sábado, 11 de janeiro de 2025

LUA DE SANGUE 2 (2024)

 

Três amigos se reúnem para comemorar a noite de Natal. Em meio à festividade, relembram um fato ocorrido há um ano: o assassinato de três amigos, realizado por um serial killer conhecido como o Ceifador Mascarado. Um sobrevivente da chacina conseguiu sobreviver e, o grupo de comemora o Natal não tem ideia do perigo que correm, por haver uma ligação entre um deles e o sobrevivente do ataque do Ceifador Mascarado.
        
            O curta “Lua de Sangue 2” é um filme que mescla os gêneros Suspense, Terror e Slasher. A trama é bem conduzida pelo diretor-roteirista Artur Garnetti, tendo boas atuações de Grazielly Oliveira, Luiza Monteiro e Victor Andrew.

        O medo dos protagonistas, ao se lembrarem do evento do ano anterior, terminar por se tornar real quando o assassino surge para concluir o que não havia conseguido: matar o sobrevivente da chacina. O curta tem um clima de tensão alto quando o serial killer invade a casa, fazendo os três jovens como reféns e iniciando um jogo de horror com eles.

         “Lua de Sangue 2” tem ótimos elementos narrativos, dramáticos e técnicos, fazendo do curta uma ótima opção para quem curte o subgênero Slasher, onde tudo corre num misto de pavor, horror e tensão. A narrativa é fluida e o filme tem uma resolução final bastante interessante.




sexta-feira, 10 de janeiro de 2025

ROÇA URBANA (2024)






Ponte Nova é um bairro humilde, localizado na porção continental de São Vicente, na Baixada Santista, que enfrenta sérias dificuldades estruturais e sociais, agravadas pela pandemia. A região, marcada por uma história de negligência ambiental, já foi alvo de despejo de resíduos tóxicos pela empresa Rhodia, antes mesmo da formação do bairro, contribuindo para os problemas sanitários e de saúde que afetam os moradores até hoje. Essa herança de descaso continua a impactar a qualidade de vida local, tornando ainda mais desafiadora a luta por melhorias, especialmente durante o período crítico da pandemia, quando a carência de serviços públicos se acentuou.

Em meio a esse cenário adverso, o jovem médico Yago Torres decidiu agir. Com um olhar voltado para o futuro, ele idealizou projetos que visavam não apenas melhorar a saúde física dos moradores, mas também promover um senso de comunidade e pertencimento. Um dos primeiros passos foi a criação de um grupo de caminhadas, composto por usuários da Unidade Básica de Saúde (UBS) do bairro Ponte Nova. A iniciativa, simples à primeira vista, rapidamente conquistou a adesão de muitas pessoas, principalmente idosos, que viram nas caminhadas uma forma de manter-se ativos e socialmente engajados.

No entanto, os projetos de Yago não se limitaram às caminhadas. Ao observar o espaço ocioso no terreno da UBS, ele vislumbrou uma oportunidade de criar algo que pudesse beneficiar ainda mais os moradores: uma horta comunitária. Assim nasceu a “Roça Urbana”, uma proposta inovadora de cultivo sustentável, que alia saúde, bem-estar e consciência ambiental. A horta, suspensa devido à contaminação do solo local pelos resíduos da Rhodia, utiliza terra trazida de outras regiões, garantindo que os alimentos cultivados sejam livres de toxinas e seguros para o consumo. Dessa forma, a “Roça Urbana” se tornou não apenas uma fonte de alimentos saudáveis, mas também um símbolo de resistência e renovação em meio às dificuldades.

O Documentário “Roça Urbana”, dirigido, roteirizado e com fotografia de Jean Pierre Pierote, acompanha de perto essa transformação no bairro Ponte Nova. Com uma narrativa fluida e envolvente, o filme conduz o espectador pelo cotidiano dos moradores, mostrando como o cultivo da horta e as caminhadas criaram novos laços de amizade e solidariedade entre eles. Os depoimentos de Luciene Formosina de Jesus, Josefa da Silva, Josefa Maria e Manoel Nascimento são carregados de emoção e revelam como essas iniciativas não apenas promoveram a saúde física, mas também trouxeram melhorias significativas na qualidade de vida emocional e psicológica dos participantes.

O Documentário destaca, de forma sensível, o impacto dessas atividades na vida dos idosos da comunidade, muitos dos quais enfrentam o isolamento e a falta de estímulo físico. Para eles, as caminhadas e o cultivo de alimentos tornaram-se muito mais do que simples atividades de rotina; são momentos de convivência, troca de experiências e fortalecimento de vínculos. A melhoria na saúde desses moradores é visível, não apenas pela prática de exercícios regulares, mas também pelo acesso a alimentos frescos e livres de agrotóxicos, cultivados com as próprias mãos.

Além dos benefícios físicos e alimentares, o filme explora a importância do fortalecimento dos laços sociais entre os participantes. O grupo que se formou em torno da horta e das caminhadas representa uma nova forma de convívio comunitário, onde os moradores compartilham suas histórias, cuidam uns dos outros e encontram na coletividade uma forma de enfrentar os desafios do dia a dia. Essa rede de apoio e amizade contribui diretamente para a melhoria da saúde mental e emocional dos participantes, que passaram a ver essas atividades não como uma obrigação, mas como momentos de prazer e realização.

Tecnicamente, “Roça Urbana” é uma produção impecável. Jean Pierre Pierote, acerta em cada detalhe, capturando a essência do bairro e a realidade dos seus moradores com uma sensibilidade única. A produção e som direto de Cinthia dos Santos e Patrycia Nunes, a montagem de Mateus Ribeiro e o design gráfico de Cássia Oliveira se unem de maneira harmoniosa para criar um Documentário dinâmico, que em apenas doze minutos consegue transmitir uma mensagem poderosa e impactante. A fluidez da narrativa, aliada à precisão técnica dos elementos audiovisuais, permite que o espectador se sinta parte da história, acompanhando de perto o crescimento da horta, as caminhadas dos moradores e os depoimentos emocionantes que dão vida ao filme.

“Roça Urbana” não é apenas um registro das transformações que ocorreram na Ponte Nova, mas também um retrato de como iniciativas simples, quando guiadas pela vontade de melhorar a vida em comunidade, podem gerar impactos profundos. O documentário reforça a importância da solidariedade, do trabalho em equipe e da busca por soluções sustentáveis para os problemas que afetam áreas marginalizadas como Ponte Nova. Através de uma narrativa clara e objetiva, “Roça Urbana” celebra o esforço coletivo e a resiliência de um povo que, apesar das dificuldades, continua a lutar por uma vida mais saudável e digna.

Com uma mensagem de esperança e superação, “Roça Urbana” é um exemplo de como o cinema pode dar voz às comunidades que muitas vezes são esquecidas, mostrando que, mesmo em meio ao descaso e às adversidades, é possível plantar sementes de mudança e colher frutos de transformação.




quinta-feira, 9 de janeiro de 2025

PROGRESSO DE QUEM? (2022)

 

"Progresso de Quem?", com roteiro de Izadora Andrade e Mariana Zanzini, é um Documentário que lança um olhar sensível e profundo sobre a realidade dos catadores de materiais recicláveis na cidade de São Paulo. Apesar de exercerem uma função vital para o meio ambiente e para a saúde pública, esses trabalhadores enfrentam diariamente o preconceito, a falta de reconhecimento e a invisibilidade diante da sociedade. A produção aborda a rotina desses profissionais, trazendo à tona o contraste entre a importância de seu trabalho e o desprezo com que são tratados.

O Documentário conta com depoimentos de catadores como Litz Govk, Maura dos Santos, Maxsuell Wellington e Varonildo Carmo, que compartilham suas histórias de vida e as dificuldades enfrentadas em seu cotidiano. As vozes desses trabalhadores nos levam a compreender melhor o papel essencial que desempenham, ao recolherem toneladas de resíduos que, de outra forma, seriam destinados a aterros ou incinerados. Esses catadores não só diminuem a pressão sobre o meio ambiente, como também contribuem para a reciclagem de materiais como plástico, metal e papel, fundamentais para a sustentabilidade das cidades modernas.

A diretora Izadora Andrade enriquece o Documentário ao incluir o impacto transformador do projeto "Pimp My Carroça", que é retratado de maneira detalhada. A iniciativa busca reformar carroças utilizadas pelos catadores, equipando algumas delas com motores elétricos, tornando-as mais confortáveis e eficientes. Além disso, o projeto usa a arte como ferramenta de conscientização social, estilizando as carroças com grafites e pinturas vibrantes, que transformam esses veículos em símbolos de resistência e dignidade. Esse trabalho não apenas facilita a vida dos catadores, mas também melhora sua visibilidade, desafiando estigmas e preconceitos profundamente enraizados na sociedade.

Letícia Tavares, diretora executiva do "Pimp My Carroça", explica como o projeto impacta diretamente a vida dos catadores, proporcionando uma nova perspectiva sobre seu trabalho e sobre a relação deles com a cidade. Ao estilizar suas carroças, o projeto também ressignifica o olhar que a população tem desses trabalhadores, muitas vezes esquecidos e marginalizados. O depoimento de Letícia Tavares é um ponto alto do filme, trazendo à tona a importância de se reconhecer os catadores como agentes ambientais que realizam um serviço imprescindível numa sociedade que, cada vez mais, se afoga em seu próprio lixo.

Tecnicamente, "Progresso de Quem?" impressiona pela forma dinâmica com que transmite sua mensagem em apenas quatro minutos. A montagem ágil, aliada à sensibilidade da fotografia de Alef Paz e ao trabalho de som de Caio Terra, cria uma narrativa visual poderosa, em que a imagem e o som dialogam em perfeita harmonia. O design gráfico de Gabriela Mônaco e a decupagem de Clara Almeida também se destacam, contribuindo para o ritmo fluido do curta-metragem, que consegue envolver o espectador desde os primeiros segundos.

Apesar de sua curta duração, "Progresso de Quem?" é um filme de grande impacto social. Ele não só destaca a importância do trabalho dos catadores para a manutenção da cidade, mas também humaniza esses trabalhadores, lembrando-nos de que por trás de cada carroça há uma história de vida, com sonhos, desafios e esperanças. O Documentário nos convida a refletir sobre nossa própria responsabilidade em relação ao meio ambiente e às pessoas que, muitas vezes, passam despercebidas em meio à correria urbana.

"Progresso de Quem?" é uma produção necessária e urgente, que nos obriga a olhar para a cidade e seus trabalhadores de maneira mais empática e consciente. É um chamado para a ação, para o reconhecimento e valorização daqueles que, silenciosamente, cuidam da nossa sociedade e do nosso planeta.




quinta-feira, 2 de janeiro de 2025

RIFA-ME (2000)

 

O curta é um Drama melancólico e triste por se tratar de um desejo que Ana Paula quer realizar, mas não encontra nenhuma outra solução. Mãe de um bebê e esquecida pelo marido que os deixaram sós, Ana Paula decide abandonar a cidade de Quixeramobim e a única forma que tem de conseguir o dinheiro da passagem é rifando-se em troca de uma noite de sexo.

         Tendo Bilica Léo como protagonista, “Rifa-me” é um dos primeiros trabalhos audiovisuais do talentosíssimo diretor, roteirista e produtor Karim Aïnouz. Com muita sensibilidade, AÏnouz trata o tema da premissa de forma muito envolvente. Assim, como muitos amigos e conhecidos de Ana Paula, o espectador pode até não concordar com a decisão da jovem, mas desesperadamente compreende, tendo a esperança de que ela vá desistir da ideia.

         O diretor explora profundamente o universo de Ana Paula, com as suas dificuldades, necessidades e sonhos. Com muita competência, não há espaços para julgamentos em relação à protagonista, mas uma imensa sensação de piedade e tristeza por vê-la nesta situação.

         “Rifa-me” tem seu início cantado por dois repentistas. E a história de Ana Paula continua narrada, não apenas pelas imagens, sons e ações dos personagens, mas pelo rádio que dita a passagem do tempo e pelas quebras da quarta parede e citações de poesia de cordel.

         Outra escolha extremamente pontual é o uso de locações que remetem à viagem que Ana Paula deseja fazer. Não são mostradas cenas no centro da cidade e que tenham muitas pessoas. Vários lugares filmados transmitem esse desejo se passando em estradas e num posto de gasolina à beira de uma dessas estradas. A partida de Ana Paula fica palpável e inevitável.

         Com qualidades técnicas impressionantes, “Rifa-me” é um Drama comovente, que narra o desespero de uma mulher. Se, por um lado, faz uma crítica pertinente de como muitas mulheres são vistas como objetos, por outro, mostra que a compaixão e a empatia ainda fazem parte do caráter de muitas pessoas.

         Em “Rifa-me” já é possível experimentar muitas das características do estilo cinematográfico de Karim Aïnouz. A forma como a personalidade da personagem é construída, demonstra claramente que ela está decidida, mas não satisfeita em fazer o que propôs. Ana Paula não é simplesmente uma personagem de um filme. Ela tem várias camadas, afinal é um ser humano, com seus pensamentos, temperamento, personalidade.

         A construção da narrativa também demonstra toda a qualidade do texto e a forma como o diretor conduz o arco dramático. Os sons da rádio, com sua transmissão diária, revela que as vidas das pessoas continuam normais, independente dos problemas que Ana Paulo enfrenta. Seja por falta de tempo ou por egoísmo, às vezes, ignoramos uma situação difícil de um vizinho ou parente. “Rifa-me” aborda essa reflexão de forma eficiente, com a proposta de nos preocuparmos e darmos mais atenção para as pessoas que estão próximas e que, no desespero, decidem por caminhos mais rápidos para uma solução de seus problemas.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2024

A PRESEPADA (2019)

 


A ótima Comédia protagonizada por Tay Lopes tem direção de Rodrigo César e roteiro de Cadu Pereiva. A trama se desenrola seguindo um golpe que o malandro Hiltinho dá na esposa de um sargento da polícia e com quem ele tem um caso. Após se envolver com a mulher e roubar dinheiro que o sargento guardava debaixo do colchão, ela confessa a traição e o roubo ao marido.

         Perseguido pelos policiais, Hiltinho percorre vários pontos da cidade, até chegar na estação rodoviária e, ao se esconder no banheiro, encontra uma mala. Hiltinho descobre que a mala pertence a um Frei que teve uma dor de barriga. Hiltinho embarca no ônibus, vestido com as vestes do religioso e segue para Belém de Nazaré, usando a identidade de Frei Fernando.

         Quando desembarca na cidade, é recebido pelo Padre Zezinho, interpretado por Paulo Pontes, e fica sabendo que toda a paróquia lhe aguarda para a realização da Cantada de Natal.

         O curta tem uma trama muito bem desenrolada, com uma inteligente construção dos personagens e nas relações que são estabelecidas. Hiltinho conhece, ainda no ônibus, a bela Elaine, interpretada por Camila Bastos. A jovem é filha do prefeito que, alegando dificuldades financeiras, comunica ao Padre que não poderá financiar a tradicional Cantada de Natal. O ator Zé Ramos dá vida ao político.

        Neste contexto, o texto tem um campo fértil para desenvolver a Comédia, com um malando se passando por um Frei; um Romance, com o início de uma ligação de Hiltinho com Elaine; a o Drama, envolvendo o sentimento natalino da população da cidade e o risco de não ter a Cantada de Natal.

         “A Presepada” tem ótimos elementos narrativos, que além da trama conduzida pelos personagens, conta com animações inspiradas em xilogravuras e a narração de um repentista, o que insere o espectador no contexto nordestino, lembrando a literatura de cordel.

         Outro elemento narrativo muito interessante é que a equipe criativa alia muito bem a comédia mais leve a um humor mais ácido. Equilibrando muito bem esses dois tipos de humor, Rodrigo César entrega um curta muito divertido e gostoso de assistir.

        Os elementos técnicos de produção são muito bem aproveitados com destaque para a ótima fotografia, direção de arte, montagem e trilha sonora. A combinação desses elementos com o arco dramático, fazem de “A Presepada” uma ótima Comédia com muito humor do começo ao fim.



GUIDA (2014)

 


     A Animação “Guida” apresenta uma mulher madura, que trabalha no fórum há 30 anos. A sua vida como arquivista é rotineira, assim com a sua vida pessoal e particular.

         Com muita sensibilidade, a diretora Rosana Urbes explora o mundo real e o imaginado pela protagonista Guida. Ela recorda o que passou e reflete sobre o que ainda pode ser feito. Com roteiro de Rosana Urbes, Bruno Castro e Tiago Minamisawa, o curta traz a reflexão sobre o passado, presente e futuro. Com certa idade, já não podemos fazer muitas das coisas que gostaríamos. Porém, o que ficou no passado não tem como ser modificado, então, precisamos nos concentrar no que ainda podemos fazer. E se o tempo corre sem parar, temos que pegar o bonde e seguir na realização de sonhos possíveis.

         Através de uma linguagem poética, “Guida” mostra como é necessário saber lidar com as mudanças físicas, emocionais e psicológicas. Se querermos viver bem, precisamos pensar de forma livre e dar vazão para os desejos e vontades. Guida se deparar com um anúncio para aulas de modelo vivo em um centro cultural. O fato de posar nua para trabalhos artísticos a fazem refletir demais sobre o seu corpo. Porém, ela toma a decisão que entende ser a melhor.

           A protagonista deixa de lado as suas próprias barreiras e decide se libertar. A mensagem principal do belíssimo curta de Drama reside no fato de que é preciso fazer o que se tem vontade, deixar a vida fluir, os sonhos virarem realidade. Se muitos sonhos deixaram de ser realizados durante a juventude, ainda há muita coisa a ser buscada. E a idade não pode ser colocada como um impeditivo.

         Com som e trilha sonora de Ruben Feffer, Gustavo Kurlat, Ana Luiza Pereira e Duda Larson, e storyboard, design e animação de Rosana Urbes, “Guida” é uma maravilhosa produção que mostra que a felicidade, muitas vezes, está mais próxima do que podemos imaginar e que só depende de uma mudança de atitude para vivermos a vida com mais plenitude e leveza.

          “Guida” tem elementos técnicos de animação extremamente refinados e envolventes. Fotografia, montagem e trilha sonora são outros elementos que dão um ar especial para o curta que merece todos os elogios, tanto pela sua narrativa quanto pelo arco dramático sensível e amável.




COLEÇÃO DE HUMANOS MORTOS (2005)

 


          O curta, com roteiro, direção e montagem de Fernando Rick, apresenta a mente perturbada de um maníaco e as suas ações violentas e cruéis. Inspirado em alguns clássicos do Terror da década de 70, “Coleção de Humanos Mortos” é um curta extremo, com cenas fortes, muito sangue e sadismo.

         Alexandre, interpretado por Ulisses Granados, dá vida ao psicótico que comete crimes horrendos e acumulando vítimas através de sua loucura e violência.

         “Coleção de Humanos Mortos” é um Terror Trash Slasher e com muitos elementos do Gore. O filme é extremamente violento, mas tem todos os pontos para quem é fã do gênero e subgêneros.

         A construção do complexo protagonista da história é muito bem desenvolvida, assim como o seu universo físico e psicológico. De forma muito eficiente, Fernando Rick encaixa alguns personagens importantíssimos que representam Prazer, Ódio e Loucura. Todos esses personagens incrementam a mente do maníaco, deixando a dúvida para o espectador sobre a natureza deles. Seriam apenas criações de uma mente doentia ou entidades sobrenaturais?

          Sendo criações ou não, são elas quem motivam muitas das ações do personagem, que já não bate bem das ideias. Com maquiagem e efeitos práticos perfeitos, “Coleção de Humanos Mortos” é um ótimo filme com um texto muito bem conduzido pelo diretor e onde todos os elementos técnicos funcionam muito bem. A trilha sonora é outro ponto alto do filme.

          Luciana Caruso, Tiara Cury, Marina Anloop, Luís Sorrentino, Fabio de Castro, Gurcius Gewdner, Fernando Moreno, e Didi Babinski compõem o elenco, com ótimas atuações e que dão veracidade no que vemos em tela. A direção de fotografia de Renato Tado e Rodrigo Terra e os efeitos visuais de André Kapel Furman, ajudam a criar um ambiente perturbador, com uma atmosfera densa e com personagens bizarros, estranhos e perigosos.

         “Coleção de Humanos Mortos” é uma obra de arte do Terror Trash nacional, com uma trama envolta em mistérios, personagens bem bolados, desenvolvimento e resolução final muito bem definidos. E o que não poderia faltar nesse tipo de produção e o curta tem, é muito sangue.




quinta-feira, 26 de dezembro de 2024

ARABESCO (1990)

 


O premiado curta “Arabesco”, com roteiro e direção de Eliane Caffé, apresenta dois ladrões que invadem uma casa com a intenção de roubar objetos valiosos. Logo de cara, eles percebem que a casa guarda muito mais segredos do que artigos de luxo.

“Arabesco” conta com as ótimas atuações de Alfredo Damiano e Jonas Bloch, que se surpreendem com tudo o que há dentro do cômodo da casa e como coisas estranhas passam a acontecer. Se, de início, eles se surpreendem de forma positiva diante do desconhecido, logo eles passam a questionar a sanidade mental, com o desespero batendo na cabeça deles. Citando o caso de um conhecido que enlouqueceu, pensando que havia se tornado um paralelepípedo, eles temem que o mesmo possa acontecer com eles, sendo influenciados de alguma maneira pela casa.

O que eles têm de informações sobre a casa é que a mesma pertence a uma senhora de idade. Ao invadirem um dos cômodos da casa, se surpreendem com objetos, obras de artes, quadros, livros, que, provavelmente têm um elevado valor. Porém, tudo o que existe dentro daquele cômodo parece estranho e surreal, aparentemente, não havendo uma saída.

O curta aborda como cada um reage diferente das coisas inusitadas que acontecem no local. Num momento, enquanto um está enfeitiçado por algum objeto, o outro está no desespero para sair do local. E essa situação se inverte em várias oportunidades.

Com muita competência, as equipes de arte, fotografia e trilha sonora constroem um universo que desafia o mundo real, com situações absurdas e que fogem da realidade material da forma como conhecemos. O curta tem um lado lúdico, mas também, uma atmosfera de mistério e suspense. O texto oferece todos esses elementos que são explorados de forma muito eficiente por Eliana Caffé.

O toque surreal e experimental do curta traz a reflexão de como lidamos com situações, aparentemente sem explicação. Em resumo, como lidamos com o desconhecido e com o que nos parece estranho à primeira vista.

“Arabesco” deixa uma série de dúvidas para que o espectador especulo sobre o local e as atitudes da dupla de assaltantes. Será que aquele local é real? Será que eles realmente estão onde acham que estão? E, como sair dali?

Eliana Caffé demonstra muita qualidade em aliar elementos narrativos e técnicos, criando a tensão que envolve os personagens e explorando muito bem os elementos psicológico e emocionais da dupla de assaltantes.




LUZ, SOMBRA E MEDO (2014)

 


          Com apenas pouco mais de 3 minutos, “Luz, Sombra e Medo” narra o medo de um homem diante de seus medos quando é perseguido por lobos ferozes. Ele se refugia num ser muito maior e que emana luz, fazendo com que os animais se mantenham afastados.

         Com uma identidade visual extremamente bem elaborada, o diretor Mauricio Bartok mescla os gêneros Aventura, Drama e Fantasia nesta Animação. Os efeitos sonoros, de Daniel Figueiredo e José Miguel Enriquez, dão intensidade à trama, variando dentro da narrativa. O resultado é um curta produzido com perfeição e com uma mensagem muito bem definida.

         O filme traz a pertinente reflexão sobre a vida, os problemas, os medos e como enfrentamos tudo isso. A versatilidade de “Luz, Sombra e Medo” permite que as reflexões possam se dar através de um viés religioso ou por uma perspectiva filosófica. A mensagem é igualmente positiva.

         Seja se escondendo dos lobos ou procurando alguma proteção, o homem tem ações racionais, afinal, é muito difícil enfrentar os medos de peito aberto. Geralmente, isso é feito quando não há mais opções para se evitar e o enfrentamento dos medos se faz obrigatório.

         Agarrado ao gigante de luz, o homem permanece seguro e livre dos ataques dos lobos. Porém, quando ele entra num lago e, com certeza, irá sumir, o homem precisa lidar novamente com a falta de luz e segurança. A mensagem é direta e certeira; muitas vezes, os nossos medos, são motivados por nós mesmos. E isso serve para várias situações e vai de acordo com as nossas experiências de vida.

           Eu não posso chegar para uma pessoa e tentar minimizar os anseios, medos e frustrações dela, de acordo com a minha perspectiva. Da mesma maneira, nenhuma pessoa pode usar as suas experiências e visões de mundo para querer determinar como eu devo lidar para vencer os meus anseios, os meus medos e minhas frustrações. Com muita inteligência, a equipe criativa propõe que a vitória diante de medos, anseios e frustrações é uma coisa pessoal, particular e intransferível.

         Quando o gigante de luz começa a sumir, o que sobra para o homem é a sua sombra. E quando ele percebe a origem do que lhe amedronta, ele toma consciência de onde vem os lobos e como ele deve lidar com a presença deles. Talvez, conhecendo a verdade sobre eles, o homem pode descartá-los e seguir com a sua vida de uma maneira mais livre, leve e com muito mais clareza para enfrentar outros problemas e medos que podem surgir ao longo da vida.

        “Luz, Sombra e Medo” é um curta com elementos técnicos muito bem empregados na sua produção, com uma narrativa muito bem definida e um arco dramático sólido e eficaz. O filme é uma Animação com várias camadas e que pode trazer inúmeras reflexões ao expectador.




quarta-feira, 18 de dezembro de 2024

QUIROPTEROFOBIA (2009)

 

        O excelente curta de Terror, bebe da fonte dos subgêneros Trash e Gore, para apresentar uma história envolvente, inquietante e perturbadora.

         Com roteiro de Tiago Rezende e direção de Fernando Mantelli, “Quiropterofobia” tem em sua trama um casal de amantes que pega um taxi. Porém, logo o casal e o motorista se veem num verdadeiro pesadelo, quando são sequestrados e se tornam vítimas de um maníaco. Ali, presenciam todas as barbaridades que o sádico sequestrador é capaz, desde a forma como mata suas vítimas até beber o sangue delas.

         “Quiropterofobia” tem uma estrutura narrativa extremamente eficiente ao abordar a premissa de um transtorno psiquiátrico grave por parte do agressor e mesclar com elementos da literatura fantástica do Conde de Lautréamont, com trechos de sua obra “Os Cantos de Maldoror”.

         Com muita tortura e sangue, a trama, que se desenvolve em grande parte num cômodo sujo e aterrorizante, mostra a personalidade do maníaco e como cada um dos sequestrados reage. Cada um encarnado em seu personagem, Nélson Diniz, Aline Jones, Álvaro Rosacosta, Amanda Ogando e Marcos Verza mandam muito bem, com atuações maravilhosas.

            Um ponto forte é a trilha sonora que, em alguns momentos, apenas usa o som para sugerir aos personagens e espectador o que ocorre com outras vítimas no cômodo ao lado onde estão presos. “Quiropterofobia” tem fotografia e arte eficientes, que transmitem muito bem a atmosfera densa e pesada do local. E outro elemento técnico de destaque é a montagem.

         Gradualmente, a trama se desenvolve, primeiro nas tentativas desesperadas de fugir dali, até quando o jogo começa a virar e o maníaco percebe que sequestrou alguém que não deveria.

         “Quiropterofobia” é um Terror denso, com uma narrativa densa e pesada, sendo uma ótima opção para quem curte os subgêneros de Gore e Trash. A trama é muito bem conduzida e o final é extremamente surpreendente.




O MAL QUE HABITA (2021)

            Com direção de Bruno Rapone, “O Mal que Habita” é um curta de Terror que mergulha no universo das possessões demoníacas por um c...