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sábado, 8 de novembro de 2025

A PEDRA DO TESOURO (1965)

 


Com roteiro e direção de Roberto Farias, “A Pedra do Tesouro” é um curta-metragem que mescla com inteligência e espontaneidade os gêneros Comédia, Aventura e Faroeste, resgatando o espírito das tradicionais chanchadas brasileiras. A narrativa parte de uma premissa simples e envolvente: a descoberta de uma enorme pedra que guarda sob si um tesouro misterioso e supostamente valioso, capaz de despertar a ambição, e a trapalhada, de quem chega ao local.

Produzido pela Produções Cinematográficas R. F. Farias, o filme marca um momento histórico no audiovisual brasileiro: é a estreia de Renato Aragão e Dedé Santana no cinema. Mais tarde, com a chegada de Zacarias e Mussum, essa parceria daria origem ao fenômeno cultural “Os Trapalhões”, um grupo que influenciaria o humor e o entretenimento no país por décadas. Aqui, vemos os alicerces do que viria a ser o estilo inconfundível do quarteto: inocência, humor físico, improviso e uma energia quase cartunesca.

A trama se desenvolve com a chegada dos dois protagonistas ao local onde a pedra está enterrada. Porém, o clima de aventura aumenta quando outro grupo, igualmente interessado no tesouro, surge na região. O resultado é um divertido confronto à moda antiga, com tiros, perseguições e uma dinâmica quase pantomímica, reforçada pela ausência de diálogos. A escolha de trabalhar apenas com trilha sonora e efeitos sonoros, sem falas, não apenas presta homenagem ao cinema mudo e às comédias físicas do passado, como também destaca a expressividade corporal dos atores. Tombos, corridas, escorregões, caretas e exageros performáticos evidenciam a vocação nata de Renato e Dedé para o humor físico.

O diretor acerta ao mesclar aventura e humor com um toque de mistério. Além da disputa pelo tesouro, a pedra em si ganha caráter quase mítico: é gigantesca, resistente a explosivos e extremamente pesada, mesmo com o auxílio de um jipe para removê-la. Esse elemento repetido gera expectativa cômica e reforça a narrativa baseada em gags visuais, algo que seria amplamente explorado posteriormente pelo grupo na televisão e no cinema.

Tecnicamente, “A Pedra do Tesouro” demonstra um belo equilíbrio entre simplicidade e inventividade. O uso criativo da fotografia, da direção de arte e do figurino contribui para situar o público naquele universo rústico, ao mesmo tempo em que deixa espaço para o humor emergir naturalmente das situações. A ausência de diálogos exige precisão no timing cômico, na montagem e no trabalho dos atores, e todos esses elementos funcionam com fluidez e eficiência.

Mais do que um curta divertido, “A Pedra do Tesouro” é um documento histórico do cinema brasileiro e um prenúncio de uma parceria artística que marcaria gerações. É claramente uma obra que vai além da função de entreter; ela apresenta ao público o embrião de uma das duplas cômicas mais queridas do país, revelando desde cedo o carisma, o talento físico e a química que fariam de Renato Aragão e Dedé Santana ícones do humor nacional.

Um curta que diverte, encanta e, principalmente, registra o início de uma jornada que se tornaria inesquecível para grande parte dos brasileiros.




quinta-feira, 26 de dezembro de 2024

LUZ, SOMBRA E MEDO (2014)

 


          Com apenas pouco mais de 3 minutos, “Luz, Sombra e Medo” narra o medo de um homem diante de seus medos quando é perseguido por lobos ferozes. Ele se refugia num ser muito maior e que emana luz, fazendo com que os animais se mantenham afastados.

         Com uma identidade visual extremamente bem elaborada, o diretor Mauricio Bartok mescla os gêneros Aventura, Drama e Fantasia nesta Animação. Os efeitos sonoros, de Daniel Figueiredo e José Miguel Enriquez, dão intensidade à trama, variando dentro da narrativa. O resultado é um curta produzido com perfeição e com uma mensagem muito bem definida.

         O filme traz a pertinente reflexão sobre a vida, os problemas, os medos e como enfrentamos tudo isso. A versatilidade de “Luz, Sombra e Medo” permite que as reflexões possam se dar através de um viés religioso ou por uma perspectiva filosófica. A mensagem é igualmente positiva.

         Seja se escondendo dos lobos ou procurando alguma proteção, o homem tem ações racionais, afinal, é muito difícil enfrentar os medos de peito aberto. Geralmente, isso é feito quando não há mais opções para se evitar e o enfrentamento dos medos se faz obrigatório.

         Agarrado ao gigante de luz, o homem permanece seguro e livre dos ataques dos lobos. Porém, quando ele entra num lago e, com certeza, irá sumir, o homem precisa lidar novamente com a falta de luz e segurança. A mensagem é direta e certeira; muitas vezes, os nossos medos, são motivados por nós mesmos. E isso serve para várias situações e vai de acordo com as nossas experiências de vida.

           Eu não posso chegar para uma pessoa e tentar minimizar os anseios, medos e frustrações dela, de acordo com a minha perspectiva. Da mesma maneira, nenhuma pessoa pode usar as suas experiências e visões de mundo para querer determinar como eu devo lidar para vencer os meus anseios, os meus medos e minhas frustrações. Com muita inteligência, a equipe criativa propõe que a vitória diante de medos, anseios e frustrações é uma coisa pessoal, particular e intransferível.

         Quando o gigante de luz começa a sumir, o que sobra para o homem é a sua sombra. E quando ele percebe a origem do que lhe amedronta, ele toma consciência de onde vem os lobos e como ele deve lidar com a presença deles. Talvez, conhecendo a verdade sobre eles, o homem pode descartá-los e seguir com a sua vida de uma maneira mais livre, leve e com muito mais clareza para enfrentar outros problemas e medos que podem surgir ao longo da vida.

        “Luz, Sombra e Medo” é um curta com elementos técnicos muito bem empregados na sua produção, com uma narrativa muito bem definida e um arco dramático sólido e eficaz. O filme é uma Animação com várias camadas e que pode trazer inúmeras reflexões ao expectador.




SOB O CÉU NORDESTINO (1929)

         Com produção, roteiro, direção e fotografia de Walfredo Rodrigues, o filme “Sob o Céu Nordestino” é originalmente um longa-metragem...