quarta-feira, 5 de fevereiro de 2025

UM BRANCO SÚBITO (2002)







O curta-metragem “Um Branco Súbito”, que tem direção, produção e roteiro de Ricardo Mehedff, é um excelente representante brasileiro do subgênero “Mindfuck”. O excelente texto possibilita um grau de tensão elevado, o que garante uma ótima experiência para quem curte esse tipo de Suspense e gosta de tramas complexas.

Em tela, temos a ótima atuação de Bruce Gomlevsky, que interpreta um escritor que sofre com um bloqueio criativo. Ele tenta escrever, porém, é interrompido pelo toque da campainha. Pelo olho mágico, ele enxerga somente o olho da pessoa que tocou a campainha, sem ter como identificar a pessoa que passa a atormentá-lo.

É muito importante reparar que, mesmo antes do toque da campainha, a situação do cômodo onde o protagonista diz muito sobre o seu estado emocional e psicológico. A bagunça do local é um reflexo do seu estado mental. O bloqueio criativo pode ser destrutivo para algumas pessoas que tem na escrita o seu meio de ganhar dinheiro.

“Um Branco Súbito” tem uma narrativa coesa e complexa. O diálogo que ocorre na porta e as atitudes que o protagonista decide tomar ditam o ritmo da trama, mantendo um tom de expectativa e apreensão. E tudo corre de maneira fluida e surpreendente.

Além da narrativa e do excelente arco dramático, “Um Branco Súbito” se destaca também pelos seus aspectos técnicos de produção, com um excelente trabalho de fotografia, arte, montagem e trilha sonora. A combinação perfeita desses elementos causa ainda mais impacto numa narrativa densa, tensa e perturbadora.

Sobre a personalidade do protagonista, existem várias camadas que podem explicar o que houve (ou não). O cansaço físico e mental pode explicar o que acontece no desenrolar da trama. “Um Branco Súbito” abre margens para interpretações, o que faz dele uma experiência única. Especular sobre a sanidade mental de um personagem num filme de Suspense é uma tarefa maravilhosa que a equipe criativa deixa para o espectador. Será que o toque na campainha no início do filme foi o primeiro? Se foi, quanto tempo faz que o protagonista vive nesse looping? Essas são algumas perguntas que podem ser feitas, além de várias outras que podem surgir na cabeça de quem assiste ao filme.

“Um Branco Súbito” explora de forma muito inteligente o elemento imprevisibilidade. O diálogo que acontece, tendo a porta entre o escritor e quem tocou a campainha, como um simbolismo para o bloqueio criativo. Uma porta que não se abre e a insistência para que a mesma seja aberta talvez seja o maior conflito para o escritor que, em algum momento vai conseguir destravar a sua criatividade. Enquanto isso, ele convive com seus próprios demônios que o interrompem, atrapalham e o perturbam.


"Um Branco Súbito" está disponível no Embaúba Play: https://embaubaplay.com/catalogo/um-branco-subito/

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