente, cuidam da nossa sociedade e do nosso planeta.




SOB O CÉU NORDESTINO (1929)

         Com produção, roteiro, direção e fotografia de Walfredo Rodrigues, o filme “Sob o Céu Nordestino” é originalmente um longa-metragem...