Três amigos se reúnem para comemorar
a noite de Natal. Em meio à festividade, relembram um fato ocorrido há um ano:
o assassinato de três amigos, realizado por um serial killer conhecido como o
Ceifador Mascarado. Um sobrevivente da chacina conseguiu sobreviver e, o grupo
de comemora o Natal não tem ideia do perigo que correm, por haver uma ligação
entre um deles e o sobrevivente do ataque do Ceifador Mascarado.
O
curta “Lua de Sangue 2” é um filme que mescla os gêneros Suspense, Terror e
Slasher. A trama é bem conduzida pelo diretor-roteirista Artur Garnetti, tendo
boas atuações de Grazielly Oliveira, Luiza Monteiro e Victor Andrew.
O
medo dos protagonistas, ao se lembrarem do evento do ano anterior, terminar por
se tornar real quando o assassino surge para concluir o que não havia
conseguido: matar o sobrevivente da chacina. O curta tem um clima de tensão
alto quando o serial killer invade a casa, fazendo os três jovens como reféns e
iniciando um jogo de horror com eles.
“Lua
de Sangue 2” tem ótimos elementos narrativos, dramáticos e técnicos, fazendo do
curta uma ótima opção para quem curte o subgênero Slasher, onde tudo corre num
misto de pavor, horror e tensão. A narrativa é fluida e o filme tem uma resolução
final bastante interessante.
Ponte Nova é
um bairro humilde, localizado na porção continental de São Vicente, na Baixada
Santista, que enfrenta sérias dificuldades estruturais e sociais, agravadas
pela pandemia. A região, marcada por uma história de negligência ambiental, já
foi alvo de despejo de resíduos tóxicos pela empresa Rhodia, antes mesmo da
formação do bairro, contribuindo para os problemas sanitários e de saúde que
afetam os moradores até hoje. Essa herança de descaso continua a impactar a
qualidade de vida local, tornando ainda mais desafiadora a luta por melhorias,
especialmente durante o período crítico da pandemia, quando a carência de
serviços públicos se acentuou.
Em meio a esse
cenário adverso, o jovem médico Yago Torres decidiu agir. Com um olhar voltado
para o futuro, ele idealizou projetos que visavam não apenas melhorar a saúde
física dos moradores, mas também promover um senso de comunidade e
pertencimento. Um dos primeiros passos foi a criação de um grupo de caminhadas,
composto por usuários da Unidade Básica de Saúde (UBS) do bairro Ponte Nova. A
iniciativa, simples à primeira vista, rapidamente conquistou a adesão de muitas
pessoas, principalmente idosos, que viram nas caminhadas uma forma de manter-se
ativos e socialmente engajados.
No entanto, os
projetos de Yago não se limitaram às caminhadas. Ao observar o espaço ocioso no
terreno da UBS, ele vislumbrou uma oportunidade de criar algo que pudesse
beneficiar ainda mais os moradores: uma horta comunitária. Assim nasceu a “Roça
Urbana”, uma proposta inovadora de cultivo sustentável, que alia saúde,
bem-estar e consciência ambiental. A horta, suspensa devido à contaminação do
solo local pelos resíduos da Rhodia, utiliza terra trazida de outras regiões,
garantindo que os alimentos cultivados sejam livres de toxinas e seguros para o
consumo. Dessa forma, a “Roça Urbana” se tornou não apenas uma fonte de
alimentos saudáveis, mas também um símbolo de resistência e renovação em meio
às dificuldades.
O Documentário
“Roça Urbana”, dirigido, roteirizado e com fotografia de Jean Pierre Pierote,
acompanha de perto essa transformação no bairro Ponte Nova. Com uma narrativa
fluida e envolvente, o filme conduz o espectador pelo cotidiano dos moradores,
mostrando como o cultivo da horta e as caminhadas criaram novos laços de amizade
e solidariedade entre eles. Os depoimentos de Luciene Formosina de Jesus,
Josefa da Silva, Josefa Maria e Manoel Nascimento são carregados de emoção e
revelam como essas iniciativas não apenas promoveram a saúde física, mas também
trouxeram melhorias significativas na qualidade de vida emocional e psicológica
dos participantes.
O Documentário
destaca, de forma sensível, o impacto dessas atividades na vida dos idosos da
comunidade, muitos dos quais enfrentam o isolamento e a falta de estímulo
físico. Para eles, as caminhadas e o cultivo de alimentos tornaram-se muito
mais do que simples atividades de rotina; são momentos de convivência, troca de
experiências e fortalecimento de vínculos. A melhoria na saúde desses moradores
é visível, não apenas pela prática de exercícios regulares, mas também pelo
acesso a alimentos frescos e livres de agrotóxicos, cultivados com as próprias
mãos.
Além dos
benefícios físicos e alimentares, o filme explora a importância do
fortalecimento dos laços sociais entre os participantes. O grupo que se formou
em torno da horta e das caminhadas representa uma nova forma de convívio
comunitário, onde os moradores compartilham suas histórias, cuidam uns dos
outros e encontram na coletividade uma forma de enfrentar os desafios do dia a
dia. Essa rede de apoio e amizade contribui diretamente para a melhoria da
saúde mental e emocional dos participantes, que passaram a ver essas atividades
não como uma obrigação, mas como momentos de prazer e realização.
Tecnicamente,
“Roça Urbana” é uma produção impecável. Jean Pierre Pierote, acerta em cada
detalhe, capturando a essência do bairro e a realidade dos seus moradores com
uma sensibilidade única. A produção e som direto de Cinthia dos Santos e
Patrycia Nunes, a montagem de Mateus Ribeiro e o design gráfico de Cássia
Oliveira se unem de maneira harmoniosa para criar um Documentário dinâmico, que
em apenas doze minutos consegue transmitir uma mensagem poderosa e impactante.
A fluidez da narrativa, aliada à precisão técnica dos elementos audiovisuais,
permite que o espectador se sinta parte da história, acompanhando de perto o
crescimento da horta, as caminhadas dos moradores e os depoimentos emocionantes
que dão vida ao filme.
“Roça Urbana”
não é apenas um registro das transformações que ocorreram na Ponte Nova, mas
também um retrato de como iniciativas simples, quando guiadas pela vontade de
melhorar a vida em comunidade, podem gerar impactos profundos. O documentário
reforça a importância da solidariedade, do trabalho em equipe e da busca por
soluções sustentáveis para os problemas que afetam áreas marginalizadas como
Ponte Nova. Através de uma narrativa clara e objetiva, “Roça Urbana” celebra o
esforço coletivo e a resiliência de um povo que, apesar das dificuldades,
continua a lutar por uma vida mais saudável e digna.
Com uma
mensagem de esperança e superação, “Roça Urbana” é um exemplo de como o cinema
pode dar voz às comunidades que muitas vezes são esquecidas, mostrando que,
mesmo em meio ao descaso e às adversidades, é possível plantar sementes de
mudança e colher frutos de transformação.
"Progresso
de Quem?", com roteiro de Izadora Andrade e Mariana Zanzini, é um Documentário
que lança um olhar sensível e profundo sobre a realidade dos catadores de
materiais recicláveis na cidade de São Paulo. Apesar de exercerem uma função
vital para o meio ambiente e para a saúde pública, esses trabalhadores
enfrentam diariamente o preconceito, a falta de reconhecimento e a
invisibilidade diante da sociedade. A produção aborda a rotina desses
profissionais, trazendo à tona o contraste entre a importância de seu trabalho
e o desprezo com que são tratados.
O Documentário
conta com depoimentos de catadores como Litz Govk, Maura dos Santos, Maxsuell
Wellington e Varonildo Carmo, que compartilham suas histórias de vida e as
dificuldades enfrentadas em seu cotidiano. As vozes desses trabalhadores nos
levam a compreender melhor o papel essencial que desempenham, ao recolherem
toneladas de resíduos que, de outra forma, seriam destinados a aterros ou
incinerados. Esses catadores não só diminuem a pressão sobre o meio ambiente,
como também contribuem para a reciclagem de materiais como plástico, metal e
papel, fundamentais para a sustentabilidade das cidades modernas.
A diretora
Izadora Andrade enriquece o Documentário ao incluir o impacto transformador do
projeto "Pimp My Carroça", que é retratado de maneira detalhada. A
iniciativa busca reformar carroças utilizadas pelos catadores, equipando
algumas delas com motores elétricos, tornando-as mais confortáveis e
eficientes. Além disso, o projeto usa a arte como ferramenta de conscientização
social, estilizando as carroças com grafites e pinturas vibrantes, que
transformam esses veículos em símbolos de resistência e dignidade. Esse
trabalho não apenas facilita a vida dos catadores, mas também melhora sua
visibilidade, desafiando estigmas e preconceitos profundamente enraizados na
sociedade.
Letícia
Tavares, diretora executiva do "Pimp My Carroça", explica como o
projeto impacta diretamente a vida dos catadores, proporcionando uma nova
perspectiva sobre seu trabalho e sobre a relação deles com a cidade. Ao
estilizar suas carroças, o projeto também ressignifica o olhar que a população
tem desses trabalhadores, muitas vezes esquecidos e marginalizados. O
depoimento de Letícia Tavares é um ponto alto do filme, trazendo à tona a
importância de se reconhecer os catadores como agentes ambientais que realizam
um serviço imprescindível numa sociedade que, cada vez mais, se afoga em seu
próprio lixo.
Tecnicamente,
"Progresso de Quem?" impressiona pela forma dinâmica com que
transmite sua mensagem em apenas quatro minutos. A montagem ágil, aliada à
sensibilidade da fotografia de Alef Paz e ao trabalho de som de Caio Terra,
cria uma narrativa visual poderosa, em que a imagem e o som dialogam em
perfeita harmonia. O design gráfico de Gabriela Mônaco e a decupagem de Clara
Almeida também se destacam, contribuindo para o ritmo fluido do curta-metragem,
que consegue envolver o espectador desde os primeiros segundos.
Apesar de sua
curta duração, "Progresso de Quem?" é um filme de grande impacto
social. Ele não só destaca a importância do trabalho dos catadores para a
manutenção da cidade, mas também humaniza esses trabalhadores, lembrando-nos de
que por trás de cada carroça há uma história de vida, com sonhos, desafios e
esperanças. O Documentário nos convida a refletir sobre nossa própria
responsabilidade em relação ao meio ambiente e às pessoas que, muitas vezes,
passam despercebidas em meio à correria urbana.
"Progresso
de Quem?" é uma produção necessária e urgente, que nos obriga a olhar para
a cidade e seus trabalhadores de maneira mais empática e consciente. É um
chamado para a ação, para o reconhecimento e valorização daqueles que,
silenciosamente, cuidam da nossa sociedade e do nosso planeta.
O curta é um Drama melancólico e
triste por se tratar de um desejo que Ana Paula quer realizar, mas não encontra
nenhuma outra solução. Mãe de um bebê e esquecida pelo marido que os deixaram
sós, Ana Paula decide abandonar a cidade de Quixeramobim e a única forma que
tem de conseguir o dinheiro da passagem é rifando-se em troca de uma noite de
sexo.
Tendo
Bilica Léo como protagonista, “Rifa-me” é um dos primeiros trabalhos
audiovisuais do talentosíssimo diretor, roteirista e produtor Karim Aïnouz. Com
muita sensibilidade, AÏnouz trata o tema da premissa de forma muito envolvente.
Assim, como muitos amigos e conhecidos de Ana Paula, o espectador pode até não
concordar com a decisão da jovem, mas desesperadamente compreende, tendo a
esperança de que ela vá desistir da ideia.
O
diretor explora profundamente o universo de Ana Paula, com as suas
dificuldades, necessidades e sonhos. Com muita competência, não há espaços para
julgamentos em relação à protagonista, mas uma imensa sensação de piedade e
tristeza por vê-la nesta situação.
“Rifa-me”
tem seu início cantado por dois repentistas. E a história de Ana Paula continua
narrada, não apenas pelas imagens, sons e ações dos personagens, mas pelo rádio
que dita a passagem do tempo e pelas quebras da quarta parede e citações de
poesia de cordel.
Outra
escolha extremamente pontual é o uso de locações que remetem à viagem que Ana
Paula deseja fazer. Não são mostradas cenas no centro da cidade e que tenham
muitas pessoas. Vários lugares filmados transmitem esse desejo se passando em
estradas e num posto de gasolina à beira de uma dessas estradas. A partida de
Ana Paula fica palpável e inevitável.
Com
qualidades técnicas impressionantes, “Rifa-me” é um Drama comovente, que narra
o desespero de uma mulher. Se, por um lado, faz uma crítica pertinente de como
muitas mulheres são vistas como objetos, por outro, mostra que a compaixão e a
empatia ainda fazem parte do caráter de muitas pessoas.
Em
“Rifa-me” já é possível experimentar muitas das características do estilo
cinematográfico de Karim Aïnouz. A forma como a personalidade da personagem é
construída, demonstra claramente que ela está decidida, mas não satisfeita em
fazer o que propôs. Ana Paula não é simplesmente uma personagem de um filme.
Ela tem várias camadas, afinal é um ser humano, com seus pensamentos,
temperamento, personalidade.
A
construção da narrativa também demonstra toda a qualidade do texto e a forma
como o diretor conduz o arco dramático. Os sons da rádio, com sua transmissão
diária, revela que as vidas das pessoas continuam normais, independente dos
problemas que Ana Paulo enfrenta. Seja por falta de tempo ou por egoísmo, às
vezes, ignoramos uma situação difícil de um vizinho ou parente. “Rifa-me”
aborda essa reflexão de forma eficiente, com a proposta de nos preocuparmos e
darmos mais atenção para as pessoas que estão próximas e que, no desespero,
decidem por caminhos mais rápidos para uma solução de seus problemas.
A ótima Comédia protagonizada por
Tay Lopes tem direção de Rodrigo César e roteiro de Cadu Pereiva. A trama se
desenrola seguindo um golpe que o malandro Hiltinho dá na esposa de um sargento
da polícia e com quem ele tem um caso. Após se envolver com a mulher e roubar
dinheiro que o sargento guardava debaixo do colchão, ela confessa a traição e o
roubo ao marido.
Perseguido
pelos policiais, Hiltinho percorre vários pontos da cidade, até chegar na
estação rodoviária e, ao se esconder no banheiro, encontra uma mala. Hiltinho
descobre que a mala pertence a um Frei que teve uma dor de barriga. Hiltinho
embarca no ônibus, vestido com as vestes do religioso e segue para Belém de
Nazaré, usando a identidade de Frei Fernando.
Quando
desembarca na cidade, é recebido pelo Padre Zezinho, interpretado por Paulo
Pontes, e fica sabendo que toda a paróquia lhe aguarda para a realização da
Cantada de Natal.
O
curta tem uma trama muito bem desenrolada, com uma inteligente construção dos
personagens e nas relações que são estabelecidas. Hiltinho conhece, ainda no
ônibus, a bela Elaine, interpretada por Camila Bastos. A jovem é filha do
prefeito que, alegando dificuldades financeiras, comunica ao Padre que não
poderá financiar a tradicional Cantada de Natal. O ator Zé Ramos dá vida ao
político.
Neste
contexto, o texto tem um campo fértil para desenvolver a Comédia, com um
malando se passando por um Frei; um Romance, com o início de uma ligação de
Hiltinho com Elaine; a o Drama, envolvendo o sentimento natalino da população
da cidade e o risco de não ter a Cantada de Natal.
“A
Presepada” tem ótimos elementos narrativos, que além da trama conduzida pelos
personagens, conta com animações inspiradas em xilogravuras e a narração de um
repentista, o que insere o espectador no contexto nordestino, lembrando a
literatura de cordel.
Outro
elemento narrativo muito interessante é que a equipe criativa alia muito bem a
comédia mais leve a um humor mais ácido. Equilibrando muito bem esses dois
tipos de humor, Rodrigo César entrega um curta muito divertido e gostoso de
assistir.
Os
elementos técnicos de produção são muito bem aproveitados com destaque para a
ótima fotografia, direção de arte, montagem e trilha sonora. A combinação
desses elementos com o arco dramático, fazem de “A Presepada” uma ótima Comédia
com muito humor do começo ao fim.
A Animação “Guida” apresenta uma
mulher madura, que trabalha no fórum há 30 anos. A sua vida como arquivista é
rotineira, assim com a sua vida pessoal e particular.
Com
muita sensibilidade, a diretora Rosana Urbes explora o mundo real e o imaginado
pela protagonista Guida. Ela recorda o que passou e reflete sobre o que ainda
pode ser feito. Com roteiro de Rosana Urbes, Bruno Castro e Tiago Minamisawa, o
curta traz a reflexão sobre o passado, presente e futuro. Com certa idade, já
não podemos fazer muitas das coisas que gostaríamos. Porém, o que ficou no
passado não tem como ser modificado, então, precisamos nos concentrar no que
ainda podemos fazer. E se o tempo corre sem parar, temos que pegar o bonde e
seguir na realização de sonhos possíveis.
Através
de uma linguagem poética, “Guida” mostra como é necessário saber lidar com as
mudanças físicas, emocionais e psicológicas. Se querermos viver bem, precisamos
pensar de forma livre e dar vazão para os desejos e vontades. Guida se deparar
com um anúncio para aulas de modelo vivo em um centro cultural. O fato de posar
nua para trabalhos artísticos a fazem refletir demais sobre o seu corpo. Porém,
ela toma a decisão que entende ser a melhor.
A
protagonista deixa de lado as suas próprias barreiras e decide se libertar. A
mensagem principal do belíssimo curta de Drama reside no fato de que é preciso
fazer o que se tem vontade, deixar a vida fluir, os sonhos virarem realidade. Se
muitos sonhos deixaram de ser realizados durante a juventude, ainda há muita
coisa a ser buscada. E a idade não pode ser colocada como um impeditivo.
Com
som e trilha sonora de Ruben Feffer, Gustavo Kurlat, Ana Luiza Pereira e Duda
Larson, e storyboard, design e animação de Rosana Urbes, “Guida” é uma
maravilhosa produção que mostra que a felicidade, muitas vezes, está mais
próxima do que podemos imaginar e que só depende de uma mudança de atitude para
vivermos a vida com mais plenitude e leveza.
“Guida”
tem elementos técnicos de animação extremamente refinados e envolventes.
Fotografia, montagem e trilha sonora são outros elementos que dão um ar
especial para o curta que merece todos os elogios, tanto pela sua narrativa
quanto pelo arco dramático sensível e amável.
O curta, com roteiro, direção e
montagem de Fernando Rick, apresenta a mente perturbada de um maníaco e as suas
ações violentas e cruéis. Inspirado em alguns clássicos do Terror da década de
70, “Coleção de Humanos Mortos” é um curta extremo, com cenas fortes, muito
sangue e sadismo.
Alexandre,
interpretado por Ulisses Granados, dá vida ao psicótico que comete crimes
horrendos e acumulando vítimas através de sua loucura e violência.
“Coleção
de Humanos Mortos” é um Terror Trash Slasher e com muitos elementos do Gore. O
filme é extremamente violento, mas tem todos os pontos para quem é fã do gênero
e subgêneros.
A
construção do complexo protagonista da história é muito bem desenvolvida, assim
como o seu universo físico e psicológico. De forma muito eficiente, Fernando
Rick encaixa alguns personagens importantíssimos que representam Prazer, Ódio e
Loucura. Todos esses personagens incrementam a mente do maníaco, deixando a
dúvida para o espectador sobre a natureza deles. Seriam apenas criações de uma
mente doentia ou entidades sobrenaturais?
Sendo
criações ou não, são elas quem motivam muitas das ações do personagem, que já
não bate bem das ideias. Com maquiagem e efeitos práticos perfeitos, “Coleção
de Humanos Mortos” é um ótimo filme com um texto muito bem conduzido pelo
diretor e onde todos os elementos técnicos funcionam muito bem. A trilha sonora
é outro ponto alto do filme.
Luciana Caruso, Tiara Cury, Marina Anloop,
Luís Sorrentino, Fabio de Castro, Gurcius Gewdner, Fernando Moreno, e Didi
Babinski compõem o elenco, com ótimas atuações e que dão veracidade no que
vemos em tela. A direção de fotografia de Renato Tado e Rodrigo Terra e os
efeitos visuais de André Kapel Furman, ajudam a criar um ambiente perturbador,
com uma atmosfera densa e com personagens bizarros, estranhos e perigosos.
“Coleção
de Humanos Mortos” é uma obra de arte do Terror Trash nacional, com uma trama
envolta em mistérios, personagens bem bolados, desenvolvimento e resolução
final muito bem definidos. E o que não poderia faltar nesse tipo de produção e
o curta tem, é muito sangue.
O premiado
curta “Arabesco”, com roteiro e direção de Eliane Caffé, apresenta dois ladrões
que invadem uma casa com a intenção de roubar objetos valiosos. Logo de cara,
eles percebem que a casa guarda muito mais segredos do que artigos de luxo.
“Arabesco”
conta com as ótimas atuações de Alfredo Damiano e Jonas Bloch, que se
surpreendem com tudo o que há dentro do cômodo da casa e como coisas estranhas
passam a acontecer. Se, de início, eles se surpreendem de forma positiva diante
do desconhecido, logo eles passam a questionar a sanidade mental, com o
desespero batendo na cabeça deles. Citando o caso de um conhecido que
enlouqueceu, pensando que havia se tornado um paralelepípedo, eles temem que o
mesmo possa acontecer com eles, sendo influenciados de alguma maneira pela
casa.
O que eles têm
de informações sobre a casa é que a mesma pertence a uma senhora de idade. Ao
invadirem um dos cômodos da casa, se surpreendem com objetos, obras de artes,
quadros, livros, que, provavelmente têm um elevado valor. Porém, tudo o que
existe dentro daquele cômodo parece estranho e surreal, aparentemente, não
havendo uma saída.
O curta aborda
como cada um reage diferente das coisas inusitadas que acontecem no local. Num
momento, enquanto um está enfeitiçado por algum objeto, o outro está no
desespero para sair do local. E essa situação se inverte em várias
oportunidades.
Com muita
competência, as equipes de arte, fotografia e trilha sonora constroem um
universo que desafia o mundo real, com situações absurdas e que fogem da
realidade material da forma como conhecemos. O curta tem um lado lúdico, mas
também, uma atmosfera de mistério e suspense. O texto oferece todos esses
elementos que são explorados de forma muito eficiente por Eliana Caffé.
O toque
surreal e experimental do curta traz a reflexão de como lidamos com situações,
aparentemente sem explicação. Em resumo, como lidamos com o desconhecido e com
o que nos parece estranho à primeira vista.
“Arabesco”
deixa uma série de dúvidas para que o espectador especulo sobre o local e as
atitudes da dupla de assaltantes. Será que aquele local é real? Será que eles
realmente estão onde acham que estão? E, como sair dali?
Eliana Caffé
demonstra muita qualidade em aliar elementos narrativos e técnicos, criando a
tensão que envolve os personagens e explorando muito bem os elementos
psicológico e emocionais da dupla de assaltantes.
Com apenas pouco mais de 3
minutos, “Luz, Sombra e Medo” narra o medo de um homem diante de seus medos
quando é perseguido por lobos ferozes. Ele se refugia num ser muito maior e que
emana luz, fazendo com que os animais se mantenham afastados.
Com
uma identidade visual extremamente bem elaborada, o diretor Mauricio Bartok
mescla os gêneros Aventura, Drama e Fantasia nesta Animação. Os efeitos sonoros,
de Daniel Figueiredo e José Miguel Enriquez, dão intensidade à trama, variando
dentro da narrativa. O resultado é um curta produzido com perfeição e com uma
mensagem muito bem definida.
O
filme traz a pertinente reflexão sobre a vida, os problemas, os medos e como
enfrentamos tudo isso. A versatilidade de “Luz, Sombra e Medo” permite que as
reflexões possam se dar através de um viés religioso ou por uma perspectiva
filosófica. A mensagem é igualmente positiva.
Seja
se escondendo dos lobos ou procurando alguma proteção, o homem tem ações
racionais, afinal, é muito difícil enfrentar os medos de peito aberto.
Geralmente, isso é feito quando não há mais opções para se evitar e o
enfrentamento dos medos se faz obrigatório.
Agarrado
ao gigante de luz, o homem permanece seguro e livre dos ataques dos lobos.
Porém, quando ele entra num lago e, com certeza, irá sumir, o homem precisa
lidar novamente com a falta de luz e segurança. A mensagem é direta e certeira;
muitas vezes, os nossos medos, são motivados por nós mesmos. E isso serve para
várias situações e vai de acordo com as nossas experiências de vida.
Eu
não posso chegar para uma pessoa e tentar minimizar os anseios, medos e
frustrações dela, de acordo com a minha perspectiva. Da mesma maneira, nenhuma
pessoa pode usar as suas experiências e visões de mundo para querer determinar
como eu devo lidar para vencer os meus anseios, os meus medos e minhas frustrações.
Com muita inteligência, a equipe criativa propõe que a vitória diante de medos,
anseios e frustrações é uma coisa pessoal, particular e intransferível.
Quando
o gigante de luz começa a sumir, o que sobra para o homem é a sua sombra. E quando
ele percebe a origem do que lhe amedronta, ele toma consciência de onde vem os
lobos e como ele deve lidar com a presença deles. Talvez, conhecendo a verdade
sobre eles, o homem pode descartá-los e seguir com a sua vida de uma maneira
mais livre, leve e com muito mais clareza para enfrentar outros problemas e
medos que podem surgir ao longo da vida.
“Luz,
Sombra e Medo” é um curta com elementos técnicos muito bem empregados na sua
produção, com uma narrativa muito bem definida e um arco dramático sólido e
eficaz. O filme é uma Animação com várias camadas e que pode trazer inúmeras
reflexões ao expectador.
O excelente curta de Terror, bebe
da fonte dos subgêneros Trash e Gore, para apresentar uma história envolvente,
inquietante e perturbadora.
Com
roteiro de Tiago Rezende e direção de Fernando Mantelli, “Quiropterofobia” tem
em sua trama um casal de amantes que pega um taxi. Porém, logo o casal e o
motorista se veem num verdadeiro pesadelo, quando são sequestrados e se tornam
vítimas de um maníaco. Ali, presenciam todas as barbaridades que o sádico
sequestrador é capaz, desde a forma como mata suas vítimas até beber o sangue
delas.
“Quiropterofobia”
tem uma estrutura narrativa extremamente eficiente ao abordar a premissa de um
transtorno psiquiátrico grave por parte do agressor e mesclar com elementos da
literatura fantástica do Conde de Lautréamont, com trechos de sua obra “Os
Cantos de Maldoror”.
Com
muita tortura e sangue, a trama, que se desenvolve em grande parte num cômodo
sujo e aterrorizante, mostra a personalidade do maníaco e como cada um dos
sequestrados reage. Cada um encarnado em seu personagem, Nélson Diniz, Aline
Jones, Álvaro Rosacosta, Amanda Ogando e Marcos Verza mandam muito bem, com
atuações maravilhosas.
Um
ponto forte é a trilha sonora que, em alguns momentos, apenas usa o som para
sugerir aos personagens e espectador o que ocorre com outras vítimas no cômodo
ao lado onde estão presos. “Quiropterofobia” tem fotografia e arte eficientes,
que transmitem muito bem a atmosfera densa e pesada do local. E outro elemento
técnico de destaque é a montagem.
Gradualmente,
a trama se desenvolve, primeiro nas tentativas desesperadas de fugir dali, até
quando o jogo começa a virar e o maníaco percebe que sequestrou alguém que não
deveria.
“Quiropterofobia”
é um Terror denso, com uma narrativa densa e pesada, sendo uma ótima opção para
quem curte os subgêneros de Gore e Trash. A trama é muito bem conduzida e o
final é extremamente surpreendente.