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sexta-feira, 4 de julho de 2025

PARANOIA (2025)


            Com roteiro e direção de Ju Cassini, “Paranoia” é um Terror perturbador que transita entre o suspense sobrenatural e o thriller psicológico com muita competência e qualidade.

         Luiz Fontes interpreta o atordoado Daniel, que carrega consigo traumas de uma brincadeira que não saiu como o esperado. Sua companheira, Marina, interpretada por Beatriz Algranti, é o ponto de racionalidade, que procura fazer com que Daniel mantenha a sua sanidade mental. As atuações de Luiz e Beatriz são viscerais, intensas e positivamente impactantes. O elenco ainda conta com a participação de Marisa Carnicelli.

            Tudo em “Paranoia” funciona. O susto inicial de Daniel é o gancho para que seus problemas sejam transmitidos ao espectador. A inquietação de Marina, combina com a paciência, pois, para ela, o companheiro sofre de algum distúrbio. E é aí onde “Paranoia” se destaca. Ao deixar no ar se as visões de Luiz são alucinações ou algo a mais, o filme trabalha com as duas hipóteses de maneira primorosa. O texto não bate o pé e afirma que as perturbações de Daniel são reais ou alucinações. Esse namoro do Horror psicológico com o Thriller sobrenatural é intenso, impactante e delicioso para os fãs do gênero.

         “Paranoia” tem elementos técnicos muito bem empregados. A direção de fotografia consegue alternar um ambiente acolhedor e assustador. A escuridão do quarto, iluminado apenas por um abajur, se mostra como um ambiente confortável, onde Marina lê um livro. Mas, com a entrada de Daniel, a mesma escuridão já não passa a transmitir o mesmo senso de afinidade, fazendo com que, talvez, o melhor seja acender a luz e deixar o ambiente o mais claro possível.

           A trilha sonora acerta em cheio ao construir o ambiente acolhedor e, com cortes rápidos, começar a imergir o espectador na mente de Daniel. E a trilha cresce em intensidade junto com a trama, quando o protagonista acorda no meio da madrugada.

         A direção de arte merece destaque e todos os elogios possíveis. Os elementos explorados são de uma precisão extrema. Os efeitos práticos são perfeitamente aplicados e tudo é maravilhosamente bem construído. As ações de Daniel causam angústia e aflição. E para os fãs do Terror, terminam por causar satisfação, devido à qualidade da obra.

         Quem assiste “Paranoia” sem saber, provavelmente irá considerar que a obra foi produzida por algum profissional veterano. Mas este é apenas o segundo filme produzido por Ju Cassini. A jovem diretora apresenta ótimos predicados para a produção de um excelente filme de Terror, inserindo aspectos visuais e sonoros extremamente pertinentes, pontuais e necessários. Não há nada fora do lugar em “Paranoia”; tudo está no lugar certo e na hora certa. Não há exageros e tudo o que acontece em cena é a extração do máximo que o texto oferece.

               Ju Cassini desponta como um grande nome nas produções de Terror brasileiro. Já em “Reflexos”, de 2024, ela já demonstra um grande potencial. Com “Paranoia”, já é possível perceber que a diretora-roteirista sabe o que está fazendo e tem pleno conhecimento de como elementos técnicos e narrativos devem ser empregados. Aí, é o caso de perceber talento, conhecimento e dedicação por parte de Ju Cassini. Este parece ser o início de uma carreira brilhante.

         “Paranoia” é um filme de Terror maiúsculo, que explora o sobrenatural e as perturbações psicológicas de maneira magistral, mesclando realidade, alucinações e traumas profundos de forma tão sutil quanto angustiante, levando o espectador a duvidar da sanidade do protagonista e da sua própria. Pois, a linha que separa realidade e sobrenatural não é estabelecida, cabendo ao espectador tentar descobrir se tudo o que aconteceu foi real ou não.




quarta-feira, 18 de junho de 2025

DIA DE EXORCISMO (2018)

A Comédia de Terror “Dia de Exorcismo” é um curta que, em seus pouco mais de 8 minutos entretém, diverte e causa aquele certo desconforto que só os filmes Trash são capazes. Lógico, que tudo incrementado por um forte humor mórbido e ácido.

         Com direção, roteiro, e montagem de Vinícius J. Santos, “Dia de Exorcismo” se destaca pela forma como une elementos do Terror Trash e Comédia na medida certa, com uma narrativa que satiriza as produções sobre possessões demoníacas.

         O elenco conta com Marcelo Rodrigues, no papel de Padre Estevam, Gustavo Peres, como Padre Henrique, Ana Rosenrot, interpretando Iolanda, a mãe da jovem possuída e Adriele Faria no papel da jovem encapirotada. As atuações dispensam comentários, afinal são nomes respeitados, com outros trabalhos ótimos.

         O roteiro se desenvolve de forma eficiente, com elementos técnicos muito interessantes. Os efeitos visuais, práticos ou as alterações na fotografia, demonstram uma qualidade impressionante. A união de um bom texto, com aspectos técnicos pontuais e atuações fortes, conseguem causar espanto e também rir, quando a Comédia se sobrepõe ao Horror. E isso é alternado de forma brilhante nas transições entre os gêneros.

        Padre Estevam, mais experiente, conta com a ajuda do jovem Padre Henrique. Diante de um demônio agressivo, ambos são pegos de surpresa pelas peripécias da entidade, tendo o clímax no humor escatológico e da situação bizarra.

         Com Estevam dominado pela garota, que havia conseguido se soltar das amarras, cabe ao jovem Henrique, prosseguir com a sessão de exorcismo para salvar Estevam e libertar a jovem das garras do demônio.

         “Dia de Exorcismo” se aproveita dos clichês do subgênero de possessões demoníacas a seu favor para construir uma obra criativa, divertida e cativante. Muitos dos ataques do demônio já foram vistos em praticamente todos os filmes com essa temática. Porém, um dos ataques, totalmente inesperado, arranca risos devido à forma como o demônio decide sujar o padre.

         Um ponto de destaque de “Dia de Exorcismo” está na direção de arte, com figurino bem alinhado e maquiagem realmente surpreendente. Juntando a fotografia caprichada e trilha sonora coesa, temos uma obra muito bem executada, em seus mínimos detalhes.

            Os realizadores acertaram em cheio nas suas escolhas, com tudo muito bem dosado, mantendo a coesão narrativa e dramática no ponto certo. O filme consegue capturar a atenção do espectador com a sua trama carismática e pontos surpreendentes, que fazem de “Dia de Exorcismo” uma ótima pedida, tanto para os fãs de Terror quanto para os fãs de Comédia.  






domingo, 9 de março de 2025

LARVAE (2015)





Em uma isolada e pacata propriedade rural, um agricultor começa a ser atormentado por um zumbido incessante e dores intensas em seu ouvido. À medida que o incômodo cresce, ele decide investigar o problema por conta própria e descobre uma larva que havia se alojado em seu ouvido. Acreditando que teria resolvido a questão, ele se tranquiliza momentaneamente. No entanto, as dores e o zumbido retornam de forma ainda mais intensa, levando-o a procurar um médico. Após a consulta, o diagnóstico é tão assustador quanto a situação: uma mosca havia entrado em seu ouvido e depositado uma quantidade significativa de ovos. O médico retira diversas larvas, mas mesmo com a intervenção, o agricultor descobre que a solução definitiva para seu problema exigiria uma consulta com um especialista, algo que poderia levar muito tempo. Com o tormento aumentando e a espera se tornando insuportável, o protagonista começa a perder o controle sobre si mesmo, culminando em uma atitude desesperada e insana que encerra o filme de maneira perturbadora.

O curta-metragem "Larvae", dirigido e roteirizado por Felipe M. Guerra, é uma obra de Terror que se destaca pela combinação eficiente de elementos dos subgêneros Trash e Gore. Desde o início, o filme se propõe a mergulhar o espectador na experiência agoniante do protagonista, utilizando recursos visuais e sonoros que intensificam o desconforto. A estética visual é construída com grande competência através do uso de efeitos práticos, que criam uma atmosfera grotesca e visceral. O espectador é confrontado com cenas gráficas e explícitas, que exibem o sofrimento físico do personagem com uma crueza impressionante. O sangue, as larvas e o constante foco no ouvido do protagonista são elementos que reforçam a tensão, aproximando o público do terror que o personagem vive.

A direção de Felipe M. Guerra demonstra uma habilidade ímpar em orquestrar o desconforto, criando uma crescente de angústia ao longo da trama. A escolha de planos e ângulos de câmera é essencial para essa construção. No início do curta, prevalecem ângulos mais abertos, que contextualizam o ambiente rural e a rotina solitária do agricultor. Contudo, conforme o tormento avança, a câmera se aproxima do protagonista, com planos fechados e invasivos que amplificam a dor e a sensação de perturbação do personagem. Essa transição é acompanhada por uma trilha sonora cuidadosamente construída para evocar tensão e desconforto. Os sons perturbadores, como o zumbido no ouvido e o barulho das larvas, são trabalhados de forma a intensificar a angústia do espectador, criando uma imersão sensorial que vai além do visual.

Além dos aspectos técnicos, é necessário destacar o trabalho do elenco, que contribui significativamente para o impacto dramático de "Larvae". Renoaldo Pavan, que interpreta o agricultor protagonista, oferece uma atuação impressionante. Sem muitos diálogos, ele transmite a crescente agonia de seu personagem através de expressões faciais e corporais. A forma como o medo, o desespero e a loucura vão se apoderando dele ao longo da narrativa é um dos pontos altos do filme. O elenco coadjuvante, composto por José Carlos Ribeiro e Oldina do Monte, também entrega performances convincentes, reforçando a veracidade das interações e elevando o nível da produção.

O roteiro de Felipe M. Guerra é outro fator de destaque. Embora a premissa de uma infestação de larvas no ouvido seja, por si só, uma ideia perturbadora, o desenvolvimento da trama vai além do terror físico, abordando também o impacto psicológico do sofrimento prolongado e da espera por uma solução. A narrativa explora como a dor constante pode levar uma pessoa à beira da insanidade, tornando o protagonista vulnerável a atos extremos. O filme não oferece um alívio fácil para o espectador; ao contrário, ele mantém a tensão até o final, culminando em uma resolução brutal e chocante.

A fotografia desempenha um papel crucial na construção do clima do filme. Com um cuidado estético, combinado com a direção de arte detalhada, cria uma atmosfera opressiva que é mantida do início ao fim.

Outro ponto que merece ser ressaltado é o uso do som em "Larvae". O design sonoro do filme é tão importante quanto os elementos visuais. Os zumbidos, o barulho das larvas e os sons ambientes são usados de forma estratégica para amplificar o horror e criar uma experiência sensorial completa. É uma obra que explora o desconforto de maneira minuciosa, fazendo com que o espectador sinta fisicamente o tormento vivido pelo protagonista.

A sequência final de "Larvae" é, sem dúvida, um dos momentos mais impactantes do filme. Incapaz de suportar a dor e o tormento mental, o protagonista toma uma decisão desesperada que culmina em um ato de surpreendente. O desfecho é brutal e não oferece qualquer tipo de resolução confortável, deixando o espectador atordoado e reflexivo. A escolha de encerrar o filme dessa forma é ousada e reforça a natureza perturbadora do curta, tornando-o uma obra que não é recomendada para espectadores sensíveis, especialmente aqueles que podem ser afetados por temas de autolesão e desespero.

"Larvae" é uma obra de Terror que se destaca pela sua ousadia e pela capacidade de gerar desconforto genuíno. Com uma trama simples, mas muito bem executada, o curta-metragem utiliza os elementos clássicos do Gore e do Trash para construir uma experiência visceral, onde os aspectos técnicos, como a direção de arte, os efeitos práticos e o design de som, trabalham em perfeita harmonia para criar uma atmosfera de horror intenso. O resultado é um filme perturbador, que deixa uma forte impressão e é especialmente recomendado para os fãs do gênero que apreciam obras carregadas de tensão e brutalidade visual. "Larvae" é uma experiência única dentro do Terror Trash e Gore, e merece ser destacado pela qualidade com que entrega seu impacto dramático e sua originalidade.   



   

SOB O CÉU NORDESTINO (1929)

         Com produção, roteiro, direção e fotografia de Walfredo Rodrigues, o filme “Sob o Céu Nordestino” é originalmente um longa-metragem...