Quando Lívia chega em casa e entra em seu quarto, ela não poderia ter um susto maior. Ele vê uma versão dela, sentada em sua cama. Desesperada, liga para uma amiga, Lisandra, para lidar com a situação.
Lisandra
chega na casa de Lívia e duvida sobre a existência da “outra Lívia”, até a
amiga abrir a porta e confirmar a duplicidade da amiga. A partir daí, a tensão
aumenta gradualmente, tendo um desfecho extraordinário e surpreendente.
“Duplo
Sentido” é uma deliciosa obra de Suspense, tendo o subgênero Mindfuck para
sustentar a base narrativa e dramática. Os diretores Luquiras e Gabriel
Fernandes demonstram muita competência e habilidade ao construir uma atmosfera
tensa, mesmo antes de Lívia abrir a porta de seu quarto.
Destaca-se
também as ótimas atuações de Nicolle Ferreira, como Lívia, e Amanda Stadler,
como Lisandra. As performances das duas personagens mantêm a tensão e curiosidade
do espectador alta, afinal, todos estamos no mesmo barco.
Apesar de haver uma outra versão da Lívia, imóvel, sentada na cama, o curta joga com a possibilidade de quem assiste ao filme passar a questionar qual das “duas Lívias” é a real. E os realizadores entregam uma gama de possibilidades de especulações, onde o espectador pode refletir de diferentes formas sobre a trama.
Gradualmente,
“Duplo Sentido” transmite novas informações que trazem ainda mais aflição para
as duas amigas e surpreendendo cada vez mais. O pai de Lisandra insiste em
ligar através de um aplicativo de mensagens. E quando a jovem decide responder,
o filme atinge o nível mais elevado de surpresa e espanto.
Alguns
espectadores podem tentar puxar “Duplo Sentido” para uma visão mais racional e
materialista, usando a Síndrome de Capgras como explicação mais plausível para
o que ocorre em tela. Porém, tanto Lívia quanto Lisandra teriam de sofrer do
mesmo transtorno psiquiátrico, onde as pessoas acreditam que foram substituídas
por uma impostora. Outros poderiam utilizar a explicação mitológica e folclórica
de um doppelgänger de Lívia. Porém, o próprio filme trata de construir um
universo bem mais complexo à medida que caminha para a resolução final. E
“Duplo Sentido” tem um final avassalador.
Com muita competência, os realizadores utilizaram muito bem os elementos narrativos que o texto pediu. E também usaram com muita habilidade os elementos técnicos de produção, com vários pontos positivos para a trilha sonora, fotografia, montagem e arte.
“Duplo
Sentido” fisga o espectador pela imprevisibilidade e pelas surpresas após
surpresas. Mesmo se passando em apenas dois ambientes, ficamos com a certeza de
que o que está acontecendo é algo muito maior e, possivelmente, catastrófico,
pois ficamos sem saber quem é quem e como tudo afetará a vida das pessoas. É um
filme que trabalha com o absurdo, o bizarro e com uma fantástica conclusão.



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