Luzia é uma
menina que vive no campo, com seu irmão Pedro, e com os pais. Quando Pedro
começa a frequentar a escola, a garotinha demonstra vontade de também aprender
a ler e escrever. Porém, segundo o pai, ela não deve ir à escola, mas sim,
“aprender tarefas domésticas” em casa.
“A
Menina Espantalho” é uma Comédia dramática leve, para todas as idades e
públicos. É um filme extremamente sensível, comovente e com uma delicadeza
narrativa que transforma temas simples em reflexões universais sobre infância,
identidade e a busca por conhecimento.
No curta, podemos experimentar a vida na roça e a inocência infantil dos dois irmãos. Nesse ponto, Luzia abre espaço para que o irmão a ajude em sua alfabetização. Mesmo com um tom cômico, a cumplicidade entre os irmãos é bela e genuína. Impossível não se encantar com as atuações de Pâmela Silva e Otávio Santiago. Nem por isso, os personagens dos pais perdem profundidade. Vinícius Ferreira e Jane Santos representam a composição padrão familiar, onde homens e mulheres têm funções e objetivos diferentes.
A
plantação de arroz funciona como um pano de fundo muito bem encaixado, pois,
estando ali para espantar as aves, Luzia tem tempo e disposição para aprender
cada vez mais.
Um
ponto importantíssimo para o impacto do curta se dá ao ótimo trabalho de arte,
fotografia e trilha sonora, que transmitem a sensação nostálgica da vida no
campo, do período de infância e sonhos, e a sensação de acolhimento, mesmo numa
casa onde há uma certa carência financeira e, talvez, a única esperança de
mudança seja através da educação do filho.
Com roteiro e direção de Cássio Pereira Dos Santos, “A Menina Espantalho” é um filme que abraça o espectador e o conduz por uma narrativa coesa, natural e aconchegante. A composição entre narrativa, arco dramático, um elenco competente e elementos técnicos executados com muita competência, faz do curta uma maravilha do cinema brasileiro.
“A Menina Espantalho” é daqueles filmes que marca e fica guardado no coração. A produção exalta a simplicidade e utiliza isso como ferramenta de ligação entre o espectador e a família, principalmente com Luzia. E esse é um dos grandes méritos do diretor, que consegue transformar a simplicidade em imersão, unindo quem assiste ao filme com os personagens em tela. É um filme para ser visto e revisto muitas vezes.




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