Antes de qualquer coisa, é preciso alertar que “Juvenília” é um filme extremamente forte e pesado, não sendo indicado para pessoas sensíveis. Muito provavelmente, este é um dos curtas de Terror mais chocantes, nem tanto pela forma, mas pelo conteúdo violentamente perturbador.
O
diretor e roteirista Paulo Sacramento apresenta uma narrativa através de uma
exposição de fotos que conduzem a trama. As primeiras imagens mostram um bairro
tranquilo, de médio padrão e ruas largas. Logo, os personagens surgem em cena.
Eles são interpretados por Christian Saghaard, Paolo Gregori, Vitor Ângelo e
Sônia Marmo. À toa, andam pelo bairro, até que encontram um cachorro. Eles,
então, decidem por uma sessão de tortura e assassinato do animal.
Essa
sequência de cenas é muito perturbadora, pois o sadismo domina o ânimo dos
jovens. Enquanto as imagens mostram as primeiras agressões até a abertura do
ventre do cachorro já morto, os jovens riem e se divertem.
A polêmica que gira em torno do filme de Paulo Sacramento se dá pela violência contra um animal indefeso; e essa realmente é a ideia do filme. Porém, é necessário explicar que o cachorro usado nas filmagens já estava morto.
O
local onde os realizadores conseguiram o cão é um canil, onde animais são recolhidos.
Se ninguém procurar pelo animal num prazo de três dias, o mesmo é sacrificado.
A equipe de Paulo Sacramento solicitou um desses animais recém sacrificados.
Portanto, o cachorro filmado para o curta já estava morto.
“Juvenília”
é um filme de violência extrema, que incomoda demais, mesmo com um animal
morto. Se outros filmes de ficção, apresentam cenas violentas de tortura com
humanos ou assassinatos de crianças, a obra de Paulo Sacramento soa muito mais
violenta por se tratar de um semidocumentário. Jovens entediados caminham pelas
ruas do bairro, até encontrarem algo que lhes dê satisfação: torturar e matar
um cachorro.
Num
país onde, infelizmente, muitos já se acostumaram com a violência periférica e
negra, é chocante ver jovens brancos e de classe média cometendo um crime tão
hediondo. A proposta do filme é abordar essas contradições. Por que a violência
distante da nossa realidade não perturba tanto quanto a que é cometida pelos
jovens do filme? Infelizmente, houve uma naturalização da violência contra
crianças, jovens e adultos negros periféricos. O maior impacto do filme de
Sacramente se dá, justamente pelo fato dos envolvidos não serem jovens pobres,
negros e de periferia. Os personagens não são jovens, envolvidos com
criminalidade, e que podem matar ou morrer a qualquer instante. O
diretor-roteirista força o espectador a questionar que violência é violência,
não importa quem é o autor ou a vítima. O filme propõe uma reflexão muito maior
do que é mostrada em tela.
“Juvenília” é um filme chocante, até para quem tem estômago. O curta é um Terror Gore extremamente perturbador. O filme vai além da trama de jovens que decidem matar um cachorro. O filme explora a maldade, o sadismo e o quão mau muitas pessoas podem ser. O Terror de Paulo Sacramento em “Juvenília” não tem nada de sobrenatural, ou Slasher, ou Thriller. É um Terror que se aproxima muito do real, e isso é motivo para se temer.



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