domingo, 14 de setembro de 2025

ASTARTE (2017)

 


O curta-metragem "Astarte" mergulha profundamente no Terror sobrenatural e paranormal, abordando uma narrativa envolvente e cheia de tensão. A trama gira em torno de um grupo de amigos que, motivados pela curiosidade e pelo fascínio pelo oculto, decidem utilizar um tabuleiro ouija para tentar se comunicar com os mortos. O que começa como uma tentativa aparentemente inocente de explorar o desconhecido rapidamente sai de controle quando um demônio surge, possuindo cada um dos amigos de forma progressiva.

Com direção e roteiro de Danilo Morales, o curta se destaca não apenas pelo seu enredo, mas também pela sua habilidade em construir uma atmosfera densa e assustadora. Desde os primeiros momentos, "Astarte" usa a estética visual e sonora de forma magistral para intensificar o medo e o suspense. A fotografia do filme é sombria, com tons que alternam entre luzes baixas e sombras profundas, criando um ambiente quase sufocante. Esse trabalho visual é acompanhado por uma direção de arte minuciosa que reforça a sensação de isolamento e perigo iminente, enquanto a trilha sonora inquietante marca cada reviravolta com precisão, intensificando o pavor à medida que os eventos se desenrolam.

O uso de efeitos práticos e maquiagem no filme é outro elemento que merece destaque. O visual das possessões é cuidadosamente trabalhado para transmitir uma sensação de realismo perturbador. Cada transformação dos personagens sob a influência da entidade é marcada por detalhes de maquiagem que reforçam o horror gráfico e psicológico, criando uma conexão visceral com o público. Essas escolhas criativas fazem com que o ambiente de "Astarte" seja sinistro, estabelecendo uma sensação de que o perigo pode surgir a qualquer momento, tornando as possessões ainda mais assustadoras e impactantes.

O elenco, composto por Tamires Osses, Fercho Vilela, Erick Camargo, Stephanie Gomes, André Paixão, Loraine Ribeiro e André Machado, entrega atuações que elevam a qualidade do curta. A química entre os atores e a maneira como eles retratam o desespero e o medo crescente contribuem significativamente para a imersão da narrativa. Cada personagem é explorado de forma a criar uma sensação de proximidade com o espectador, que acompanha sua jornada no terror absoluto à medida que a situação se torna cada vez mais insustentável.

Um dos aspectos mais interessantes de "Astarte" é sua abordagem da mitologia judaico-cristã, trazendo à tona a figura da entidade que dá nome ao curta. Astarte, originalmente uma deusa venerada no antigo Oriente Médio, foi posteriormente associada a forças malignas na tradição cristã, sendo equiparada a Astaroth, um dos grandes demônios da demonologia medieval. Essa reinterpretação da figura mitológica é explorada de forma inteligente no curta, dando à narrativa uma profundidade mitológica e simbólica. A introdução desse demônio não apenas alimenta o horror gráfico, mas também proporciona um forte impacto psicológico nos personagens, pois a presença de Astarte desafia sua compreensão do que é real e do que é sobrenatural.

Além do terror explícito, "Astarte" também aposta em uma carga emocional e psicológica intensa. Conforme os amigos vão sendo possuídos, o curta explora os sinais do desespero e da impotência diante de forças incontroláveis. O uso da câmera próxima aos personagens aumenta a sensação de proximidade com a situação aterradora, causando um incômodo necessário para “sentir” o filme. O curta adota uma técnica de filmagem ágil, com movimentos rápidos, ângulos fechados e cortes repentinos, o que amplifica a tensão e gera uma atmosfera imprevisível. Essa escolha é eficaz para manter o espectador tenso, sentindo-se tão impotente quanto os personagens diante do caos que os envolve.

"Astarte" é, sem dúvida, um curta obrigatório para os fãs do gênero de Terror, especialmente aqueles que apreciam narrativas de possessão demoníaca e terror psicológico. Com uma direção segura e eficiente de Danilo Morales, o filme demonstra que, mesmo com recursos limitados, é possível criar uma obra cinematográfica que assusta e intriga, utilizando-se de recursos técnicos e narrativos com precisão. O filme é um excelente exemplo de como o Terror pode ser construído com base na simplicidade e criatividade, criando uma experiência imersiva e aterrorizante.

Com uma mistura de horror gráfico, possessão e elementos psicológicos, "Astarte" é um curta poderoso que explora os medos primitivos do desconhecido e do sobrenatural de forma muito eficiente.




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