quinta-feira, 19 de junho de 2025

BEHEMOTH (2003)

          O curta-metragem "Behemoth", dirigido por Carlos G. Gananian, é uma verdadeira obra de arte cinematográfica que se destaca em cada um de seus elementos técnicos e narrativos. Desde a sua primeirOa cena, o filme é envolvente, criando um ambiente de tensão que prende o espectador e o imerge profundamente em uma atmosfera perturbadora e sombria. A direção cuidadosa, aliada a uma fotografia precisa, arte refinada, trilha sonora perturbadora e uma atmosfera carregada de suspense, torna "Behemoth" uma experiência única dentro do gênero do Terror.

O filme começa com uma cena impactante: um ritual de invocação que resulta em consequências desastrosas e macabras. O protagonista, envolto em mistério, murmura palavras em tom quase sussurrado, evocando uma entidade desconhecida em um cenário tão perturbador quanto os próprios sussurros que ecoam. A escolha por não revelar imediatamente as motivações do protagonista cria uma camada de mistério que apenas intensifica a atmosfera claustrofóbica do curta.

Essa ausência de explicação detalhada sobre o motivo que levou o protagonista a optar pelo ritual é uma das escolhas mais inteligentes do roteiro. Em vez de oferecer uma exposição clara, "Behemoth" deixa que a narrativa visual e o desenvolvimento da trama falem por si, e isso funciona perfeitamente. Não é necessário saber o que exatamente levou o personagem a realizar o ritual; o que importa é o resultado e o que essa decisão desperta no decorrer da história. O espectador mergulha nesse universo de horror, onde a motivação não precisa ser explícita, pois a atmosfera criada já é suficiente para transmitir a urgência e o perigo da situação.

Os movimentos de câmera são executados de maneira brilhante, guiando o espectador por cada detalhe, cada gesto e expressão, enquanto a arte cuidadosamente elaborada complementa o tom sombrio do filme. As escolhas visuais são sutis, mas impactantes, e a combinação com uma trilha sonora profundamente perturbadora cria um estado de imersão quase hipnótico. Cada elemento do filme trabalha em perfeita sincronia para construir a tensão gradualmente, sem recorrer a sustos baratos ou clichês do gênero.

"Behemoth" é, de fato, um filme de Terror que se destaca pela sua atmosfera pesada e angustiante, superando as expectativas. Há algo de fascinante na maneira como o filme se desenrola lentamente, levando o espectador a uma jornada de horror psicológico e sensorial. A descrição de "Trash poético" se encaixa perfeitamente, pois o filme, embora tenha seus elementos grotescos e sanguinolentos, é tratado com uma abordagem artística, que valoriza a construção do medo e da tensão de forma gradual e refinada.

Os efeitos práticos são outro aspecto que merece destaque. Em um período onde o CGI domina grande parte das produções de Terror, "Behemoth" opta por usar efeitos visuais práticos, o que confere uma sensação mais visceral e realista ao filme. Os momentos de violência e sangue, embora presentes, são utilizados com precisão, sem exageros. O sangue, aliás, tem um papel importante na narrativa, sendo exposto de forma altamente detalhada, o que amplifica a sensação de desconforto e a urgência da situação. No entanto, o uso do sangue é controlado, garantindo que não se torne um elemento gratuito, mas, sim, parte essencial da história.

O figurino e a maquiagem também são caprichosamente perfeitos. Os detalhes das marcas do personagem principal reforçam a ideia de que ele está envolvido em algo profundamente sombrio. Já a caracterização da entidade invocada é perturbadora e impressiona pela riqueza de detalhes, fazendo com que a criatura pareça saída diretamente de um pesadelo.

Além dos aspectos visuais, "Behemoth" se destaca por seu ritmo. O curta não se apressa em mostrar seus horrores; ao contrário, ele constrói lentamente um senso de pavor e desconforto, mantendo o público em um estado constante de tensão. Esse ritmo controlado permite que o terror se instale de forma mais profunda, criando uma sensação de inevitabilidade e desespero à medida que o ritual progride e as consequências começam a se manifestar.

A direção de Carlos G. Gananian é precisa e detalhista, demonstrando um domínio completo sobre a narrativa e os elementos cinematográficos. Ele conduz o filme com mãos firmes, sabendo exatamente quando aumentar a tensão e quando permitir que o silêncio e a escuridão falem por si. Cada movimento de câmera, cada som, cada fala do protagonista contribui para a sensação de que algo terrível está para acontecer, criando uma atmosfera de pesadelo.

Outro ponto que faz de "Behemoth" uma obra única é o equilíbrio entre o grotesco e o artístico. Embora o filme tenha suas raízes no Terror "Trash", ele nunca se deixa levar pelo exagero ou pelo choque gratuito. Pelo contrário, cada cena é cuidadosamente composta para transmitir uma mistura de beleza e horror, algo que poucos filmes de Terror conseguem alcançar. Essa fusão de arte e horror dá ao filme um toque quase lírico, onde o grotesco é elevado a uma forma de expressão estética.

Em resumo, "Behemoth" é um curta-metragem que vai além do Terror convencional, oferecendo ao público uma experiência intensa e perturbadora. A combinação de uma atmosfera densa, efeitos visuais práticos, uma direção impecável e uma narrativa que prende a atenção do início ao fim faz de "Behemoth" um filme que merece ser celebrado. É uma obra que desafia as convenções do gênero, oferecendo uma visão poética do horror que, ao mesmo tempo, não deixa de ser profundamente assustadora. Para os fãs de Terror e para aqueles que apreciam o cinema como uma forma de arte, "Behemoth" é uma experiência imperdível e necessária.




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