segunda-feira, 10 de fevereiro de 2025

DUPLO SENTIDO (2024)

 









Quando Lívia chega em casa e entra em seu quarto, ela não poderia ter um susto maior. Ele vê uma versão dela, sentada em sua cama. Desesperada, liga para uma amiga, Lisandra, para lidar com a situação.

         Lisandra chega na casa de Lívia e duvida sobre a existência da “outra Lívia”, até a amiga abrir a porta e confirmar a duplicidade da amiga. A partir daí, a tensão aumenta gradualmente, tendo um desfecho extraordinário e surpreendente.

         “Duplo Sentido” é uma deliciosa obra de Suspense, tendo o subgênero Mindfuck para sustentar a base narrativa e dramática. Os diretores Luquiras e Gabriel Fernandes demonstram muita competência e habilidade ao construir uma atmosfera tensa, mesmo antes de Lívia abrir a porta de seu quarto.

         Destaca-se também as ótimas atuações de Nicolle Ferreira, como Lívia, e Amanda Stadler, como Lisandra. As performances das duas personagens mantêm a tensão e curiosidade do espectador alta, afinal, todos estamos no mesmo barco.

      Apesar de haver uma outra versão da Lívia, imóvel, sentada na cama, o curta joga com a possibilidade de quem assiste ao filme passar a questionar qual das “duas Lívias” é a real. E os realizadores entregam uma gama de possibilidades de especulações, onde o espectador pode refletir de diferentes formas sobre a trama.

         Gradualmente, “Duplo Sentido” transmite novas informações que trazem ainda mais aflição para as duas amigas e surpreendendo cada vez mais. O pai de Lisandra insiste em ligar através de um aplicativo de mensagens. E quando a jovem decide responder, o filme atinge o nível mais elevado de surpresa e espanto.

         Alguns espectadores podem tentar puxar “Duplo Sentido” para uma visão mais racional e materialista, usando a Síndrome de Capgras como explicação mais plausível para o que ocorre em tela. Porém, tanto Lívia quanto Lisandra teriam de sofrer do mesmo transtorno psiquiátrico, onde as pessoas acreditam que foram substituídas por uma impostora. Outros poderiam utilizar a explicação mitológica e folclórica de um doppelgänger de Lívia. Porém, o próprio filme trata de construir um universo bem mais complexo à medida que caminha para a resolução final. E “Duplo Sentido” tem um final avassalador.

            Com muita competência, os realizadores utilizaram muito bem os elementos narrativos que o texto pediu. E também usaram com muita habilidade os elementos técnicos de produção, com vários pontos positivos para a trilha sonora, fotografia, montagem e arte.

         “Duplo Sentido” fisga o espectador pela imprevisibilidade e pelas surpresas após surpresas. Mesmo se passando em apenas dois ambientes, ficamos com a certeza de que o que está acontecendo é algo muito maior e, possivelmente, catastrófico, pois ficamos sem saber quem é quem e como tudo afetará a vida das pessoas. É um filme que trabalha com o absurdo, o bizarro e com uma fantástica conclusão.




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