Com roteiro e direção de Ju Cassini, “Paranoia” é um Terror perturbador que transita entre o suspense sobrenatural e o thriller psicológico com muita competência e qualidade.
Luiz
Fontes interpreta o atordoado Daniel, que carrega consigo traumas de uma
brincadeira que não saiu como o esperado. Sua companheira, Marina, interpretada
por Beatriz Algranti, é o ponto de racionalidade, que procura fazer com que
Daniel mantenha a sua sanidade mental. As atuações de Luiz e Beatriz são
viscerais, intensas e positivamente impactantes. O elenco ainda conta com a
participação de Marisa Carnicelli.
Tudo em “Paranoia” funciona. O susto inicial de Daniel é o gancho para que seus problemas sejam transmitidos ao espectador. A inquietação de Marina, combina com a paciência, pois, para ela, o companheiro sofre de algum distúrbio. E é aí onde “Paranoia” se destaca. Ao deixar no ar se as visões de Luiz são alucinações ou algo a mais, o filme trabalha com as duas hipóteses de maneira primorosa. O texto não bate o pé e afirma que as perturbações de Daniel são reais ou alucinações. Esse namoro do Horror psicológico com o Thriller sobrenatural é intenso, impactante e delicioso para os fãs do gênero.
“Paranoia”
tem elementos técnicos muito bem empregados. A direção de fotografia consegue
alternar um ambiente acolhedor e assustador. A escuridão do quarto, iluminado
apenas por um abajur, se mostra como um ambiente confortável, onde Marina lê um
livro. Mas, com a entrada de Daniel, a mesma escuridão já não passa a transmitir
o mesmo senso de afinidade, fazendo com que, talvez, o melhor seja acender a
luz e deixar o ambiente o mais claro possível.
A trilha sonora acerta em cheio ao construir o ambiente acolhedor e, com cortes rápidos, começar a imergir o espectador na mente de Daniel. E a trilha cresce em intensidade junto com a trama, quando o protagonista acorda no meio da madrugada.
A
direção de arte merece destaque e todos os elogios possíveis. Os elementos explorados
são de uma precisão extrema. Os efeitos práticos são perfeitamente aplicados e
tudo é maravilhosamente bem construído. As ações de Daniel causam angústia e
aflição. E para os fãs do Terror, terminam por causar satisfação, devido à
qualidade da obra.
Quem
assiste “Paranoia” sem saber, provavelmente irá considerar que a obra foi
produzida por algum profissional veterano. Mas este é apenas o segundo filme
produzido por Ju Cassini. A jovem diretora apresenta ótimos predicados para a
produção de um excelente filme de Terror, inserindo aspectos visuais e sonoros
extremamente pertinentes, pontuais e necessários. Não há nada fora do lugar em “Paranoia”;
tudo está no lugar certo e na hora certa. Não há exageros e tudo o que acontece
em cena é a extração do máximo que o texto oferece.
Ju Cassini desponta como um grande nome nas produções de Terror brasileiro. Já em “Reflexos”, de 2024, ela já demonstra um grande potencial. Com “Paranoia”, já é possível perceber que a diretora-roteirista sabe o que está fazendo e tem pleno conhecimento de como elementos técnicos e narrativos devem ser empregados. Aí, é o caso de perceber talento, conhecimento e dedicação por parte de Ju Cassini. Este parece ser o início de uma carreira brilhante.
“Paranoia”
é um filme de Terror maiúsculo, que explora o sobrenatural e as perturbações
psicológicas de maneira magistral, mesclando realidade, alucinações e traumas
profundos de forma tão sutil quanto angustiante, levando o espectador a duvidar
da sanidade do protagonista e da sua própria. Pois, a linha que separa realidade
e sobrenatural não é estabelecida, cabendo ao espectador tentar descobrir se
tudo o que aconteceu foi real ou não.




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