sexta-feira, 28 de março de 2025

LANDAU 66 (2008)

 








A chuva intensa não impede dois jovens de saírem para curtir a noite. Dentro do Landau ano 1966, os dois amigos planejam como será a noite. Porém, tudo muda quando passam por um homem na estrada que pede carona. Eles preferem não ajudar o homem, mas o carro tem um problema mecânico e para alguns metros à frente.

         “Landau 66” é um Suspense de primeira que, através de uma narrativa fluida, consegue manter o ritmo, mesmo com o filme se passando dentro do veículo. Aí, destaca-se os méritos tanto do texto, quanto da competente direção de Fernando Sanches, que com recursos técnicos muito interessantes, cria uma atmosfera tensa, logo após a pane no veículo, e que fica ainda mais pesada quando o enigmático carona entra no veículo.

         Logo após passarem pelo ponto onde o homem pede carona, o veículo para de funcionar imediatamente. Porém, ao explicarem que não tinham a intenção de dar carona, o homem pede para que abram o capô. Ele mexe em algo e, surpreendentemente, o veículo volta a funcionar. Isso faz com que os jovens se sintam na obrigação de levar o homem de carona.

        A conversa entre eles flui naturalmente e, sentindo-se à vontade com a presença do carona, iniciam um bate-papo à base de maconha e cerveja.

         É interessante notar que o excelente roteiro de J.M. Trevisan, vai soltando algumas pistas de algo ali não está normal. O motorista, filho do dono do Landau, parece não estar confortável, enquanto os outros dois bebem, fumam e conversam sobre garotas, noitadas, distrações.

          Pedro Carvalho, Ricardo Gelli e Victor Ribeiro têm atuações monstruosas, que, através do entrosamento deles, vai ditando o grau de tensão dentro do carro. E de papo em papo, a conversa chega num assunto que muda o destino de todos eles. Em seu clímax, “Landau 66” consegue elevar a tensão para o seu nível máximo, insinuando que algo sobrenatural possa estar afetando o comportamento dos jovens.

        “Landau 66” é um Suspense potente e surpreendente. Com ótimos elementos narrativos, dramáticos e técnicos, o filme intriga, fascina e impacta, com uma resolução final memorável.




terça-feira, 25 de março de 2025

A RUA DAS CASAS SURDAS (2016)

 







Com direção e roteiro de Flávio Costa e Gabriel Mayer, “A Rua das Casas Surdas” se passa na década de 1970. Numa vizinhança tranquila, Carlos e Ernesto estão no trabalho e acompanham a transmissão de uma partida de futebol. Logo que o jogo entre no intervalo, eles decidem voltar ao trabalho.

         “A Rua das Casas Surdas” trabalha com ótimos elementos dramáticos e narrativos. A trama é fluida, com o seu desenrolar sobre assuntos de futebol e curiosidades sobre baratas, que incomodam os protagonistas.

         A direção de arte fez um trabalho incrível de ambientação, com objetos e móveis e também na parte de figurino. E a equipe está atenta a todos os detalhes, pontuando todos os elementos que são necessários para impactar o espectador.

       Outro detalhe bastante interessante é a forma como Carlos e Ernesto dialogam, tanto quando o assunto é futebol, quanto quando o assunto parte para um lado mais obscuro e sádico, com Ernesto explicando sobre a sua experiência em retirar a cabeça de uma barata e ver a mesma sobreviver (e sofrer) por uma semana. A direção é certeira em demonstrar a naturalidade com que os protagonistas enxergam o trabalho. E isto é muito impactante, pois, ao descerem para o subsolo do imóvel, agem tranquilamente, como aquilo sendo algo rotineiro e comum.

          A forma como a narrativa transita entre os atos é de uma competência fora de série. Os únicos sons audíveis são, no primeiro ato, a transmissão do jogo e os diálogos dos personagens. Os diálogos são calmos e pausados, não demonstrando sentimentos de empatia ou compaixão por parte dos dois colegas de trabalho. Entre a ida para o subsolo e a preparação para a execução do trabalho, o que impera é o silêncio. E, uma vez que se abre uma porta e gritos são iniciados, o filme tem a resolução final surpreendente e chocante. Com a porta entreaberta ainda é possível ouvir o que acontece. Logo que ela é fechada, o silêncio volta a imperar.

         “A Rua das Casas Surdas” traz a reflexão sobre como alguns órgãos ligados à ditadura militar funcionavam e como impactavam a sociedade. A vizinhança sabia ou não sobre o que acontecia naquele local? Se soubesse, seria mais prudente fingir que não sabia?

         Um dos grandes acertos do filme é não explicitar a violência, deixando com que o som falasse por si só. Da mesma forma que a vizinhança não via o que acontecia, o espectador também não vê. O espectador somente ouve alguns instantes sobre o que acontece no local. Provavelmente, alguns moradores poderiam escutar algo, assim como o espectador. Porém, num período ditatorial, seria natural não procurar saber a origem ou detalhes dos sons vindos daquele imóvel.

              Outro detalhe extremamente pontual é o documento na lixeira, que diz muito sobre o destino do personagem que está no subsolo. A imagem é muito forte, pois, antecipa o destino desse personagem e toda a angústia que amigos e parentes terão posteriormente.

         “A Rua das Casas Surdas” tem um trabalho impecável de fotografia, som, trilha sonora e montagem. Todos os elementos técnicos são fundamentais para a realização de um curta que transita entre o Drama e o Thriller de uma forma impressionante, causando diversos tipos de sentimentos, quando a verdadeira face do trabalho de Carlos e Ernesto é exposta.

         Com atuações impecáveis de João França e Evandro Soldatelli, nos papéis dos protagonistas, “A Rua das Casas Surdas” conta ainda com Rafael Franskowiak, Léo Tietboehl e Luis Fernando da Silva Bettio no elenco.

         “A Rua das Casas Surdas” é um filme forte, impactante e reflexivo, pois leva o espectador a refletir sobre como muitos órgãos de repressão agiam e como muitas vidas foram afetadas durante a ditadura militar brasileira.




domingo, 9 de março de 2025

LARVAE (2015)





Em uma isolada e pacata propriedade rural, um agricultor começa a ser atormentado por um zumbido incessante e dores intensas em seu ouvido. À medida que o incômodo cresce, ele decide investigar o problema por conta própria e descobre uma larva que havia se alojado em seu ouvido. Acreditando que teria resolvido a questão, ele se tranquiliza momentaneamente. No entanto, as dores e o zumbido retornam de forma ainda mais intensa, levando-o a procurar um médico. Após a consulta, o diagnóstico é tão assustador quanto a situação: uma mosca havia entrado em seu ouvido e depositado uma quantidade significativa de ovos. O médico retira diversas larvas, mas mesmo com a intervenção, o agricultor descobre que a solução definitiva para seu problema exigiria uma consulta com um especialista, algo que poderia levar muito tempo. Com o tormento aumentando e a espera se tornando insuportável, o protagonista começa a perder o controle sobre si mesmo, culminando em uma atitude desesperada e insana que encerra o filme de maneira perturbadora.

O curta-metragem "Larvae", dirigido e roteirizado por Felipe M. Guerra, é uma obra de Terror que se destaca pela combinação eficiente de elementos dos subgêneros Trash e Gore. Desde o início, o filme se propõe a mergulhar o espectador na experiência agoniante do protagonista, utilizando recursos visuais e sonoros que intensificam o desconforto. A estética visual é construída com grande competência através do uso de efeitos práticos, que criam uma atmosfera grotesca e visceral. O espectador é confrontado com cenas gráficas e explícitas, que exibem o sofrimento físico do personagem com uma crueza impressionante. O sangue, as larvas e o constante foco no ouvido do protagonista são elementos que reforçam a tensão, aproximando o público do terror que o personagem vive.

A direção de Felipe M. Guerra demonstra uma habilidade ímpar em orquestrar o desconforto, criando uma crescente de angústia ao longo da trama. A escolha de planos e ângulos de câmera é essencial para essa construção. No início do curta, prevalecem ângulos mais abertos, que contextualizam o ambiente rural e a rotina solitária do agricultor. Contudo, conforme o tormento avança, a câmera se aproxima do protagonista, com planos fechados e invasivos que amplificam a dor e a sensação de perturbação do personagem. Essa transição é acompanhada por uma trilha sonora cuidadosamente construída para evocar tensão e desconforto. Os sons perturbadores, como o zumbido no ouvido e o barulho das larvas, são trabalhados de forma a intensificar a angústia do espectador, criando uma imersão sensorial que vai além do visual.

Além dos aspectos técnicos, é necessário destacar o trabalho do elenco, que contribui significativamente para o impacto dramático de "Larvae". Renoaldo Pavan, que interpreta o agricultor protagonista, oferece uma atuação impressionante. Sem muitos diálogos, ele transmite a crescente agonia de seu personagem através de expressões faciais e corporais. A forma como o medo, o desespero e a loucura vão se apoderando dele ao longo da narrativa é um dos pontos altos do filme. O elenco coadjuvante, composto por José Carlos Ribeiro e Oldina do Monte, também entrega performances convincentes, reforçando a veracidade das interações e elevando o nível da produção.

O roteiro de Felipe M. Guerra é outro fator de destaque. Embora a premissa de uma infestação de larvas no ouvido seja, por si só, uma ideia perturbadora, o desenvolvimento da trama vai além do terror físico, abordando também o impacto psicológico do sofrimento prolongado e da espera por uma solução. A narrativa explora como a dor constante pode levar uma pessoa à beira da insanidade, tornando o protagonista vulnerável a atos extremos. O filme não oferece um alívio fácil para o espectador; ao contrário, ele mantém a tensão até o final, culminando em uma resolução brutal e chocante.

A fotografia desempenha um papel crucial na construção do clima do filme. Com um cuidado estético, combinado com a direção de arte detalhada, cria uma atmosfera opressiva que é mantida do início ao fim.

Outro ponto que merece ser ressaltado é o uso do som em "Larvae". O design sonoro do filme é tão importante quanto os elementos visuais. Os zumbidos, o barulho das larvas e os sons ambientes são usados de forma estratégica para amplificar o horror e criar uma experiência sensorial completa. É uma obra que explora o desconforto de maneira minuciosa, fazendo com que o espectador sinta fisicamente o tormento vivido pelo protagonista.

A sequência final de "Larvae" é, sem dúvida, um dos momentos mais impactantes do filme. Incapaz de suportar a dor e o tormento mental, o protagonista toma uma decisão desesperada que culmina em um ato de surpreendente. O desfecho é brutal e não oferece qualquer tipo de resolução confortável, deixando o espectador atordoado e reflexivo. A escolha de encerrar o filme dessa forma é ousada e reforça a natureza perturbadora do curta, tornando-o uma obra que não é recomendada para espectadores sensíveis, especialmente aqueles que podem ser afetados por temas de autolesão e desespero.

"Larvae" é uma obra de Terror que se destaca pela sua ousadia e pela capacidade de gerar desconforto genuíno. Com uma trama simples, mas muito bem executada, o curta-metragem utiliza os elementos clássicos do Gore e do Trash para construir uma experiência visceral, onde os aspectos técnicos, como a direção de arte, os efeitos práticos e o design de som, trabalham em perfeita harmonia para criar uma atmosfera de horror intenso. O resultado é um filme perturbador, que deixa uma forte impressão e é especialmente recomendado para os fãs do gênero que apreciam obras carregadas de tensão e brutalidade visual. "Larvae" é uma experiência única dentro do Terror Trash e Gore, e merece ser destacado pela qualidade com que entrega seu impacto dramático e sua originalidade.   



   

UM CAFÉ E QUATRO SEGUNDOS (2018)

  Castro Mendes chega à residência de Aristides depois de décadas sem contato. Ex-colegas de trabalho em um órgão de repressão da ditadura m...