Baseado em “A Pata do Macaco”, de W.W. Jacobs, o curta, com roteiro e direção de Leonardo Rolla, apresenta um casal que vive num local isolado. Através de um viajante que passou pelo local, eles recebem uma caixa contendo três ovos mágicos, capaz de realizar seus desejos.
“O
Peregrino de Catabranca” tem atuações geniais de Doró Cross, Edmilson Cordeiro,
que interpretam o casal e que se veem nos ovos possibilidades de resolverem
alguns de seus problemas. O filme conta ainda com a participação de Carlos
Eduardo Valente, que está na pele de um padre local e tem a difícil missão de
comunicar sobre o atropelamento e morte do único filho do casal.
Embora, “O Peregrino de Catabranca” seja um filme de Suspense e Terror, ele aborda de forma muito forte a questão do luto e do estado de negação diante da morte. Podendo recorrer a dois ovos restantes, o casal passa por um turbilhão emocional sobre trazer ou não o filho de volta ao mundo dos vivos. O drama psicológico envolvido carrega um peso enorme, e os realizadores acertam em cheio na escolha de ambientes escuros, com atmosfera densa e pesada, que reflete o estado mental e emocional dos personagens diante da tristeza e do luto.
O
curta conta com um trabalho primoroso da equipe de som na trilha sonora, com
sons intrigantes e misteriosos, o que deixa o clima ainda mais carregado,
principalmente no terceiro ato e na resolução final.
O ambiente fechado e escuro, com alguns pontos clareados por velas, transmite a sensação de isolamento físico, mas também mental, diante da perda e do perigo que os personagens sofrem, ainda mais após o segundo ovo ser quebrado, com a intenção da volta do filho morto. Neste ponto, o filme tem um nível elevado de tensão, com uma mistura de sons que confundem. Além dos estalos da lenha que queima, há sons que podem indicar que o filho está de volta. Essa confusão de sons leva o espectador a altos níveis de curiosidade, suspense e medo.
“O
Peregrino de Catabranca” tem uma direção de arte extremamente eficiente em
criar o ambiente onde o casal vive, com o rústico se destacando em meio à
pobreza do casal. Além da qualidade narrativa, o curta tem elementos técnicos
utilizados de forma perfeita, causando vários tipos de sentimentos no
espectador. O Terror de “O Peregrino de Catabranca” é sensorial, levando quem
assiste para dentro daquela realidade, sem mostrar exatamente, mas sugerindo,
como o mal pode chegar até a residência do casal e como aquilo pode representar
a destruição deles.



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