segunda-feira, 23 de junho de 2025

O QUADRO (2012)


 

No curta-metragem "O Quadro", a trama gira em torno de Sarah, uma mulher que, ao receber um quadro misterioso sem remetente, vê sua vida virar de cabeça para baixo com a manifestação de estranhos fenômenos. O filme, dirigido e produzido por Humberto Gomez e Thairon Bortolato, utiliza o Suspense de maneira envolvente, aprofundando o mistério que envolve o quadro, ao mesmo tempo em que entrega uma narrativa ágil e cheia de nuances.

Desde a primeira cena, em que Sarah encontra o pacote em sua porta, o espectador já é envolvido por uma atmosfera intrigante. O roteiro se destaca por sua capacidade de transmitir a sensação de estranheza e desconforto através de pequenos detalhes, como as reações da protagonista e os eventos sobrenaturais que ocorrem logo após o quadro ser pendurado. A direção é hábil em explorar o medo do desconhecido, sem se apoiar em sustos fáceis, mas sim na crescente tensão e nas sutis mudanças no ambiente ao redor da personagem.

Um dos pontos fortes de "O Quadro" é como o filme equilibra o Suspense com alívios cômicos, o que dá leveza em momentos de alta tensão. Esses momentos de humor são pontuais e bem executados, sem quebrar o ritmo ou a imersão do espectador no mistério. O filme também faz uso inteligente do conceito de curiosidade coletiva, quando, ao longo da história, amigos e até curiosos de fora começam a se interessar pelo quadro.

No elenco, Isabela Parkinson interpreta Sarah com uma profundidade que transmite a mistura de medo e curiosidade que a personagem sente em relação ao quadro. Vivian Duarte, como sua amiga, adiciona um tom questionador à história, enquanto Samir Murad, no papel do professor que lidera o grupo de pesquisa paranormal, traz um lado racional, tentando desvendar o mistério de maneira científica, mas se deparando com as limitações de suas explicações diante do inexplicável.

À medida que o grupo de especialistas em fenômenos paranormais tenta entender as alterações no quadro, a narrativa sugere teorias que vão desde a possibilidade das figuras retratadas no quadro estarem mortas, procurando se comunicar através do objeto. Essa suposição traz uma camada a mais de mistério, que prende o espectador e o faz questionar o que está realmente acontecendo.

A resolução do filme é extremamente eficiente e criativa, apresentando uma explicação para as estranhas mudanças no quadro de forma surpreendente. Contudo, o final também deixa algumas questões em aberto, o que faz com que "O Quadro" se encaixe perfeitamente no gênero conhecido como “Mindfuck”, em que o público é desafiado a interpretar a trama de maneiras diferentes, mantendo a discussão e a curiosidade.

Tecnicamente, o filme é impecável. A fotografia, assinada por uma equipe talentosa, ajuda a construir a atmosfera misteriosa, utilizando ângulos e planos que ajudam a amplificar o suspense. A direção de arte também merece destaque, com o design do quadro sendo um elemento central na trama, gerando um desconforto visual que contribui para o tom sobrenatural do filme. A trilha sonora, por sua vez, caminha de forma harmoniosa com o desenvolvimento da história, intensificando o clima de mistério e suspense.

No geral, "O Quadro" é uma obra que se destaca tanto pelo seu roteiro inteligente quanto pela sua execução técnica, entregando um suspense que não apenas entretém, mas também provoca reflexões e teorias. É o tipo de curta que deixa uma marca no espectador, principalmente por sua habilidade de manter o mistério vivo até o último segundo, sem dar todas as respostas, mas deixando uma pulga atrás da orelha.




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