quarta-feira, 10 de setembro de 2025

ALMA NO OLHO (1973)

 


          Com forte apelo musical e visual em relação ao corpo negro, o Drama Experimental que se utiliza muito da música da trilha sonora para compor a sua narrativa, “Alma no Olho” é um dos primeiros filmes que coloca a beleza negra em destaque, com suas todas as suas formas, detalhes e contornos.

         O filme destaca como séculos de escravidão resultou num atual estado onde o negro ainda não é totalmente capaz de uma liberdade plena. E essa liberdade vem, primeiramente, com a tomada de consciência da situação e dos atos de resistência.

         Por ter um caráter questionador, Zózimo Bulbul, ator, diretor, roteirista e produtor do curta, foi obrigado a prestar depoimento à Polícia Federal referentes ao filme “Alma no Olho”. Zózimo foi acusado de inserir mensagens subliminares no filme contra o regime militar. Em 1974, o diretor decidiu partir para o exílio, vivendo nos Estados Unidos, Portugal e França.

           A trilha sonora de “Alma no Olho” é composta pela faixa “Kulu Sé Mama” do saxofonista de jazz John Coltrane em parceria com o percussionista Julian Lewis. Com uma fotografia certeira aliada à trilha sonora marcante, o curta de Zózimo é capaz de levar o espectador à uma imersão profunda, onde história, cultura, arte e ancestralidade se despem em tela. “Alma no Olho” é o tipo de filme que precisa ser assistido com o volume alto. Não há diálogos, porém, imagens e sons falam por si só.

         “Alma no Olho” é um monólogo artístico visual que destaca sobre os temas da negritude, da escravidão, da liberdade e emancipação através de uma performance corporal simbólica impressionante. Os elementos técnicos utilizados por Zózimo Bulbul são extremamente eficientes, transmitindo as dores, as marcas e a necessidade de luta e resistência.

            Com um final avassalador, “Alma no Olho” está muito além de um curta de Drama, que mescla música e uma narrativa Experimental. O filme é um verdadeiro manifesto poético sobre a obrigação da sociedade brasileira inteira em lutar contra o racismo estrutural, que infelizmente ainda assola o país, mesmo depois de muito tempo depois do lançamento do filme.




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