sexta-feira, 7 de fevereiro de 2025

PEIXE VERMELHO (2009)

 








Com roteiro de Matt Palasz e Andreia Vigo, "Peixe Vermelho" é um curta-metragem de Suspense e Mistério que desafia os sentidos e leva o espectador a uma jornada intensa, onde a apreensão e a angústia estão sempre no ápice. A obra se destaca pela sua narrativa não linear e ousada, conduzida com maestria pela diretora Andreia Vigo, que cria um filme ao mesmo tempo fascinante e profundamente perturbador.

A trama gira em torno da protagonista, vivida por Carina Dias, que entrega uma atuação imersiva e cheia de nuances. A personagem nos conduz por uma trama intrincada e emocionalmente densa, marcada pelo desaparecimento de seu namorado, interpretado por Rafael Sieg. O mistério ao redor desse sumiço é o ponto central da narrativa, mas o verdadeiro destaque do curta é a maneira como a história se desdobra, não apenas através dos eventos concretos, mas também pelos fragmentos da mente atormentada da protagonista.

O filme tem uma atmosfera carregada de tensão, onde a confusão e o desconforto são elementos constantes. A cada cena, somos levados a adentrar os pensamentos fragmentados e as lembranças difusas da protagonista, que luta para entender o que aconteceu com o namorado e com ela própria. No entanto, conforme ela mergulha mais fundo em suas próprias memórias, parece afundar também em uma espiral de loucura, questionando a própria sanidade. A sensação é de estar preso em uma areia movediça mental, onde cada tentativa de compreensão leva a uma maior desorientação.

Com claras influências do cinema de David Lynch, "Peixe Vermelho" abraça o surrealismo e o bizarro de maneira brilhante. A estética visual e a narrativa lembram as obras mais emblemáticas do cineasta, trazendo à tona questionamentos sobre o que é real e o que pode ser fruto da imaginação da protagonista. O próprio Lynch faz uma participação mais do que especial no curta, interpretando o misterioso personagem "The Knowledgeable One", adicionando ainda mais camadas à trama.

Os cenários do filme reforçam a sensação de deslocamento e desconexão da protagonista. Em lugares como um parque de diversões vazio, um trailer, um hotel ou até dentro de um táxi, a personagem nunca parece realmente pertencente a qualquer espaço. É como se ela estivesse presa entre dois mundos, flutuando em uma realidade distorcida e imprevisível, onde o espectador é convidado a se perder junto com ela. Essa ambiguidade narrativa é um dos grandes trunfos do filme, pois levanta a dúvida: até que ponto estamos vendo a realidade? Ou estamos imersos nas alucinações e devaneios da protagonista?

A trilha sonora, a fotografia e a direção de arte de "Peixe Vermelho" trabalham em total sintonia para criar uma experiência visual e sonora impactante. A fotografia parece se comportar de acordo com o local onde a protagonista está; ora com movimentos lentos e contidos, ora com movimentos rápidos e confusos. A montagem fragmentada intensifica a atmosfera onírica, contribuindo para o caráter enigmático do curta. A trilha sonora, por sua vez, pontua os momentos de maior tensão e reforça o sentimento de inquietação que permeia o filme.

Com sua abordagem inovadora e envolvente, "Peixe Vermelho" é uma obra que não só entretém, mas também provoca reflexão. Ao manter o espectador sempre no limite entre o real e o imaginário, o filme cria uma experiência profundamente imersiva, onde as respostas não são entregues de maneira fácil. Ao contrário, cabe ao público questionar e especular sobre os mistérios apresentados, mergulhando nas múltiplas camadas dessa narrativa complexa.

O resultado é um curta provocador e instigante, que desperta sensações viscerais e permanece com o espectador por muito tempo. Com elementos técnicos impecáveis e uma história que desafia as convenções do gênero, "Peixe Vermelho" se estabelece como uma obra essencial para os amantes do cinema de Mistério e Suspense, oferecendo uma experiência única e inesquecível.




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