Com roteiro e direção de Beto Sporkens, “Estrada” narra a situação de duas jovens que ficam perdidas no meio da estrada após o carro quebrar. Sem outra opção, elas precisam pedir carona. Elas se veem correndo risco quando um carro, com três homens dentro, para e oferece a carona.
“Estrada”
é um filme muito bem elaborado e executado. A tensão criada pelo diretor sugere
que o perigo ronda as duas garotas e a qualquer momento algo de ruim pode
acontecer com elas.
A trilha sonora tem um papel fundamental, mesclando os sons diegéticos do motor e do rádio, com uma música que eleva o clima de tensão que paira dentro do veículo.
Já a direção
de fotografia acertou em cheio, ao fazer uso da câmera subjetiva, com as
personagens observando todos os movimentos dos três homens. Os enquadramentos
fechados, mostrando meticulosamente os movimentos de cada um é extremamente
eficaz para amplificar o temor das jovens em relação aos três homens.
Outro aspecto técnico interessante é a montagem, que consegue, a cada curva ou aceleração do veículo em trechos sinuosos da estrada, apresentar o perigo como algo que está muito próximo.
“Estrada” tem
em sua narrativa um ponto fortíssimo, ao construir uma atmosfera de tensão com
nenhum diálogo dentro do veículo. Os homens se mantêm calados. As garotas
apresentam expressões de angústia e apreensão. É visível que elas se
arrependeram de terem entrado naquele carro. Aqui, o mérito é do elenco, que
consegue mexer com os sentimentos do espectador, sempre aumentando a tensão à
medida que a trama corre. Patricia de Sabrit, Elisa Nunes, Rogério de Moura,
Frank Mora e Henrique Rodriguez, têm atuações maiúsculas sem precisar falar
nada.
“Estrada” tem uma resolução final surpreendente, onde acontece uma revelação de como podemos criar os nossos próprios medos e apreensões a partir de prejulgamentos. O filme leva o espectador a refletir sobre como podemos identificar falsamente padrões que se apresentam como ameaças.
Ao embarcarmos
no veículo, através da perspectiva das protagonistas, passamos a sentir o que
elas sentem e presumir o que elas supõem. Caronas podem ser perigosas, tanto
para motoristas quanto para quem pede, justamente por não sabermos quem é a
outra pessoa. Porém, no caso de “Estrada”, o filme nos chama para uma reflexão
muito mais ampla sobre os conceitos da sociedade atual e de que certos
estereótipos precisam ser quebrados.
“Estrada” é um
filme de Suspense com ótimos elementos técnicos e narrativos. É uma obra com
várias camadas, que podem gerar várias reflexões sobre velhos preconceitos e
tensões sociais ainda existentes.




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