Mostrando postagens com marcador cinema. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador cinema. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 28 de outubro de 2025

ISSO DÁ UM CURTA (2025)

 


Com roteiro e direção de Felipe Siqueira, “Isso Dá um Curta” acompanha uma tarde descontraída de André e Luíza, moradores de uma república que, por conta das férias, está praticamente vazia. Entre goles de cerveja, risadas e conversas improvisadas, os dois começam a projetar ideias para a produção de um curta-metragem. O filme consegue capturar com perfeição aquela energia espontânea, típica de quem cria algo do zero, e transforma um ambiente limitado em um verdadeiro palco de imaginação.

O charme da obra está na forma como ela transforma limitações em força narrativa. Filmado quase inteiramente em um único espaço, o curta explora o ambiente como extensão da mente criativa dos personagens. Cada objeto, canto da sala e detalhe visual é aproveitado para materializar as ideias que surgem na cabeça de André e Luíza. Entre as propostas, o filme brinca com diferentes gêneros: o suspense de um assassino em série, o drama delicado de um romance improvável durante a busca por um cachorro perdido, e o drama tocante de um último encontro entre duas amigas, em que uma delas lida com uma doença terminal. Essa alternância de estilos, misturando o improvável e o clichê com inteligência e pontualidade, permite que o espectador se envolva profundamente na narrativa e viva as ideias como se fossem suas próprias criações.

As interpretações de Izzy e Matheus Faria são outro ponto alto do curta. Eles conseguem equilibrar naturalidade, intensidade e timing cômico, tornando seus personagens vivos, genuínos e extremamente cativantes. A química entre os dois contribui para que o público se sinta parte da criação, rindo e torcendo a cada nova ideia surgida. A espontaneidade da atuação é um convite para que o espectador compartilhe o entusiasmo e a diversão de planejar um curta de maneira despretensiosa, mas incrivelmente inventiva.

O elenco de apoio complementa de forma brilhante a narrativa, mesmo com participações curtas. Personagens como o assassino acima do peso, o cachorrinho vestido com tutu, ou outras figuras que surgem rapidamente na trama, contribuem para a riqueza cômica e absurda do curta. Nomes como Rafael Brandão, Mantega, Maravilha, José Carlos de Siqueira, Felipe Siqueira, Letícia Mirelly, Eriberto Silva, Ana Carolina da Silva e Mariane Cintra dão profundidade e completam o universo criado pelos protagonistas, mostrando que mesmo aparições breves podem gerar impacto e humor.

Outro ponto que se destaca em “Isso Dá um Curta” é o trabalho técnico primoroso. A direção de arte de Karol Rocha e a fotografia de Rafael Brandão são fundamentais para diferenciar (e aproximar) os dois mundos que coexistem na narrativa: o real, que se passa na sala da república, e a fantasia, materializada nas ideias criativas dos personagens. Cada mudança de cenário, cada objeto, cada escolha de luz e cor ajuda a criar a sensação de que os universos imaginados estão, de fato, tomando vida diante dos olhos do público. Essa fusão entre técnica e narrativa fortalece a imersão, permitindo que o espectador sinta que está dentro da sala junto com André e Luíza, participando de cada descoberta, tropeço ou insight.

O curta também se destaca por refletir de forma bem-humorada as dificuldades do audiovisual independente. Limitações orçamentárias, falta de recursos para transporte e locações, burocracia de editais e restrições logísticas são apresentadas de maneira leve, mas sem perder a crítica. Essa abordagem traz autenticidade à narrativa, evidenciando os desafios que muitos realizadores enfrentam na produção de curtas-metragens, e reforça a criatividade como solução diante das adversidades.

Em sua essência, “Isso Dá um Curta” é uma comédia leve, divertida e inventiva, que consegue transportar o espectador para o universo de criação dos protagonistas. O filme celebra a capacidade de transformar ideias simples em experiências cômicas e envolventes, mostrando que, no fim, o mais importante na criação artística não é o recurso disponível, mas a imaginação, a colaboração e a energia que se coloca no projeto. Entre risadas, absurdos e momentos de ternura, o curta reforça que a criatividade é o motor que move a realização de qualquer obra, e que o entusiasmo e a empolgação podem ser tão cativantes quanto o resultado final.

Com sua combinação de roteiro ágil, atuações carismáticas e direção técnica precisa, “Isso Dá um Curta” não é apenas uma história sobre a criação de um filme dentro de um filme. É uma obra que celebra a criatividade, a amizade e a magia de transformar o cotidiano em pura diversão cinematográfica, deixando o espectador inspirado, entretido e com vontade de criar suas próprias histórias.




domingo, 24 de agosto de 2025

HAROLDO COSTA – O NOSSO ORFEU (2015)

 


O Documentário dirigido por Silvio Tendler, intitulado "Haroldo Costa – O Nosso Orfeu", é uma rica homenagem a um dos maiores ícones da cultura brasileira, Haroldo Costa. O filme oferece uma imersão completa na vida e obra desse multiartista, cuja trajetória se mistura de maneira indelével à história do teatro, cinema, televisão e música no Brasil. Com depoimentos emocionantes do próprio Haroldo Costa e da renomada atriz Léa Garcia, o documentário é habilmente conduzido pela narração envolvente de Zezé Motta, uma voz que acrescenta ainda mais profundidade à narrativa.

A direção de arte, fotografia e montagem se destacam pela maneira com que capturam a essência da carreira multifacetada de Haroldo. As imagens de arquivo, mescladas a depoimentos e cenas históricas, transportam o espectador através de décadas de dedicação à arte e cultura. O documentário não apenas ilustra sua jornada pessoal e profissional, mas também revela a força cultural que ele representa.

A narrativa do filme percorre momentos essenciais da vida de Haroldo Costa, desde seu início no Teatro Experimental do Negro, criado por Abdias do Nascimento, até suas viagens internacionais com a companhia de teatro Brasiliana, que o levaram a se apresentar em dezenas de países. Um dos pontos altos do filme é o relato sobre o convite feito por Vinicius de Moraes, para que Haroldo protagonizasse a peça "Orfeu da Conceição", uma obra icônica que seria o precursor do lendário filme "Orfeu Negro". Este marco o consagrou como uma das figuras mais importantes da cultura afro-brasileira e do teatro nacional.

Assistir ao Documentário é como reviver momentos históricos através dos olhos de Haroldo Costa, um artista completo que abriu caminho em múltiplas funções. Além de ator, ele foi produtor, diretor, escritor, curador, músico, e continua a atuar como palestrante e intelectual engajado. Haroldo não apenas desempenhou um papel central em diversas frentes artísticas, mas também ajudou a dar visibilidade à cultura afro-brasileira, contribuindo para a luta contra o racismo e a valorização das raízes negras no país.

O filme se destaca ao enfatizar que Haroldo Costa é mais do que um artista brilhante. Ele é um verdadeiro representante da cultura brasileira em sua forma mais pura. Suas contribuições ajudaram a moldar e a projetar a arte brasileira dentro e fora do país, tornando-o uma figura essencial em qualquer discussão sobre a história artística e cultural do Brasil. Tendler, com maestria, constrói um filme que vai além de um simples registro biográfico, revelando o profundo impacto de Haroldo na arte e na sociedade.

"Haroldo Costa – O Nosso Orfeu" é, portanto, um tributo sensível e merecido a um homem que viveu e vive intensamente para a arte, tornando-se um símbolo vivo da resistência e da beleza cultural do Brasil. A obra emociona ao mostrar como a arte de Haroldo Costa transcende o palco e as telas, fundindo-se com a própria história da cultura brasileira.



segunda-feira, 30 de junho de 2025

TRÊS CORTES PARA GLAUBER (2009)

            Mesclando habilmente imagens de obras de Glauber Rocha, registros de arquivo e cenas emblemáticas do contexto histórico, o diretor Gabriel Dib constrói uma profunda radiografia do cinema brasileiro a partir da visão artística e intelectual de Glauber. O Documentário “Três Cortes Para Glauber” não se limita a ser uma simples homenagem: é uma imersão densa na mente criativa de Glauber, inspirada nas estéticas que ele tanto explorou em sua obra, como a fome, o sonho e a violência, pilares conceituais que moldaram seu legado. Esses três elementos não só refletem as questões políticas e sociais da época, mas também o desejo de um cinema que falasse diretamente à realidade do Brasil.

Com uma montagem precisa, de Pedro Gorender, Pedro Bento e Gabriel Dib, o curta-metragem estabelece um jogo entre som e imagem que resulta em uma experiência sensorial instigante. A trilha sonora, utilizada de maneira cirúrgica, intensifica a narrativa, criando uma atmosfera imersiva que conecta o espectador ao universo glauberiano. Os elementos técnicos e narrativos se destacam ao amplificar a dialética proposta por Glauber em seus filmes: uma constante tensão entre o poético e o brutal, o sonho e o pesadelo, a fome e a resistência.

O Documentário reflete sobre a missão central de Glauber Rocha: a criação de um cinema autenticamente brasileiro, feito por brasileiros e para brasileiros. Glauber acreditava que a produção cinematográfica nacional deveria se libertar das fórmulas enlatadas de Hollywood e buscar uma narrativa própria, que falasse sobre a realidade social e cultural do Brasil. Em "Três Cortes Para Glauber", essa busca por um cinema original é explorada através de cenas que revelam como Glauber olhava para as múltiplas facetas do Brasil; suas paisagens, sua cultura e suas contradições.

Glauber não apenas rejeitava a fantasia escapista proposta pelo cinema comercial, mas abraçava uma estética da realidade, onde a simplicidade, a verdade e a resistência ocupavam o centro de sua criação artística. O curta revela o quanto o cineasta foi influenciado pelo Neorrealismo italiano e pela Nouvelle Vague francesa, mas sempre com os pés fincados no solo brasileiro. Sua obra é um espelho da luta por um cinema político, uma arte que falasse de forma direta com o povo e sobre o povo, revelando suas angústias, suas lutas e suas esperanças.

Em “Três Cortes Para Glauber”, a estética do Cinema Novo é explorada com profundidade. O movimento, do qual Glauber foi um dos principais expoentes, buscava retratar o Brasil de forma fiel, abordando o Brasil profundo, com suas desigualdades e complexidades. Esse cinema se afastava das fantasias importadas, preferindo uma abordagem que desnudava as mazelas sociais, trazendo à tona a violência estrutural, a fome, e o sofrimento dos marginalizados. O Documentário destaca essa missão de Glauber, de construir uma arte que fosse não só cinematográfica, mas também política e socialmente comprometida. Essa estética da resistência é um dos temas centrais de "Três Cortes Para Glauber", e é evidenciada de forma brilhante ao longo de toda a obra.

A narrativa não linear do curta, inspirada na própria estrutura dos filmes de Glauber, permite que o espectador entre no fluxo de pensamentos do cineasta. Não há uma cronologia rígida, assim como nas lembranças e nos sonhos, temas recorrentes na filmografia de Glauber. Esse rompimento com a narrativa tradicional faz com que o filme se aproxime mais da obra glauberiana, onde o tempo, assim como a realidade, é fragmentado. “Três Cortes Para Glauber” abraça essa fragmentação, permitindo ao espectador vivenciar não apenas a trajetória de Glauber Rocha, mas também a profundidade de suas reflexões sobre o cinema e o Brasil.

O filme conta com a participação de Bastïen Viltart, Barbara Vida, Pedro Bento, Gabriel Dib e Pedro Gorender, que ajudam a dar vida a essa reflexão multifacetada sobre o cinema glauberiano. A presença de tantos colaboradores reflete o caráter coletivo do Cinema Novo, um movimento que sempre buscou a cooperação e o engajamento de diversos artistas na luta por um cinema que fosse não apenas estético, mas revolucionário em essência.

“Três Cortes Para Glauber” é, portanto, mais do que uma simples análise de uma carreira cinematográfica. É uma viagem intelectual e sensorial que explora a mente de Glauber Rocha, seus desafios e suas conquistas. É um convite para entender a importância de Glauber não apenas como cineasta, mas como pensador e crítico da sociedade brasileira. Ao assistir o Documentário, somos levados a refletir sobre o papel do cinema como ferramenta de mudança social e cultural, e sobre o legado imortal de Glauber Rocha, que continua a influenciar gerações de cineastas no Brasil e no mundo.




segunda-feira, 16 de dezembro de 2024

O MINHAEIRO (2019)

 


Com forte presença no imaginário popular nordestino, “O Minhaeiro” traz uma proposta muito interessante sobre as lendas, mistérios e maldições que envolvem as botijas. 

As histórias sobre a atmosfera sobrenatural que envolvem as botijas afirmam que os tesouros são guardados por entidades sobrenaturais ou espíritos dos antigos donos, que impõem maldições sobre qualquer pessoa que tente desenterrá-los sem o devido ritual. Essas botijas, que originalmente eram potes de barro utilizados para armazenar riquezas como moedas de ouro, prata ou joias, são temas recorrentes em histórias contadas em regiões como o sertão nordestino.

Em “O Minhaeiro” uma jovem garota desenterra uma botija e a equipe criativa do curta fez um trabalho nota 10 ao mesclar folclore nordestino com os gêneros cinematográficos de Terror, Suspense e Mistério.

Com um ótimo trabalho de fotografia e arte, o curta envolve o espectador rapidamente, logo que a botija é desenterrada e, aos poucos, algumas revelações são feitas. Tanto o desejo de riqueza fica evidente, quanto o desejo de se preservar o tesouro contido na botija. Vitória Vasconcelos e Carlinhos Duarte se complementam de forma perfeita em suas atuações e nas relações protagonista x antagonista.

A trilha sonora, deixa o ar ainda mais denso e pesado, tanto na música sinistra, quanto nos efeitos de sons da mata, do vento. Isso dá muito realismo à trama, imergindo quem assiste no ambiente escuro, misterioso e perigoso.

“O Minhaeiro” tem recursos técnicos, narrativos e dramáticos executados com muita competência. O roteiro, de Ricardo Bontese, é direto e reto, causando tensão durante todo o filme. A direção, de Vinícius Lins, com fluidez e precisão, constrói uma atmosfera de suspense crescente, intensificando a angústia à medida que a trama se desenrola e sem o uso de sustos aleatórios e desnecessários. A escolha de um suspense psicológico foi acertada. O uso de planos e enquadramentos que misturam os personagens à escuridão, somados a uma montagem dinâmica, reforça a tensão, enquanto a trilha sonora contribui para o clima sombrio, ampliando o impacto emocional das cenas.

“O Minhaeiro” é uma ótima opção para os fãs de Terror que curtem também lendas e maldições do folclore brasileiro. 


Assista o curta no perfil do diretor no Vimeo: https://vimeo.com/441658344


sábado, 7 de dezembro de 2024

O SINO DE MONTEBELLO (2016)

 

O curta-metragem dirigido por Fernando Ferreira Garróz é baseado na crônica “O Sino de Natal”, publicado em 1951 e escrito por R. F. Lucchetti.

Apesar de ter o Natal como pano de fundo, o tom sombrio e a narração bem elaborada ditam o ritmo sombrio e obscuro da Animação, que tem ainda a adaptação, roteiro, produção e a própria locução de Fernando Ferreira Garróz.

O personagem-narrador revela a sua história de ferreiro e a produção do sino da igreja de Montebello. O personagem relata sobre como o espírito do Natal altera a vida na comunidade, com festividades, presentes, encontros, reencontros e os presentes que marcam a data e trazem alegria para muitas pessoas.

O insistente badalar do sino faz o ferreiro lembrar de sua amada Gina. Porém, a ligação de Gina com o sino é tenebrosa, arrepiante e apavorante. A trama envolve tudo num contexto mórbido e aterrorizante.

“O Sino de Montebello” se destaca pela capacidade de imergir o espectador na história, se envolvendo com as cenas de caridade, festividade e com o sinistro badalar do sino. O excelente trabalho de locução, som e trilha sonora compõem o clima denso, pesado e intrigante de Montebello. A voz marcante do narrador dá ainda mais força para a trama.

A lembrança de Gina, traz as memórias mais importantes da vida do ferreiro, mas também deixa explícito que as memórias fazem parte de um passado e que não tem mais volta.

“O Sino de Montebello” tem uma narrativa meticulosamente construída, fazendo com que o espectador se aprofunde na mente do ferreiro e ouça cada palavra como parte de um pensamento conjunto. A união da fotografia e da trilha sonora, juntamente com a arte, conseguem, de forma monumental criar essa ligação entre personagem e público. E tudo isso torna “O Sino de Montebello” surpreendente e genial.

O curta tem um ar sombrio e incômodo. E esse é um dos grandes méritos da fotografia e da competente equipe de animação, que conta com Marcos Spineli, Arthur F. Padua e Guilherme Guidetti.

“O Sino de Montebello” é curta de Animação, mas que aborda os gêneros Suspense, Mistério e Terror em suas formas mais cruas, sinistras e pavorosas.



quinta-feira, 5 de dezembro de 2024

DIVERSÕES SOLITÁRIAS (1983)

           “Diversões Solitárias” apresenta um jovem que, de patins e de walkman, percorre por vários pontos da cidade de São Paulo, transitando entre várias pessoas e vendo muitas coisas em meio ao caos e ao barulho da metrópole.



           Luiz Nascimento interpreta o protagonista, que é muito mais do que apenas um jovem que transita pelas ruas, cruzando com as pessoas e deixando de as ouvir devido à música que escuta através do fone de ouvido. Entre o personagem que se prepara para sair e o que retorna para casa, há muitas camadas sobre ele, que servem para se refletir.

         Mesmo estando num lugar movimentado, com pessoas que procuram interagir, o universo do personagem não é o mesmo da maioria das pessoas. O seu mundo é diferente, fazendo com que ele seja diferente, pense diferente e deseje coisas diferentes. Por mais que a cidade insista em igualar as pessoas como meras peças de um imenso quebra-cabeças, as pessoas são únicas, com suas personalidades e identidades.

         O filme tem uma carga dramática bastante impactante pela forma como o protagonista se relaciona. Apesar de ser um filme lançado em 1983, incrivelmente, ele consegue dialogar com a realidade atual, demonstrando o quão difícil é estabelecer e manter vínculos. O isolamento e a solidão não é um mal dos nossos tempos; ele parece estar impregnado na sociedade, criando universos próprios onde muitas pessoas se satisfazem sozinhas.



         “Diversões Solitárias” é um Drama produzido com muita profundidade. O diretor Wilson Barros, que também é o responsável pelo roteiro, extrai o máximo do que o texto tem a oferecer. E os elementos técnicos de produção, como trilha sonora, fotografia e arte, constroem com muita precisão o mundo do protagonista e como ele lida com as suas ambições, prazeres e pensamentos.

         “Diversões Solitárias” é um filme que explora o emocional e o psicológico de uma forma sensível, profunda, pontuando que a complexidade da mente humana não é algo programado ou pré-definido, mas algo que é inerente ao temperamento e personalidade de cada um.




terça-feira, 3 de dezembro de 2024

A COISA NA FLORESTA (2020)

 

Com apenas 4 minutos de duração, “A Coisa na Floresta” é extremamente imersivo e assustador. A produção utiliza de forma muito eficiente elementos simples, mas com uma qualidade gigante por parte de Jeziel Bueno, que, além da direção, é responsável pelo roteiro, produção, trilha sonora, fotografia e arte.

Jeziel demonstra toda a sua competência para criar um clima denso, pesado e totalmente perturbador. O que era para ser apenas uma brincadeira se torna num pesadelo sem volta.

“A Coisa na Floresta” tem seu início quando uma garotinha encontra outra que brinca com uma boneca numa praça. Cada uma com uma boneca, elas iniciam uma interação e logo decidem adentrar para uma floresta próxima.

Sem diálogos audíveis, as duas garotas caminham em meio a mata e o trabalho de som é fundamental para criar o ambiente de perigo. Os sons do vento e dos passos na mata transmitem o realismo e também o perigo que se aproxima.

Logo, a garota que foi convencida a entrar na mata se vê em grande perigo, quando encontram com um homem, próximo a um prédio velho e abandonado. A esquisitice do personagem é tão grande quanto a ameaça que ele representa.

A atmosfera sobrenatural do curta, nos faz pensar sobre os personagens em si, e em como e por que agem daquela forma. O que sabemos é que são personagens assustadores e que estão à espreita para fazer mais vítimas. O filme conta com as atuações de Lara Cristina, Larissa Xavier, Milton Toledo e Rebeka Sousa.

“A Coisa na Floresta” tem ótimos elementos narrativos e dramáticos. Os elementos técnicos da produção potencializam o texto, fazendo desse curta mais um excelente filme de Terror e Suspense na carreira de Jeziel Bueno, que é um dos grandes nomes do Terror nacional.




segunda-feira, 2 de dezembro de 2024

DEPOIS DO FIM DO MUNDO (2011)


“Depois do Fim do Mundo” é um trabalho de conclusão de curso da UEMG em 2010, com produção, roteiro e direção de Flávio R. Moura e orientação de Leonardo Dutra.

Mesclando os gêneros Ficção Científica e Comédia, a Animação em curta-metragem narra a rotina de dois mercenários que vivem num mundo pós-apocalipse zumbi e que estão em meio a mais um trabalho.

“Depois do Fim do Mundo” é um filme cativante, divertido e muito bem produzido. O filme tem qualidades técnicas, narrativas e dramáticas extremamente eficientes. O texto é excelente, resultando em um contexto que atrai a curiosidade do espectador e em personagens que é impossível não simpatizar.

A dupla de mercenários tem as vozes de Affonso Amajones, como o Escocês, e Nelson Machado como o alienígena Kroax. O elenco conta ainda com a voz de Mauro Castro.

“Depois do Fim do Mundo” impressiona pela fluidez narrativa e dramática, com diálogos ácidos cheios de referências. A conversa dos protagonistas vai desde nomes de filmes do Arnold Schwarzenegger e Sylvester Stallone, até os tipos de zumbis existentes. Em meio ao bate-papo dos personagens, ainda há também referências à cultura nerd, alguns elementos “tarantinescos” e um easter egg surpresa que surpreende muito.

O curta de Flávio R. Moura é uma animação adulta extremamente competente, com uma fusão perfeita entre forma, conteúdo e essência, com um arco dramático bem estruturado que prende a atenção do espectador. À medida que a história se desenvolve, a tensão cresce de maneira gradual, intercalada por momentos de humor ácido e ironia, trazendo à tona questões existenciais em um cenário de apocalipse zumbi. A estética visual é outro ponto de destaque, misturando elementos da cultura pop e referências cinematográficas de forma habilidosa, o que contribui para uma atmosfera única. O tom sarcástico da trama, reforça o ritmo leve, cômico e dinâmico da narrativa.

No decorrer da história, a interação entre os protagonistas revela camadas mais profundas sobre o que significa sobreviver em um mundo devastado, questionando até onde vai a humanidade em situações extremas. Ao misturar ação, diálogos afiados e nostalgia, "Depois do Fim do Mundo" consegue criar uma obra que transcende o gênero de Animação e proporciona uma deliciosa e divertida experiência. 




quinta-feira, 21 de novembro de 2024

EFEITO CASIMIRO (2013)

 


Edílcio Barbosa foi o homem que anunciou que uma espaçonave vinda de Júpiter iria pousar numa fazenda localizada na cidade de Casimiro de Abreu, no interior do estado do Rio de Janeiro, no dia 8 de março de 1980, 05h20min da manhã.

O anúncio feito por Barbosa tinha tudo para não dar em nada, porém, o que aconteceu posteriormente foi uma curiosidade em massa, tanto por ufólogos, imprensa e curiosos, de que uma nave pousaria no local indicado pelo enigmático homem.

O Documentário “Efeito Casimiro” retorna ao ano de 1980 e explorar, desde o contexto sócio-político da época, até a forma como Casimiro de Abreu se tornou uma espécie de “Woodstock brasileira”.

Com depoimentos de pessoas que presenciaram toda a movimentação na cidade e na fazenda, imagens de arquivos em fotos, vídeos e páginas de jornais da época, se tem a noção do evento e como milhares de pessoas de vários locais do Brasil e de outros países se reuniram.

Num Brasil policiado pelos militares, o encontro em Casimiro de Abreu representou um grande encontro e uma enorme festa de vários tipos de pessoas e de várias origens. Em meio à multidão, havia os que beberam, fumaram maconha, ouviram música e muito mais do que poderia ser feito durante uma festa.

Com um rico trabalho de pesquisa, a diretora Clarice Saliby, detalhou perfeitamente todo o frenesi vivido pelas pessoas na época. Responsável também pelo argumento, roteiro e montagem, a diretora e as equipes criativa e técnicas entregaram um trabalho perfeito. Um curta que mantém o nível de atenção alto, desde o início até o final. Mesmo com a ausência dos jupiterianos, o curta consegue manter a curiosidade, ainda mais pelo que é relatado sobre o personagem principal, Edílcio Barbosa.

“Efeito Casimiro” é um Documentário que mescla com a Ficção Científica e aguça a curiosidade por um dos fatos mais marcantes da ufologia brasileira. Apesar da mancada dos extraterrestres que não apareceram naquela manhã de março de 1980, Barbosa deixou uma nova mensagem e que faz crer que ele sabia muito sobre os visitantes jupiterianos.




quarta-feira, 20 de novembro de 2024

A VALSA DO PÓDIO (2013)

 


O documentário acompanha a trajetória da vitoriosa paratleta Terezinha Guilhermina e seu guia Guilherme Santana nos Jogos Paralímpicos de Londres em 2012.

Através de imagens de arquivos, depoimentos e animações, o curta aborda a infância pobre na região metropolitana de Belo Horizonte, a entrada do esporte em sua vida e as conquistas das medalhas de ouro nos 100 e 200 metros rasos para cegos (T11).

É muito interessante como Terezinha e Guilherme se complementam e em como essa união culminou com as vitórias em Londres. Tanto Terezinha quanto Guilherme detalham como os dois atletas precisam estar em perfeita harmonia nos movimentos de pernas e braços.

O roteiro de “A Valsa do Pódio” é muito bem desenvolvido pelos diretores Bruno Carneiro e Daniel Hanai, com uma perfeição técnica das equipes de fotografia, som, produção e com uma montagem extremamente pontual, intercalando as narrações com imagens de arquivos e animações.

É impressionante a determinação e foco que Terezinha Guilhermina tem e a sua importância para o esporte brasileiro. Fez história e isso jamais será apagado. “A Valsa do Pódio” só reforça o orgulho de termos uma atleta como Terezinha e a inspiração que ela propicia para muitos atletas e paratletas brasileiros.




OK, KAREN (2022)

 


O curta, com roteiro e direção de Hugo L.V. e Oliveira, apresenta Camila Ferrazzano no papel de Letícia. Vivendo em sua residência durante o início da pandemia de Covid-19, mantém contato diário com Karen, uma assistente virtual.

Já no início, Letícia se vê numa situação devastadora, recebendo a notícia do falecimento de uma pessoa próxima e a difícil decisão de retirar ou não o nome da pessoa da agenda virtual.

Produzido em 2022, “Ok, Karen” descreve com precisão as tristezas, medos e angústias de um período tão difícil. Karen reproduz várias opiniões sobre o vírus, desde orientações sanitárias até fake News relacionadas à origem do vírus. “Ok, Karen” é um Drama extremamente realista, pois retrata fielmente o que muitas pessoas vivenciaram na pele. E, quase três anos após o início da disseminação do vírus, o curta ainda é impactante, tanto por fazer o espectador relembrar do começo, como pelo trauma coletivo, que afetará toda a geração que precisou enfrentar a pandemia.

O curta usa ainda as vozes de Lays Bezerra, como Karen, e Mirella Queiroz, no papel da mãe de Letícia, para construir o universo sufocante, melancólico e sombrio da casa de Letícia. Os aspectos técnicos também são extremamente eficientes para trabalhar na construção desse ambiente de aflição e medo, ao qual a protagonista vive.

Com o aumento no número de mortes e o risco de contaminação, Letícia é afetada intensamente emocional e psicologicamente. Saber a porcentagem de risco de contaminação passa a ser uma constante na vida dela, ao ponto de viver sempre no limite mental.

“Ok, Karen” tem uma narrativa muito interessante e um arco dramático angustiante e triste. O filme reflete sobre como, num momento de obrigatoriedade de distanciamento social, a solidão e o luto são elementos que afetam de forma implacável uma pessoa.




terça-feira, 19 de novembro de 2024

O SELVAGEM (2016)

 


Em seus quase cinco minutos, “O Selvagem” é um curta que tem um ritmo narrativo muito bem produzido. E o filme supera expectativas, justamente por mostrar pouco, porém, com intensidade. Talvez o maior medo que alguém que esteja numa mata possa sentir é o perigo que ronda. E o diretor Lucas Piaceski faz isso de forma muito consciente, precisa e certeira no curta que mescla Fantasia e Terror.

Embora o homem que entra na mata, à procura de água, esteja armado, o Saci não é a maior ameaça. Andar por um lugar desconhecido se torna o maior perigo, ainda mais quando o personagem se fere gravemente.

Por se tratar de uma figura mítica, o filme pode considerar o Saci como uma figura que se materializa frente o caçador, mas também se pode considerar o fato do personagem principal estar perdendo sangue. Se quisermos fazer uma abordagem mais metafísica, o filme gera um impacto muito interessante. Mas também, se a pessoa decidir por uma abordagem mais materialista, o impacto também é bastante forte. E estar aberto para esses tipos de abordagens é por mérito do texto e da direção.

Wagner Piaceski interpreta o jovem caçador que deixa o carro na beira da estrada e se aventura na mata, enquanto que Henrique Bressan está na pele da lendária criatura do folclore brasileiro.

Apesar do filme ter o idioma inglês, isso não interfere na essência da lenda e da proposta do filme. O principal fator do filme é a situação do protagonista e, sendo estrangeiro ou brasileiro, há justificativas para a ação dele logo após o surgimento do Saci. O medo impulsiona a atitude tomada pelo caçador.

Ao propor um encontro entre a vida ou morte, o bem ou mal, ou selvagem ou civilizado, a trama nos faz refletir sobre quem é bom ou mau, quem escolhe a vida ou a morte e quem é selvagem ou civilizado. E esses questionamentos são feitos porque talvez a ameaça seja um e não o outro. “O Selvagem” articula muito bem essas relações de confronto e o filme deixa em aberto o que cada um escolhe. É um filme muito bem produzido, com uma resolução final totalmente surpreendente e aterrorizante.




 

FUI COMPRAR CIGARROS (2012)

 


Entre cigarros e um clima poético, “Fui Comprar Cigarros” narra os pensamentos de um homem que vive intensamente uma relação. Provavelmente este seja o momento mais marcante de sua vida e é muito interessante como a narrativa o coloca na situação entre o “porquê” de uma coisa demorar a acontecer ou simplesmente acontecer somente após a conjugação de vários eventos.

O filme transita muito bem na combinação do Drama e do Romance, conduzindo o espectador para o universo dos protagonistas, de como se conheceram, de tudo o que viveram e como cada um tem muito a conhecer um do outro.

A vida é assim: a gente não conhece nem a nossa própria vida em sua totalidade, quanto mais a de outra pessoa? O homem, interpretado por Laerte Késsimos, levanta os questionamentos de como a vida pode surpreender quando deixamos as coisas acontecerem. O que ele vive com a mulher, interpretada por Laryssa Dias é uma paixão de uma vida. Cada toque, cada olhar, cada palavra, tudo está acontecendo ali naquele momento, e é tudo real.

“Fui Comprar Cigarros” fala de maneira poética de como o protagonista lida com seus conflitos internos e de como o tempo influencia as coisas que acontecem. Uma única noite pode dar sentido a uma vida inteira e realizar um sonho de muito tempo.

Com um belo roteiro de Leo Castelo e Rose Calza e direção refinada de Marcel Mallio, “Fui Comprar Cigarros” foi produzido de forma muito sensível. A narrativa em off, coloca o espectador lado a lado com o personagem masculino, criando um vínculo e facilitando a imersão. Trilha sonora, fotografia e arte justificam ainda mais a qualidade do filme que, ao mesmo tempo tem um ar vibrante e libertador, mas também é muito sensível.




OS ÓCULOS DO VOVÔ (1913)

 


A comédia filmada na cidade de Pelota (RS) é o filme brasileiro de ficção mais antigo e ainda preservado. Embora, seja o filme mais antigo com registro físico, do seu original com 15 minutos, restaram apenas fragmentos que totalizam quase 5 minutos, resgatados na década de 1970.

Os poucos minutos que guardam parte de “Os Óculos do Vovô”, apresentam um garoto que pinta os óculos do avô, enquanto ele dorme. Ao acordar, o idoso pensa estar cego.

A trama se desenrola com a mãe tentando fazer o menino ficar quieto, diante das traquinagens que ele apronta. E, diante da possível cegueira, o pai liga para um médico.

“Os Óculos do Vovô” traz um retrato do Brasil do início do século 20. As imagens do figurino da época, dos aparelhos telefônicos e da caleça que transporta o médico até a residência da família, demonstram um pouco da realidade em que o filme foi produzido.

O elenco do filme tem, além do diretor e roteirista Francisco Santos, que interpretou o avô, Mário Ferreira Neto, Graziela Costa, Jaime Cardoso, Jorge Diniz e Óscar Araujo. O garoto, causador das confusões, interpretado por Mário Ferreira Neto, que posteriormente ficou famoso como filósofo e escritor, era neto do diretor, e contava cerca de 6 anos durante as gravações.

“Os Óculos do Vovô” tem uma importância histórica e cultural enorme, principalmente por ser a obra audiovisual mais antiga ainda preservada. Qualquer pessoa que se interesse pela história do cinema brasileiro, precisa iniciar sua pesquisa pelos resquícios guardados nos 4 minutos e 34 segundos do filme “Os Óculos do Vovô”.






segunda-feira, 18 de novembro de 2024

CASA DO CAPETA (2010)

 


É quarta-feira de cinzas e um grupo de foliões decide entrar numa mansão abandonada. O que era para ser apenas uma brincadeira, se torna uma situação de medo e pavor, quando os jovens descobrem o mal que há no lugar.

Falar da competência de Rodrigo Aragão como roteirista e diretor de Terror é chover no molhado. Praticamente, ele nasceu para produzir filmes do gênero. E com “Casa do Capeta” não é diferente. O filme tem uma identidade única, que homenageia as produções mudas em preto e branco, mas com uma identidade bem atual. Falando em identidade, o curta tem uma identidade visual e sonora muito autêntica. Os movimentos da câmera e a trilha sonora que relembra um disco girando ao contrário, dão muito mais substância para a trama e para o morador da residência.

A equipe criativa e técnica entrega um ótimo filme que causa um desconforto. Como a trama se desenrola e com cada personagem tem um fim é narrativamente e visualmente apavorante. Quando os personagens percebem que não há saída e que estão presos no local, é muito desesperador.

E a forma como tudo acontece, após o segundo ponto de virada, é muito surpreendente. O mesmo ritual que, aparentemente, trouxe a criatura para aquela casa é feito, só que nem tudo sai como o esperado. E isso é um ponto muito interessante, porque o diretor usa a imprevisibilidade como ótima ferramenta. Quando o espectador pensa uma coisa, acontece outra. E essa quebra de expectativa é muito legal.

Como não poderia deixar de ser, o filme tem figurino e maquiagem de primeira. Os efeitos práticos também são outro ponto de destaque na produção do curta.

“Casa do Capeta” é um filme com uma identidade especial, produzido com muita criatividade e eficiência dos meios técnicos. O filme cumpre muito bem o papel de ser um bom entretenimento para os fãs de Terror. E tudo com uma qualidade inquestionável.




 

sábado, 16 de novembro de 2024

PAJERAMA (2008)


 No idioma Tupi, Pajerama significa “futuro pajé”. Para os nativos do tronco Tupi no Brasil, o pajé é a liderança que tem funções importantes no seu grupo, na sua aldeia. Dentre as atribuições do pajé, está a ligação espiritual do mundo material com a espiritualidade, a cura de doenças, preparação de ritos tradicionais, transmissão de sabedoria antepassada, etc.

Na Animação “Pajerama”, acompanhamos um jovem indígena que está caçando e se depara com uma situação caótica. Numa alusão a “2001: Uma Odisseia no Espaço”, o jovem índio se vê diante de um monolito, tocando-o e entrando num frenético universo, envolvendo estradas, veículos, metrôs, sinais de rádio, pontes, viadutos, sinais de trânsito, outdoor, etc. É uma experiência surreal e assustadora.

O jovem indígena se vê numa situação perigosa em meio a tantas coisas desconhecidas. E, geralmente, o desconhecido assusta. E aí que o monolito cumpre sua função, tal qual em “2001”. Ao tocar o monolito, um novo universo se abre. E não é porque somente isso, que o novo universo será melhor.

“Pajerama” trabalha com a ideia de como uma cultura pode impactar outras. O filme aborda a reflexão das diferenças entre indígenas e não-indígenas e como as expansões dos não indígenas podem interferir no modo de vida, nas relações sociais, nas tradições dos povos originários. Desde o século XVI, os nativos das Américas passaram a sofrer uma imposição no seu modo de vida, porém, “Pajerama” mostra essa imposição cultural, social, étnica econômica, política, nos tempos atuais.

Uma das dúvidas que fica é se realmente o jovem indígena se tornará um pajé algum dia. E aí, pode-se fazer um paralelo com o ótimo filme do diretor Luiz Bolognesi, “Ex-Pajé”. Tanto o filme de Luiz Bolognesi quanto o filme do diretor Leonardo Cadaval se complementam. Além da direção, Cadaval é responsável pelo roteiro e storyboard do Drama em Animação.

“Pajerama” é um filme profundo que aborda importantes questões sobre a avanço da população não-indígena e como os contatos podem ser (e foram) traumáticos e prejudiciais para os indígenas do que hoje conhecemos como Brasil.




SOB O CÉU NORDESTINO (1929)

         Com produção, roteiro, direção e fotografia de Walfredo Rodrigues, o filme “Sob o Céu Nordestino” é originalmente um longa-metragem...